Comprar ações é igual a comprar um ventilador – Entenda o porquê!

No verão de 2017 eu morava em um pequeno apartamento alugado próximo da Av. Paulista. Estava um calor desgraçado. Minha casa parecia uma estufa. Não tinha ar, não tinha ventilador e eu devia tomar quase 3 banhos por dia pra me refrescar. Não aguentei.

Lembro de ter ido a pé até um shopping próximo na época e comprar um ventilador no Ponto Frio.

Quando entrei na loja, eu não tive opção: Só existia um modelo disponível para a compra. Era feio, fraco e de uma marca “mais ou menos”.

Mas adivinhe: Comprei – sem nem olhar pro preço – e paguei 2x o que custava no inverno.

Eu sou uma pessoa estudada, “experiente” na vida e com discernimento. Ora, todo ano tem verão. Por que eu não comprei um ventilador no inverno?

As notícias mostram que o preço dos ventiladores podem custar até 5 vezes mais no verão. (GLOBO, 2014). Isso acontece por dois fatores:

Imediatismo, a tal da recompensa imediata, e o incômodo (ou a dor), que geram o senso de urgência e ação.

Um ciclo de preços no mercado de ventiladores deve ser muito próximo disso:

O ciclo costuma se repetir:

  1. Está frio, não fazemos nada – Não queremos gastar nosso dinheiro em “vão”. Simplesmente não vale a pena;
  2. Está começando a ficar quente – Não fazemos nada. Dá para aguentar;
  3. Está MUITO quente – corremos para a loja, junto com 200 milhões de brasileiros. Está caro? Compramos mesmo assim;
  4. Está frio de novo – continuamos com nosso ventilador, que hoje vale muito menos do que pagamos, e ainda depreciou.

O ciclo na hora de comprar ações

Estou no mercado financeiro há 11 anos. Ele parece que muda, mas não muda. Vou te explicar. As pessoas gostam de pagar caro. Parece contra-intuitivo? Na prática, é isso que acontece. E não é (apenas) por ignorância técnica, é por descontrole emocional falta de visão e ganância.

Temos decisões para tomar todos os dias, e a qualidade dessas decisões vai determinar o nível de sucesso que vamos atingir.

Temos decisões para tomar todos os dias: renda fixa ou renda variável? Em outras palavras: fugir do risco ou se expor ao risco?

Quando estamos com medo da indefinição políticas, expectativa da economia e mercado, fugimos do risco. Quando a economia está indo muito bem e as empresas estão crescendo, queremos nos expor ao risco.

Ora, os ventiladores ficam mais baratos quando estão “na moda”, ou quando ninguém está olhando pra eles? É óbvio – mas ainda assim, na prática a teoria é outra. Somos tomados pelo medo – de forma coletiva – não compramos o ventilador enquanto ele está barato.

As crises são sempre dolorosas, mas cíclicas.

Elas sempre acontecem da mesma forma.

 

  1. O Mercado está desacreditado – e barato;
  2. Começa a “ficar quente” – alguns poucos começam a comprar ações;
  3. Está quente demais – todos compram desesperadamente;
  4. Está frio de novo – As ações caíram, e os que compraram quando estava quente demais, vendem como se não houvesse amanhã.

É fácil ser manipulado pela mídia (as vezes não é por mal. Mas a mídia vive de audiência, não do que é melhor para nós).

Quando o mercado está bombando, é natural ver esse tipo de coisa:

 

A Bolsa de valores iniciou uma queda desenfreada depois dessa capa, que saiu em 26/05/1971.

A história nos mostra que esse não é o momento de comprar ações. O contrário também se mostrou verdade.

Em minhas palestras comparo mais de 15 capas de revista com o desfecho do mercado. Sempre errado.

Depois de ler Ray Dalio, percebi a necessidade de ter princípios para guiar a tomada de decisão.

Dentre os meus 11 princípios, esse é o mais importante no mundo dos investimentos, e se você levar contigo na hora de comprar ações, não só vai aumentar seus resultados como vai deixar de perder de dinheiro quando todos estão.

 

Ganância, Medo e Impaciência geram prejuízo.