DISB34: Um estudo das ações da Walt Disney na bolsa de valores

Se tivéssemos que definir a Walt Disney (DISB34) em uma palavra, essa palavra provavelmente seria magia.

A Walt Disney já faz parte da história da humanidade, e não é por falta de méritos que hoje a empresa detém o título de maior conglomerado de mídia independente do mundo.

Ela é uma empresa mágica, que começa a fazer parte das nossas vidas desde a infância e continua nos influenciando até a nossa fase adulta.

E talvez você não saiba, mas é possível investir na Walt Disney por meio da bolsa de valores brasileira e se tornar, efetivamente, um investidor da Disney. Na nossa bolsa, o código da Disney é o código DISB34.

O artigo de hoje é um guia completo para você entender, exatamente, como a Walt Disney Company é estruturada e como você deve olhar para decidir se investir em DISB34 vale a pena, ou não.

Ele está divido da seguinte forma:

DISB34: O business

Apesar da Walt Disney ter começado a crescer como uma empresa dentro do mundo de animações, hoje ela empresa muito mais diversificada.

Essencialmente, hoje a Disney tem participação nos seguintes ramos de atuação:

– Estúdio de Cinema: Walt Disney Studios

Redes Sociais: Walt Disney Media Networks;

Produtos: Disney Direct-to-Consumer e Internacional;

Parques e Resorts:Walt Disney Parks and Resorts;

Redes de Televisão: ABC, já que a Disney opera a rede de transmissão do Canal ABC, e também a própria Disney Channel e ESPN;

Recentemente, e talvez você esteja lembrado, a Disney fez uma fusão com a Fox, que inicialmente foi anunciada por um valor de 52 bilhões, mas foi aumentado para 71 bilhões de dólares em junho deste ano.

Essa informação é muito relevante, já que com essa fusão a Disney criou uma oportunidade para investir em mais um ramo de atuação, o que você verá um pouco mais a frente neste artigo.

DISB34: A História da Walt Disney

A Walt Disney Company, ou simplesmente Disney, foi fundada em 1923 pelos irmãos Walt e Roy Disney. Hoje, a Disney tem como presidente e CEO Bob Iger, que ocupa o cargo de presidente desde 2012 e de CEO desde 2005, mas que está dentro da Disney desde 1996.

A empresa leva seu nome atual desde 1986, época em que expandiu suas produções para o teatro, rádio, música, publicidade e mídia online. A Disney também criou novas divisões corporativas com o objetivo de comercializar conteúdo para adultos, como a Touchstone Pictures, visto que sua marca principal, Disney, está associada a aspectos familiares e infantis.

E aqui é importante entender uma coisa muito, mas muito importante da Disney: o fato dela ser infantil, e ter espaço de conteúdo para outras idades, faz com que ela tenha uma influência enorme sobre as pessoas.

Porque, veja: quantos de nós não crescemos com base nos desenhos da Disney? Quantos de nós, na adolescência e até hoje, não somos impactos por produtos dela?

Por incrível que pareça, até se você ligar num canal ESPN hoje, você estará entrando em contato com um conteúdo da Walt Disney.

E é aqui que está um dos melhores fundamentos qualitativos da Walt Disney. Somos tão acostumados a ver, ler, assistir, sonhar com coisas da Disney, que nós não só somos moldados com o seu produto, como também acabamos associando a própria empresa a coisas boas do nosso presente e do passado também.

DISB34: Composição Acionária

Primeiramente, é importante dizer que a Disney faz parte do Dow Jones Industrial Average desde 6 de maio de 1991.

Mas veja que, quando falamos em Disney, estamos falando de uma empresa que não tem um controlador com mais de 50% de suas ações. A composição acionaria da Disney é a seguinte:

Fonte: Nasdaq

63% da Walt Disney está na mão de investidores institucionais, porém a instituição que detem o maior número de ações da empresa tem 11% do total de ações. Logo, o controle da Disney é bem distribuído entre seus stakeholders.

DISB34: Histórico na Bolsa

Na Bolsa Brasileira, a B3, a BDR da Disney teve seu primeiro fechamento no dia 04/05/2012.

De lá até hoje, o gráfico de cotação da DISB34 é este:

Fonte: Economática

Nesse período, contabilizando com os proventos, a DISB34 gerou um retorno de 442,27% para os seus acionistas, já considerando também os proventos pagos no período.

DISB34: Vantagens no mercado

1) A receita da companhia é resultante de diferentes negócios:

Em canais de Mídia:

– Tarifas cobradas pelo serviço a cabo, etc;;

– Venda de propagandas;

– A venda de direitos para canais de televisão e distribuidores.

Produtos de Consumo & Mídia Interativa

– Licenciando personagens e conteúdo;

– Venda de mercadorias em lojas próprias de varejo, na internet, e para atacadistas;

– Venda de jogos;

Venda de livros infantis de publicação própria, revistas e quadrinhos a atacadistas;

– Venda de propaganda em vídeos de conteúdo online;

Parques e Resorts:

– Vendas de admissões aos parques temáticos;

– Vendas alimentícias e de miscelâneas;

– Diárias em hotéis, vendas de pacotes de viagem para o cruzeiro e outros;

– Patrocínios e Co-Branding;

– Venda e aluguel de propriedades.

Estúdios de Entretenimento:

– Distribuição de filmes em cinemas;

– Entretenimento residencial televisivo e mercado de subscription vídeo on demand;

– Venda de ingressos para peças e distribuição musical;

– Licenciamento da propriedade intelectual para o uso em produções de entretenimento ao vivo;

2) Fusão com a Fox

A fusão com a Fox foi muito importante para a Disney por três motivos:

a.  50% será pago em dinheiro, e outros 50% serão pagos mediante emissão de 343 milhões de ações e incorporação da dívida da Fox. Com isso, 81% da Fox será da Disney;

b. Trouxe para a Disney direitos de produção de diversos projetos que já são queridos pelo público e que já se provaram capazes de bons resultados, como: X-men, Quarteto Fantástico, Avatar, Os Simpsons, etc.

E veja que isso tem ligação não só com ganhos em bilheteria, como também futuros ganhos no mercado de streaming, que é o mercado que a Disney está para entrar.

Ao mesmo tempo, a Disney também ganha nomes consolidados e de bom retrospecto, como Os Simpsons, que tem atualmente 30 temporadas, e nomes como Avatar, que foi o filme de maior bilheteria da história.

c. Após a aquisição, a Disney passou a ter mais de 1 terço do Market Share de filmes de Estúdio, sendo quase o dobro da sua principal concorrente no meio, a Warner Brothers. (33,8% Disney vs 18,4% Warner Brothers)

Além disso, a Disney tinha 30% da Hulu enquanto a Fox também tinha 30%. Com a fusão, agora a Disney virou controladora da Hulu, com 60% de participação, e tem poder de usar a Hulu como serviço de streaming pra poder começar a competir com a Netflix, fora o serviço de streaming que irá carregar o próprio nome da Disney.

Ou seja: a Disney vai entrar pesado no mercado de streaming, e ela tem uma força muito competitiva no ramo.

3) INDICADORES – BIG NUMBERS

Valor de Mercado (19/02/2019): US$169.090B

P/L últimos 12 meses: 15,52

EPS (Ganhos por ação nos últimos 12 meses): US$7.31

Dividend Yield últimos 12 meses: 1.56%

ROE anualizado (2018): 22.51%

ROE HISTÓRICO VS ROE HISTÓRICO CONCORRENTES

ROE Anual Disney Comcast Corp. Time Warner Netflix Fox
2005 9,66% 2,31% 4,63% 23,27% 7,24%
2006 10,60% 6,15% 10,85% 13,95% 7,75%
2007 15,24% 6,26% 7,49% 15,40% 10,41%
2008 13,70% 6,30% -31,69% 23,45% 18,82%
2009 9,80% 8,52% 7,39% 41,78% -14,55%
2010 10,56% 8,20% 7,83% 79,90% 10,11%
2011 12,86% 8,80% 9,63% 54,84% 9,28%
2012 14,29% 12,57% 10,10% 2,42% 4,78%
2013 13,51% 13,45% 12,34% 10,05% 41,75%
2014 16,68% 15,90% 15,64% 15,95% 25,92%
2015 18,83% 15,62% 16,23% 5,86% 48,23%
2016 21,71% 16,12% 16,13% 7,56% 20,17%
2017 21,74% 33,11% 18,49% 17,24% 18,78%
2018 25,83% 16,38% 22,51%* 10,45% 15,09%

*Obs: Em Junho de 2018, a Warner foi comprada pela AT&T. Por conta disso, o ROE da Warner na tabela considera apenas o primeiro trimestre de 2018.

DISB34: EXPECTATIVAS FUTURAS

1) A Disney é uma empresa consistente, que apresenta bons resultados frequentemente aos seus acionistas. Como mostrado na tabela do ROE, diferente da Warner e da própria Fox, a Disney em mais de 10 anos não apresentou um ROE negativo.

Temos que encarar a Disney como uma empresa sólida, que não cresce absurdamente em curto prazo, mas que a longo prazo consegue manter uma consistência em seu crescimento.

Basta compararmos com a Netflix, que é uma empresa de maior capacidade de valorização de curto prazo. Em 2010, o ROE da Netflix chegou a quase 80%, mas em 2012 foi de 2,42%. Essas oscilações grandes de ROE acontecem de tempos em tempos com a Netflix, mas não acontece com a Disney.

2) A expectativa é que a Disney entrará no mercado de streaming com força, e muito possívelmente tirando da sua concorrente, a Netflix, os direitos em cima de grandes nomes, como Avengers, X-men, etc.

Isso tornará o mercado mais competitivo para a Disney.

3) A Disney tem uma força competitiva que demais empresas dificilmente conseguem ter: ela consegue participar de cada fase da vida dos seus clientes.

Desde pequeno acabamos virando consumidores das animações da Disney, e conforme crescemos, ainda temos contato com seus produtos, seja nos filmes de super-heroi, seja também nos noticiários de esporte e jornalístico.

Com isso, ela consegue também influência e introduzir a nós um pouquinho da “magia” da marca, que associamos com excelência.

Não é a toa que a taxa de retorno dos parques é de 70%.

Com isso, ela tem um tempo útil de cliente muito grande, e isso conta e muito a favor da empresa.

O que acharam da Disney, primos? Comprariam? Não comprariam? Compartilhe a sua opinião conosco nos comentários!

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Até a próxima!