Categoria: Renda Variável – Ações

Análise Fundamentalista – o coração de uma empresa

Você já deve ter se perguntado como um investidor de sucesso faz para definir se sua compra é de qualidade ou não. Afinal de contas, como podemos definir se uma empresa é boa, se ela é muito cara, se ela está se valorizando, ou até se tem capital para honrar suas dívidas? É claro que estou falando da Análise Fundamentalistauma excelente técnica para investimentos em ações.

É através desses tópicos que podemos investir com maior segurança. Aliás, meu caro leitor do O Primo Rico, essa estratégia não é exclusividade minha não! O maior investidor do mundo, Warren Buffet, utiliza-se dessa técnica da Análise Fundamentalista para saber dizer se uma empresa é confiável ou não. Eu diria até que o senhor Buffet vai muito além do que apenas analisar a qualidade da empresa se baseando em números. Ele estuda o currículo de seu atual gestor, seu histórico de gerência e os valores que ele pode agregar à instituição sob análise. Mas vamos deixar esses pontos para depois e nos focar no básico da análise fundamentalista.

Esse é o primeiro artigo de uma série que realizaremos aqui no O Primo Rico, dando uma pincelada por cima dos conceitos principais da análise fundamentalista, te preparando para se tornar um investidor de gabarito e capaz de criar uma carteira que faça sentido com você e com o mercado.

 

 – As raízes da Análise Fundamentalista: Está tudo nos números.

Uma curiosidade: a Análise Fundamentalista tem esse nome por uma boa razão. Ela busca estudar todos os principais fundamentos de uma empresa, através de uma série de documentos e fórmulas que nos informarão resultados concretos sob a atual situação de qualquer companhia. Obviamente que estamos lidando com companhias de capital aberto e inseridas na Bolsa de Valores, caso contrário, não teríamos acesso aos dados necessários para a nossa análise.

“Mas então como eu consigo todas essas informações? Que tipo de documento pode nos dar uma valor X que vai me dizer ‘Invista’ ou ‘Não Invista’?” É claro que não é tão simples. O resultado que vamos obter é completamente interpretativo. No entanto, como podemos aplicar a Análise Fundamentalista em qualquer empresa, teremos então um critério de comparação que nos auxiliará em nossa tomada de decisão.

Deixe-me dar um exemplo, através de uma pergunta retórica: Por que, em uma sala de aula, o professor aplica uma prova? O professor tem o objetivo de ensinar certo conteúdo a seus alunos e caso estes não demonstrem ter absorvido o conhecimento devem repetir o ano. Para dizer se um aluno aprendeu ou não, o professor aplica uma prova, cuja nota máxima é 10. Trazendo para o nosso caso, a Análise Fundamentalista dá uma nota para as empresas, nota essa que pode ser comparada com outras instituições e que podem seguir o nosso critério e o nosso apetite ao risco. No meu caso sou moderado, sendo assim invisto apenas em empresas “nota 7,5” (por exemplo).

 – Uma fonte que nunca seca – Os documentos da Análise Fundamentalista.

Vamos agora ver de onde tiramos todos esses dados e todos esses valores. Quanto as contas vamos deixar para outro artigo, não se preocupe. Considere este apenas o primeiro passo de um longo caminho que vamos trilhar juntos, para desvendar as empresas listadas na bolsa de valores.

Um dos principais documentos que necessitamos para realizar uma análise fundamentalista mais apurada de qualquer empresa é o Balanço Patrimonial. Esse demonstrativo financeiro é responsável por nos mostrar dados extremamente relevantes das companhias, como o seu patrimônio líquido, as suas compras, os seus investimentos, o caixa disponível, etc e etc.

Ou seja, através do balanço temos a “foto” da situação da empresa nesse momento. Podemos ver logo de cara se ela está endividada e caso esteja, se ele pode arcar com essa dívida. É possível analisar também a qualidade dos ativos da empresa e dos passivos resultantes dessas aplicações… erm, está ficando complicado.

Como o Balanço Patrimonial é estruturado: Basicamente, cada linha do balanço é uma movimentação financeira ou um bem pertencente à companhia. Essa movimentação pode ser colocada em uma de duas colunas, a coluna de ativos e a de passivos. Entenda os ativos como os recursos que a empresa tem para desempenhar suas atividades, então desse lado (esquerdo) temos o estoque da empresa, o caixa, os ativos circulantes, os realizáveis e os de longo prazo. Temos também os direitos de recebíveis da empresa, como por exemplo empréstimos da qual ela é a beneficiária, vendas a prazo, recebíveis de todos os tipos e etc.

Já, do lado direito, temos o passivo e o patrimônio líquido. O passivo nada mais é do que as obrigações da empresa. Toda compra que ela realiza, cada aquisição de um novo imóvel, aumento de estoque, aumento de caixa, etc. deve resultar em uma entrada de um passivo. Por exemplo, se a empresa comprar um imóvel, teremos uma entrada nos ativos declarando que o imóvel foi adquirido e que vale X. Do outro lado, no lado do passivo, teremos uma descrição de uma dívida para com uma imobiliária, com valor equivalente a X também. Perceba então que para cada valor encontrado no lado dos ativos, temos um valor similar no lado dos passivos. São as origens de cada bem da empresa. Podemos assim, ter a ideia de como a companhia está gerindo seus recursos e assim, saber se ela tem como honrar suas dívidas ou sustentar sua operação e estrutura, pelo menos no curto prazo.

No lado do passivo temos também um campo a parte, denominado de Patrimônio Líquido. Como estamos falando de ações aqui e de análise fundamentalista, é extremamente importante prestarmos atenção nesse campo, uma vez que ele representa as obrigações da empresa para com seus acionistas. Mais sobre isso, você pode conferir em nosso artigo específico sobre balanço patrimonial. No futuro, iremos discorrer sobre como podemos analisar todo o balanço em prol de uma decisão sobre a qualidade de investimento de uma empresa listada em bolsa.

 

 – Ouvindo a batida do coração – Analisando o demonstrativo de resultados.

O próximo documento que é relevante para você, futuro analista de fundamentos, é o Demonstrativo de Resultados. Ao passo que o balanço da empresa nos mostra uma foto momentânea, tempo corrido é tudo para o demonstrativo. Ele é quem nos dirá como o dinheiro entra e sai da empresa, levando em consideração apenas a sua atividade principal e os custos atrelados à ela.

Temos aqui então que definir um período de atividade para analisarmos. É muito comum diversas empresas americanas trabalharem em quartis (trimestres). É um período curto o suficiente para termos uma média e longo o suficiente para que nenhum desvio padrão afete muito o resultado. É óbvio que podemos (e muitas vezes até devemos) analisar o mês a mês, mas dificilmente ele nos revelará se a empresa tem uma certa constância em seus resultados ou não. Pense assim, se ela dá lucro no final de cada trimestre de sua operação, então ela aparenta ser estável para um investimento à médio prazo, mas se analisarmos sua situação mensal, podemos perceber que ela é extremamente volátil e instável, o que pode ser prejudicial para uma carteira de curto prazo.

Uma análise fundamentalista do demonstrativo, também pode nos indicar a sazonalidade de um negócio, indicando o momento de alta ou baixa de uma ativo. Pode nos mostrar se algum fator macroeconômico (como dólar, ou valorização de commodities) pode ter algum efeito sobre o resultado de uma empresa, nos conferindo uma capacidade de previsibilidade da flutuação de uma ação, ou até uma perspectiva de um cenário de longo prazo.

Quais os itens do demonstrativo:

  • Receita da operação (Rop): venda do produto principal, sem levar em conta outros ativos vendidos.
  • Custos da operação (Cop): Por exemplo custos de produção, energia, transporte, distribuição e por aí vai.
  • Custos administrativos (Cadm): Não vinculados a produção direta. Vendas, funcionários, marketing, e vai.
  • Despesas financeiras (Df): Caso a empresa tome empréstimos, ela agora deve juros.
  • Resultado Operacional (Ro): É o resultado de todas as somas e subtrações descritas acima. (Rop-Cop-Cadm-Df=Ro)
  • Resultado não-operacional (Rno): É o que entrou da venda de ativos, ou seja, receita que não tem a ver com a venda do produto principal da empresa.
  • Lucro/Prejuízo antes do imposto (Ebitda): Aqui vemos o caminho final. Vou explicar mais a frente esse ponto, devido a sua importância.
  • Impostos e contribuições: “Patrocínio” do governo.
  • Lucro líquido: O que sobrou. Ele tem uma importância muito grande para a empresa, afinal ele não é apenas o “salário” dos acionistas e empresários, ele representa a capacidade que a empresa tem de gerar capital para ser reinvestido e crescer futuramente.

 

 – Ebitda positivo – Uma empresa a se investir?

Qual a finalidade da análise fundamentalista? Basicamente é nos dizer se uma empresa é saudável, ou não, certo? Isso, e o que o Ebitda nos diz?

Vimos que ele é calculado levando em consideração todo o custo operacional da companhia, sua receita e a receita de certos ativos. Sendo assim ele tem relação direta com o foco principal da empresa, a produção e venda de um produto, ou a prestação de um serviço. Se a empresa tem a capacidade de dar lucro já é certeza de que ela é boa para se colocar capital, correto? Errado!

Não é a toa que analisamos uma extensa gama de demonstrativos durante a análise fundamentalista, pois cada um tem um ponto a ser levado em consideração. É muito positivo vermos uma empresa com Ebitda positivo, mas raramente é algo que pode nos dizer sozinho se a empresa é compra. Vou explicar através de um exemplo.

Durante todo o ano de 2014, vimos a Gol Linhas Aéreas sofrer duramente com o cenário interno e externo. Ela penava na mão da Infraero e ainda estava se adaptando com sua nova gestão interna e diversos novos conceitos administrativos que ela deveria absorver se quisesse sobreviver às mudanças de mercado e a crise que estava por vir no Brasil. Ela fechou o ano de 2013 com um prejuízo bem grande, mas seu balanço mostrava uma boa saúde financeira, sendo ela capaz de pagar suas dívidas e manter a sua operação de uma maneira forte. Foi então que em 2014 a coisa começou a ir para o brejo. Tendo sua operação fundamentada em dólar, a desvalorização cambial que o Brasil começou a sofrer fez com que o mercado repensasse sobre a companhia e suas ações caíssem de R$ 14 para míseros R$ 4. O que a Gol poderia fazer?

Mesmo frente a esse cenário, a gestão não demonstrou fraqueza. Ela continuou impondo resistência às mudanças que fariam com que outras empresas de mesmo ramo fechasse às portas e continuou com certas medidas administrativas agressivas, visando tomar mais espaço de mercado ao mesmo tempo em que ela diminuía seus custos. Seus resultados ao longo de todo 2014 foram de prejuízo minguante, mas constante, ao passo que seu Ebitda se mantinha positivo. Isso indicava aos investidores que a empresa tinha sim muita responsabilidade em sua administração e que a causa de seus prejuízo era externa.

 

 – Pare por aqui e reflita.

Parabéns leitor! Se você me acompanhou até aqui então você deu seus primeiros passos em direção à um novo mundo de investimentos. Temos sempre que lembrar a importância de tomarmos movimentos pensados, quando o assunto é investimento, não importa o quão arrojado você seja. A análise fundamentalista é uma ferramenta extremamente útil nesse cenário, podendo conferir segurança ao investidor mais desatento.

Caso você não se considere um analista propriamente dito, vale a pena estudar o método para entrar em contato com um profissional do meio que fará a análise por você. Assim, estando em sintonia com seu assessor/consultor, tenho certeza de que ambos terão uma qualidade de vida muito melhor.

Fique ligado para mais artigos aqui no O Primo Rico, aonde trataremos do investimento em renda variável e mais métodos de análise.

Ficamos por aqui e bons investimentos!

Aplicando a Análise Fundamental de Empresas

Hei você aí, é você mesmo, assíduo leitor do O Primo Rico. Neste artigo nós vimos alguns documentos indispensáveis para realizar a análise fundamentalista de uma empresa. Hoje você vai descobrir quais lições podemos tirar de todos os documentos que levantamos e saberá como realizar a análise fundamental de empresas.

Tenha em mente que esses artigos são voltados para o mercado de renda variável e para a compra de ações, mas se você é um empresário ou pretende se tornar um investidor anjo ou de venture capital, você também pode aplicar a maioria desses conhecimentos em suas atividades, uma vez que as características das empresas que levantaremos nessa análise, podem e devem ser consideradas para avaliarmos a saúde do negócio e sua viabilidade em prazos variados.

No entanto, um acionista muitas vezes pode ser preocupar apenas em prever a direção que um negócio irá tomar, seja ele positivo ou negativo, focando lucro em curto, médio ou longo prazo. Vamos ao negócio.

Antes de iniciarmos, confira esse outro artigo direto no nosso blog e aprenda a investir utilizando-se das técnicas da análise gráfica de ações. Recomendamos que você leia também o nosso guia completo para iniciantes em ações e aprenda os termos técnicos para se guiar nesse meio.

 

O fluxo do dinheiro – Os indicadores operacionais para uma boa análise fundamental.

Pode ser verdade que o dinheiro não traga felicidade, mas quando estamos falando de empresas e resultados, ele certamente garante uma boa dose de conforto. Assim sendo, vamos ver como podemos tirar esse nosso conforto dos Demonstrativos de Resultado. A análise fundamental de empresas não é uma ciência exata, pois podemos nos deparar com um resultado negativo em uma ponta, mas termos uma interpretação diferenciada dos métodos de cada companhia. Mais sobre isso logo a frente.

  • Margem Operacional

Esse indicador nos mostra o quanto cada real que a empresa emprega em seu negócio retornou no fim da cadeia de operação. Compreenda operação como a atividade principal da empresa, seja a venda de um bem ou a prestação de um serviço. Um exemplo seria uma empresa que gastou R$ 100.000,00 na aquisição de máquinas, no pagamento de contas de energia, na distribuição de seu produto… até sua venda final, que retornou uma receita de R$ 1.000.000,00. Dividindo um pelo outro, temos que a margem operacional da empresa é de R$ 10,00 para cada R$ 1,00 gasto, ou seja uma margem de 10%.

Através desse indicador temos como projetar um resultado futuro. Se sabemos que a empresa lucrou X em um dado período e tem a pretensão de investir esse mesmo X em produção futuramente, podemos estimar o retorno que isso trará.

É óbvio dizer que nada é tão simples e a relação não é tão direta, afinal seria como se tivéssemos uma máquina de dinheiro, aonde basta injetar capital para que ele cuspa mais. Ainda sofremos a ação de fatores externos à capacidade produtiva e de escoamento da empresa, como a demanda, fatores governamentais, concorrência e por aí vai.

 

  • Margem Ebitda

Não vou me prolongar aqui, uma vez que a Margem Operacional e a Ebitda levam em consideração os mesmos fatores. A única diferença é que a Ebitda não considera as despesas financeiras e a depreciação de maquinário e outros bens. Sendo assim ela serve melhor para uma análise de caixa, tendo mais utilidade para uma análise contábil do que operacional.

 

  • Margem Líquida (ou o que sobrou)

Novamente semelhante a operacional, mas aqui já deduzimos impostos e outras despesas de depreciação e financeiras. É importante separarmos a margem nesses três grupos, uma vez que isso facilita na análise fundamental de empresas. No caso, se tivermos uma margem Ebitda de 10%, mas uma margem líquida de apenas 5% (ou até negativa), sabemos que a empresa está sofrendo demais com a coleta de impostos e pode ter sérios problemas em se manter a um médio prazo.

 

  • Retorno Sobre Patrimônio

Especialmente importante para o investidor em ações, o retorno sobre patrimônio nos mostra o quanto o patrimônio líquido dos investidores foi relevante para uma empresa. Ele é calculado dividindo o lucro líquido sobre o patrimônio líquido da empresa. Temos assim uma ideia aproximada do quão relevante para a empresa foi o investimento.

 

Na mão dos outros – Indicadores da estrutura de capital.

Acabamos de ver a capacidade de uma empresa de gerar retorno e qual o retorno sobre cada etapa de sua estrutura contábil, mas agora falta analisarmos se essa companhia está andando com as próprias pernas ou se ela se encontra vulnerável frente a investimentos de terceiros.

Normalmente a margem líquida já nos dá uma boa ideia da capacidade da empresa de gerar lucro e honrar suas dívidas, mas precisamos ver qual parte dessa dívida é visando sua operação principal, ou para pagar empréstimos de parceiros e fornecedores. Para isso devemos olhar diretamente para a parte dos passivos do balanço patrimonial e calcular a relevância da divida de terceiros sobre a parte de patrimônio líquido. Pense bem, o que é mais saudável para uma empresa, ter um patrimônio líquido maior do que o passivo, ou o inverso? A resposta é clara. O patrimônio líquido deve ser considerado como um investimento partido de pessoas que estão interessadas em ver o negócio ir longe, ou seja, é um investimento a longo prazo. Já, o passivo é um investimento de curto a médio prazo, sendo realizado por empresas que prestam serviços, por imobiliárias, por empresas de maquinários, serviços logísticos, etc.

O índice que estamos buscando aqui é o Endividamento Total, dividido pelo Patrimônio líquido. Novamente, esse índice é interpretativo e não pode ser considerado sozinho, sem relação com outros aspectos da empresa. Quanto maior esse índice, mais a empresa tem autonomia. Deixe-me colocar isso em perspectiva com um exemplo: Digamos que a empresa A tenha baixa autonomia, ou seja, seu patrimônio líquido corresponde à uma parte pequena de seu passivo. Nos últimos meses ela vem demonstrando uma margem líquida extremamente confortável, resultando em um aumento gradual de seu PL, devido ao ganho de confiança em seus negócios. Nesse caso podemos dizer que a sua falta de autonomia não está afetando sua atratividade para os investidores.

Por fim temos também que levar em consideração a capacidade da empresa em cobrir os seus juros. Isto é, sem comprometer a sua formação de caixa. O caixa de uma empresa é quase como um indicador por si só. Pelo menos para o curto prazo. Afinal de contas, você não confiaria um empréstimo a um amigo que é muito rico, mas está sem dinheiro no bolso no momento? Pensando por aí, uma empresa que consegue pagar os juros de seus financiamentos, sem comprometer a formação de caixa, deve ser considerada como uma empresa saudável. Aqui não temos interpretação, caixa = bom!

O último ponto a ser realizado na análise fundamental de empresas é o quanto a empresa tem a receber. Nem toda venda é contabilizada imediatamente. Voltando ao balanço patrimonial e olhando no lado de ativos, devemos fazer uma conta para dizer o quanto do capital que temos em ativos é ainda devido de terceiros. Caso a empresa tenha uma porcentagem muito alta de ativos representada na forma de ativos a receber, devemos levantar a sobrancelha. Podemos ver isso positivamente? Claro. Afinal devemos pensar que esse dinheiro está para entrar e será utilizado para a formação de caixa e para investimentos na operação. No entanto, se isso for uma constante para a empresa, podemos estar lidando com uma ameaça ao negócio. Imagine que a empresa tenha um mês fraco e muitas das vendas foram a prazo. Ter baixa liquidez em seus ativos é extremamente negativo aqui. É possível que a empresa tenha que recorrer a empréstimos para exercer o seu próximo mês.

 

Pare e reflita.

Parabéns por chegar ao final de mais um artigo do O Primo Rico. A análise fundamentalista e muito importante para qualquer análise fundamental de empresas que fazemos, ao estruturar um investimento. Não podemos deixar que isso seja algo leviano e nos guiar por achismos ou confiança em fatores que pouco nos dizem.

Lembre-se sempre de conferir se o seu assessor ou consultor tem em dia a análise fundamental das empresas que constam em sua carteira de investimentos, ou se suas sugestões estão bem baseadas em dados factuais e não apenas expectativas infundadas.

Fique conosco para mais artigos que revelarão cada vez mais sobre as diversas facetas da análise fundamental e sobre cada documento contido no espectro contábil de uma organização.

Então boa análise e bons investimentos!

Análise Gráfica de Ações – indicadores de Médio Prazo

Você já aprendeu sobre Análise Gráfica de ações no primeiro artigo da série e pode ver como os preços das ações são definidos, o principal modelo de gráfico e quais são os indicadores mais relevantes utilizados para desenvolver as análises técnicas.

 

No segundo artigo, demos destaque para os indicadores que facilitam a identificação das melhores tendências de compra e venda no curto prazo.

 

Continuando nossa série de textos sobre Análise Técnica de ações, veremos o que se entende por operações de médio prazo e os indicadores que vão te ajudar a operar nesse caso: topos e fundos, médias móveis e o indicador acumulação/distribuição.

 

Entendendo o que é Médio Prazo

 

A análise técnica de ações oferece as informações necessárias para que você possa identificar quais operações valem a pena investir no médio prazo e consiga ter bons resultados. As operações consideradas de médio prazo duram entre 5 a 90 dias e, se comparadas às de curto prazo, exigem menos tempo por dia do investidor. Entretanto, a dedicação deve ser a mesma. Eis o princípio básico deste tipo de aplicação: é preciso ter paciência e sangue frio para respeitar o tempo de evolução das operações!

 

Indicadores de Médio Prazo

 

Para operações de médio prazo existem três indicadores que se destacam. As informações apresentadas por eles, aliadas a uma boa estratégia de investimento, poderão te ajudar a aumentar suas oportunidades de ganho. Veja, então, quais são os indicadores e suas aplicações:

 

1) Topos e Fundos

 

Uma ação nunca se movimenta em linha reta no gráfico, ela sempre varia. E é justamente nessa variação que residem os topos e fundos. Eles nos ajudam a identificar a tendência principal na movimentação de um papel específico.

 

Quando a tendência é de alta, os topos e fundos são formados em patamares cada vez mais altos. Já quando a tendência principal é de baixa, a variação se dá em patamares cada vez mais baixos. Essa visualização é fundamental para a definição da estratégia do investidor, uma vez que a tendência principal da ação influencia na compreensão de diversos outros indicadores.

 

Perceba que no exemplo de gráfico abaixo fica nítida a tendência de alta já que os topos e fundos estão em movimento ascendente.

topos-e-fundos-tendencia-de-alta

 

 

 

2) Médias móveis

 

Utilizado para apontar a oscilação dos preços no mercado de ações, esse indicador é chamado de “móvel” porque os valores de cálculo mudam constantemente. Para indicar a tendência atual de alta, de neutra ou de baixa, são usadas médias móveis de dois períodos: uma de 9 dias e uma de 21 dias. Dessa forma, a cada novo período, o cálculo é atualizado com o valor mais recente.

 

No gráfico abaixo, por exemplo, é possível ver que duas linhas paralelas. A linha verde representa a média móvel dos últimos 9 dias e a vermelha representa a média dos últimos 21 dias.

medias-moveis

 

3) Acumulação/distribuição

 

Para estimar o volume financeiro de acordo com as oscilações de mercado, utiliza-se o indicador acumulação/distribuição. Essa comparação permite que o investidor veja se o volume está maior nas altas de mercado ou nas baixas.

Se falamos em uma tendência de alta, significa que o mercado está subindo com volume financeiro alto e caindo com volume baixo. Essa desigualdade entre o número de compradores e de vendedores acontece por causa do posicionamento dos grandes investidores, já que eles são responsáveis por grande parte do volume financeiro operado na bolsa de valores.

O indicador acumulação/distribuição nos dá a informação ao demonstrar que está ascendente (veja no gráfico a seguir). Nesses casos, a quantidade de compradores é maior e indica que os grandes investidores estão comprando determinada ação apostando em sua alta.

acumulacao-distribuicao-ascendente

Quando está descendente (como no exemplo abaixo), o indicador normalmente mostra que o grupo de vendedores é numericamente superior. Ou seja, os grandes investidores estão vendendo uma ação acreditando em sua baixa.

acumulacao-distribuicao-descendente

 

Conclusão

 

Aprender a ler e interpretar dados analíticos é, definitivamente, um diferencial para quem pretende investir. Contudo, as informações devem ser utilizadas atreladas a uma estratégia de investimento com foco no seu objetivo.

 

Os indicadores que apresentamos são ótimos para quem quer investir no médio prazo, pois ponderam as melhores oportunidades de operações com duração de 5 a 90 dias. É muito importante ter noção de como analisar gráficos e saber os principais indicadores para poder investir com foco e visão estratégica e, assim, evitar riscos desnecessários.

 

Agora que você já aprendeu sobre Análise Gráfica de ações e tem noção de quais são os principais indicadores para demonstrar tendências de curto e médio prazo, você tem uma noção melhor de como investir a partir de dados e pode operar com mais segurança.
Curtiu da nossa série de posts, mas ficou alguma dúvida? Sem problemas! Pergunte aqui nos comentários.

Análise Gráfica de Ações – indicadores de Day Trade e Curto Prazo

  • No primeiro artigo dessa série, nós apresentamos para você uma visão geral sobre o que é e como funciona a Análise Gráfica de Ações. Falamos sobre como o preço das ações é formado, a importância da Análise e também citamos os principais indicadores considerados por investidores na tomada de decisão.

 

Na segunda parte desse material focaremos nos indicadores de Day Trade e Curto Prazo, fundamentais para quem quer entender melhor como aplicar na Bolsa de Valores!

 

Mas, antes de entrarmos nos detalhes técnicos é muito importante que você entenda o que é são Day Trade e Curto Prazo, quais operações são feitas nesses modelos de investimento e porque eles apresentam grandes possibilidades de ganho.

 

O que é Day Trade

 

Essa é uma das modalidades mais emocionantes de investimento. São operações realizadas em um mesmo dia, cujos resultados acontecem a partir da volatilidade das ações em períodos curtíssimos de tempo, como horas e até mesmo minutos. E é justamente essa característica que faz do Day Trade um modelo extremamente atrativo para quem deseja aumentar o seu capital.

 

Como as movimentações de compra e venda acontecem muito rapidamente, o investidor pode realizar muitas operações em um mesmo dia, aumentando as chances de lucro. Um ponto importante que deve ser observado por quem deseja focar nesse modelo de investimento é que, as possibilidades de ganho são superiores aos investimentos de renda fixa, mas também possui o risco característico de investimentos em renda variável.

 

Entendendo o que é Curto Prazo

 

Chamamos “Curto Prazo” todas as operações na Bolsa de Valores que duram de 1 a 5 dias. Também conhecidas como Swing-Trade, essas movimentações são ideais para quem pode se dedicar ao menos uma vez ao dia ao mercado de ações. Dois pontos principais justificam seu excelente nível de rentabilidade:

 

– Agilidade: na mesma medida em que oferecem tempo de reação, apresentam grande agilidade nos investimentos, o que possibilita ao investidor lucrar com a volatilidade do mercado;

 

– Stop Loss: ferramenta que permite ao investidor ter as rédeas dos objetivos em sua mão, evitando que seus investimentos estejam à mercê do destino ou da sorte.

 

Indicadores de Curto Prazo

 

Agora que você já entendeu melhor o conceito de curto prazo, vamos aos indicadores. Como explicamos no primeiro post, um bom investidor não toma como referência apenas um indicador, mas sim o contexto geral apresentado pelo maior número de informações possível. Por isso, dedique tempo aos estudos e aumente suas chances de ganho! Vamos lá:

 

1) Suporte e Resistência

 

O suporte é uma representação gráfica do ponto onde, em geral, as ações em queda param de cair e começam a subir. Quanto mais a ação atingir esse patamar e voltar a subir, mais confiável é o suporte.

 

Esse ponto representa, na maioria das vezes, uma excelente oportunidade de compra. Ele é representado no gráfico de ações através de uma linha horizontal que marca de forma nítida o preço de suporte.

suporte-ponto-de-compra

 

Essa movimentação acontece com base na premissa de que se o preço de uma ação voltou a subir repetidas vezes quando atingiu o suporte é porque provavelmente existe uma grande demanda pelos papéis naquele valor.

 

Já a resistência tem a mesma premissa, mas na situação inversa. Ela também é representada por uma linha horizontal que determina o ponto onde, historicamente, as ações de uma determinada empresa geralmente param de subir e voltaram a cair. Quanto mais a ação chegar a esse patamar e voltar a cair, mais confiável a resistência.

 

O momento em que os papéis atingem a resistência pode indicar uma boa hora de o investidor se desfazer dessas ações.

resistencias-ponto-de-venda

 

2) Índice de Força Relativa (IFR)

 

Na imagem abaixo é possível ver uma linha dourada que varia bastante. Esse é o Índice de Força Relativa (IFR) que, de maneira resumida, ilustra o volume de dinheiro investido na ação em um determinado momento. Esse dado demonstra a atuação das forças compradoras e vendedoras.

ifr

 

O índice varia de zero a cem. Quando o IFR é maior que 95, a força compradora está perdendo fôlego e a ação tende a cair no curto prazo antes de seguir a tendência principal de alta. Quando ele é menor do que 5, a força vendedora está enfraquecendo e é possível que a ação suba antes de seguir a tendência principal de queda.

 

3) Bandas de Bollinger

 

Os preços das ações quase sempre respeitam um limite na sua volatilidade. A função das Bandas de Bollinger é justamente identificar os limites de alta e baixa em cada papel para auxiliar os investidores a identificar oportunidades de compra e venda. Elas são representadas por uma sombra cinza, conforme ilustrado no gráfico abaixo.

bandas-de-bollinger

 

Fica mais fácil entender esse conceito com um exemplo:

 

Vamos supor que o preço de uma determinada ação oscila, na maior parte do tempo, entre R$22 e R$50. Caso ela chegue a R$20 em um determinado momento, o cenário mais provável é que ela retorne para dentro da faixa observada nos últimos 20 dias, ou seja, entre R$22 e R$50.

 

4) Volume Financeiro

 

Como falamos no primeiro artigo dessa série, o preço das ações é formado pela interação das forças compradoras e vendedoras. Ou seja, é a partir das movimentações dos investidores que o valor de uma determinada ação será alterado, para mais (em caso de alta) ou para menos (em caso de baixa).

 

O Volume Financeiro é o indicador que ilustra a quantidade de dinheiro que foi negociado em um determinado período. Se dez milhões de ações foram negociadas a R$10, por exemplo, o Volume Financeiro seria equivalente a R$100 milhões.

 

Ele pode ser ilustrado por um gráfico de barras (como na imagem abaixo) e seu principal objetivo é apresentar a consistência de uma determinada tendência, ajudando os investidores a detectar oportunidades de compra e venda.

volume-financeiro

 

Suponhamos que uma ação rompeu uma resistência, mas apresenta Volume Financeiro baixo. Nesse caso é possível afirmar que a tendência de alta não é tão consistente. Se, por outro lado, esse mesmo cenário apresenta um volume financeiro maior, a consistência da tendência é maior e a probabilidade é que a ação continue subindo.

 

Conclusão

 

Através desses indicadores é possível detectar as melhores oportunidades de compra e venda de ações no curto prazo. Para definir bem como investir dinheiro é importante embasar suas decisões no maior número de informações possíveis, diminuindo as chances de interpretações equívocas e aumentando consideravelmente as possibilidades de ganho.

 

Fique ligado! Já lançamos a terceira e última parte dessa série sobre Análise Gráfica de Ações, explicando cada um dos indicadores de médio prazo (5 a 90 dias)!

 

Lembre-se de deixar um comentário caso tenha ficado com alguma dúvida!

Introdução à Análise Gráfica de Ações

A Bolsa de Valores possui uma linguagem própria. Se você acompanha as notícias de economia certamente já se deparou com uma série de palavras, termos e gráficos específicos dessa área. Dominar alguns conceitos principais como, por exemplo, o que é Análise Gráfica de Ações, pode ser fundamental para obter os melhores resultados em seus investimentos.

 

Os principais fatores acompanhados diariamente por investidores estão dentro dessa análise, que também é conhecida como Análise Técnica de ações. Através do estudo de diferentes dados relativos ao mercado é possível observar tendências, variações e também detectar oportunidades de investimento.

 

Nesse post explicaremos de maneira geral os principais aspectos relativos à essa análise, abordaremos alguns dos indicadores importantes e falaremos sobre como identificar tendência analisando esses dados. Continue lendo e lembre-se de deixar um comentário caso tenha alguma dúvida!

 

Como é formado o preço das ações?

 

Antes de entrarmos nos indicadores que compõe a Análise Gráfica é importante que você entenda como é formado o preço das ações. Ao contrário do que muita gente pensa, o que forma o valor dos papéis não é a situação macroeconômica do país ou as notícias, mas sim a maneira como compradores e vendedores reagem a esses fatos na tomada de decisões.

 

Nesse sentido, o preço das ações é formado pela interação entre compradores e vendedores. Essa relação entre as forças de compra e venda determinam o valor dos papeis e sua variação muda de acordo com as alteração nesses fatores. E é exatamente nessa hora que a Análise Gráfica se torna muito importante.

 

Ela considera justamente essa disputa entre vendedores e compradores, buscando entender qual é o lado mais forte para oferecer ao investidor a possibilidade de fazer as melhores escolhas. Essa análise também permite que o investidor tenha poder de reação caso as coisas não saiam como esperado.

 

O gráfico de ações

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A melhor maneira de observar essa disputa entre compradores e vendedores é através do gráfico de ações. Ele funciona como uma janela que exibe a variação do preço das ações em um determinado período de tempo e considera fatores relevantes na detecção de tendências de comportamento.

 

Existem diversos tipos de gráfico e, além disso, cada investidor pode considerar determinados indicadores de acordo com suas estratégias de investimento. Falaremos mais sobre os principais indicadores e suas funções ao longo desse artigo.

 

O gráfico de candles (ou gráfico de velas) é um dos mais utilizados. Cada candle apresenta o máximo de informações possível sobre a variação do preço de uma ação em um determinado intervalo de tempo, que pode ser em minutos, horas ou até dias, de acordo com o período utilizado no gráfico.

candles

 

Existem dois tipos de candle, os de alta (verdes) e os de baixa (vermelhos). Considerando os candles diários, nos de alta o preço de fechamento (última negociação daquele papel no dia) foi superior ao da abertura de mercado. Já no de baixa o último preço foi inferior ao de abertura. Se uma determinada ação começou o dia valendo R$7,00, por exemplo, e fechou o dia custando R$8,00, o candle que a representa naquele dia será o de alta.

 

Principais indicadores da Análise Gráfica

 

Para que você entenda melhor os dados que compõe a Análise Gráfica e entenda melhor como investir na Bolsa de Valores, vamos passar brevemente por cada um dos principais indicadores. Mas, lembre-se de uma dica muito importante: conhecimento vale ouro. Por isso, acompanhe as próximas publicações e aprenda cada vez mais sobre esse tema!

 

Principais indicadores de curto prazo (operações de 1 a 5 dias)

 

  • Suporte e Resistência – representam os patamares mais baixos e altos, respectivamente, que constituem pontos onde as ações tendem a cair ou subir;
  • Índice de Força Relativa (IFR) – considera as forças compradoras e vendedoras para ilustrar o fôlego de uma ação. É medido de 0 a 100 e sua análise pode ajudar a indicar oportunidades de curto prazo;
  • Bandas de Bollinger – levam em conta a movimentação média de uma ação, de acordo com o histórico de variação de um determinado papel;
  • Volume Financeiro – indica a quantidade de dinheiro negociada em um determinado período. Quanto maior o volume, maior a consistência da movimentação apresentada;

 

Principais indicadores de médio prazo (5 a 90 dias)

 

  • Médias Móveis – considera um período de tempo (normalmente 9 ou 21 dias) para ilustrar a tendência de uma ação. A denominação “móvel” se dá porque a cada novo período os valores mais antigos são substituídos pelos mais novos;
  • Topos e Fundos – indica a tendência de uma ação de acordo com a movimentação do seu preço em um período de tempo. Se a tendência é de alta, os topos e fundos no gráfico são ascendentes. Se é de baixa, os topos e fundos são descendentes;
  • Acumulação/Distribuição – esse indicador pondera o volume financeiro com as oscilações de mercado e indica se o volume está maior nas altas ou baixas.

 

Conclusão

 

Nesse artigo iniciamos nossa abordagem à Análise Gráfica de ações. Você entendeu como os preços das ações são formados, como funciona o principal modelo de gráfico de ações e também viu os principais indicadores que compõe o coração desse modelo de análise.

 

No próximo artigo dessa série abordaremos detalhadamente cada um dos indicadores citados acima. Um bom investidor não se baseia apenas em um deles, mas sim no contexto geral apresentado pelo maior número de dados possível. Justamente por isso, entendê-los é fundamental!

 

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