Mindset: 4 viéses comportamentais que te deixam mais pobre!

mindset

Para qualquer tipo de investidor, ter o mindset correto é fundamental. A forma como o investidor pensa e reage diante do mercado em muitos casos é até mais crucial para o seu sucesso do que ter o conhecimento técnico.

E quando falamos de mindset do investidor, surge um problema muito comum: os famosos viéses comportamentais.

Os viéses comportamentais são tipos de padrões de comportamento (muitas vezes de forma até natural), e que no caso do mindset investidor, são responsáveis por uma boa parcela das decisões ruins que tomamos ao investir.

Por isso, no artigo de hoje, listarei 5 viéses comportamentais que te deixam mais pobre. E é bom tomar cuidado, porque alguns desses viéses vão além dos investimentos!

1 – Viés da Confirmação

Em algum momento da sua vida você já esteve convicto de alguma opinião sua e, para comprovar essa opinião, você foi atrás apenas de informações e opiniões que comprovassem a sua própria opinião, ignorando completamente as opiniões de quem dizia o contrário?

Se sim, parabéns, você caiu no viés da confirmação. Ele é um dos principais viéses que afetam o nosso mindset quando passamos a ser investidores.

Há um caso clássico: dos investidores de longo prazo x os investidores de curto prazo.

Geralmente, o investidor que tem um mindset mais alinhado com o investimento de longo prazo consome apenas o conteúdo para esse perfil de investimento, deixando de lado o investimento a curto prazo (trading). O mesmo acontece do outro lado.

Esse é o viés da confirmação agindo: para o investidor a longo prazo se sentir bem, ele busca conteúdo daqueles que tem opiniões semelhantes a sua (o contrário também acontece).

E não é que ele deveria ser trader, não. A ideia é: ele deve entender o que as opiniões contrárias têm a dizer para entender o que realmente faz sentido.

O investidor que não faz isso, uma hora ou outra, acaba apanhando nas mãos do mercado.

2 – Viés do Excesso da auto-confiança

Em algumas pesquisas realizadas na França, 84% dos franceses do sexo masculino dizem ser amantes acima da média.

Esse é um caso típico de excesso de auto-confiança. Afinal de contas, quando falamos de média, indiretamente estamos falando que 50% está acima da média e 50% abaixo dela.

Esse viés também acontece e muito na bolsa de valores, principalmente se você começa ganhando.

Quando começamos ganhando na bolsa, passamos a nos sentir “deuses”. Achamos que o mercado é fácil de domar, e que é possível viver na bolsa sem perder. Com isso, apostamos cada vez mais e alavancamos cada vez mais capital, até o momento em que perdemos tudo, numa porrada só.

Moral da história: seja humilde, por mais que você tenha todas as ferramentas para fazer uma boa escolha. O excesso de auto-confiança, quando enraizado no seu mindset, não gera bons retornos no longo prazo.

3 – Viés Retrospectivo

Se você procurar na internet por qualquer conteúdo, seja artigo ou em vídeo, sobre a crise de 2008, vai parecer a você que tudo o que culminou em uma das piores crises financeiras da história estava nítido.

Era claro o problema com os empréstimos subprime, assim como era claro que os bancos e o mercado financeiro iriam sucumbir.

O problema é que olhando pelo retrovisor realmente parece óbvio, mas, em 2008, nada disso era realmente claro – apenas a ideia de que as coisas (ironicamente) iam melhorar.

E esse é o viés retrospectivo. Temos uma tendência a achar que é fácil identificar problemas e soluções com base nos acontecimentos passados – mas nem sempre isso é tão fácil assim.

No mercado de ações, exemplos do viés retrospectivo são fáceis de achar. Da crise de 2008 até mesmo a comentários como “A empresa x já reverteu resultados como esse no passado, é só uma fase”, o viés retrospectivo está em todo lugar, e no mindset de muitas pessoas.

Cabe a nós termos ciência desse viés e termos a nossa própria noção de quando caímos nele. Assim, podemos ponderar o que realmente faz sentido quando olhamos para o passado, e o que realmente não faz.

4 – Viés da âncora

Para você entender esse viés, vamos fazer uma brincadeirinha rápida. Não vale procurar no google.

Basta responder uma pergunta minha. Ela é simples: qual era o preço de uma ação da Itaúsa no dia 15/02/2019?

Antes de responder, uma dica: as ações do banco Itaú, nessa mesma data, estavam R$37,42 por ação.

Agora, pode pensar e responder.

Se você não sabia o preço e não procurou no google, provavelmente você chutou algum número próximo de R$37,42, estou certo?

Se a resposta foi positiva, agora você entende exatamente o que é cair no viés da âncora.

O preço das ações da Itaúsa, no dia 15/02/2019, estavam em R$13,21 por ação, bem diferente dos R$37,42 das ações do Itaú.

Você poderia ter respondido qualquer número, mas a partir do momento que eu citei as ações do Itaú, a âncora foi criada: se você pensasse num número muito maior (ou muito menor), provavelmente sentiria que a chance de acertar seria muito menor.

Esse viés aparece bastante quando estamos investindo, principalmente quando temos que julgar se uma ação está cara ou barata.

Pode perceber: a maioria de nós, pra tentar entender se a ação está cara, nós quase sempre olhamos pros preços passados da ação.

Isso é errado, já que temos que olhar pros fundamentos e verificar o preço com base neles. Mesmo assim, muitos criam essa âncora e acabam tomando decisões erradas com base nos preços do passado. Milhares de investidores investem em empresas caras demais só com base nesse viés.

 

Esses são alguns dos  viéses comportamentais mais comuns dentro do mundo dos investimentos. Agora que você os conhece e os entende, cabe a você ter consciência de quando eles aparecerem no seu dia-a-dia e, na medida do possível, evitá-los.

Muitas vezes isso é difícil de fazer, mas não tem problema. Com o tempo, você consegue! Ter a consciência dos problemas é o primeiro passo para soluciona-los, e o intuito do artigo de hoje era justamente te ajudar nesse passo para tornar o seu mindset ainda mais apurado.

Por fim, não esqueça de seguir o primo no youtube e no instagram.

Até a próxima!