Mês: novembro 2017

Planejamento sucessório: o que é e como fazer

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Falar de morte não é algo que gostamos de fazer, certo? Mesmo assim, é algo inevitável. E existem algumas questões que devem ser tratadas antes que ela aconteça, como o planejamento sucessório de bens para os membros da família, pessoas queridas ou até empresas.

Processos de inventários podem ser complicados, longos e caros para as pessoas envolvidas. Por isso, mesmo se você possui poucos patrimônios e uma família pequena, é importante fazer o seu planejamento sucessório.

Sem contar que, enquanto o processo é avaliado, algumas pessoas podem, simplesmente, ficar desamparadas. Algo facilmente evitado com um bom planejamento para a partilha de bens. Pensando nisso, neste post veremos as principais informações sobre planejamento sucessório. Confira:

O que é planejamento sucessório?

O planejamento sucessório é o ato de registrar, de forma legal, como será feita a transferência dos seus bens após a sua morte.

Existem diferentes formas de fazê-lo, mas o indicado é que qualquer pessoa, por menor que seja o seu patrimônio, realize o processo a fim de evitar problemas e confusão na hora da partilha entre os seus entes.

Legislação Brasileira

Segundo a legislação brasileira, os direitos sucessórios são divididos em duas partes, a herança legítima e a quota disponível.

A primeira é referente a 50% do valor de todo o patrimônio de uma pessoa, destinados a seus herdeiros necessários, ou seja:

  • seus descendentes (filhos);
  • ascendentes (pais), quando não há filhos;
  • e o cônjuge, em caso de casamentos em regime de comunhão parcial e da separação eletiva de bens.

Já a quota disponível representa os outros 50% do patrimônio do falecido, que pode ser disposta conforme a sua vontade, sendo destinada como ele bem entender. Essa quota pode ser destinada a pessoas, entes queridos, entidades de caridade ou mesmo animais.

Por que é importante fazê-lo?

Além de garantir que os seus bens sejam transferidos para as pessoas e entidades do seu desejo, você também evita que essas pessoas tenham que passar por um processo longo e custoso. Afinal, sabemos que disputas familiares podem criar problemas entre seus membros, além dos custos enormes.

Outra razão para fazer o seu planejamento sucessório é que essa é uma forma de evitar o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), colocado sobre patrimônios doados em caso de morte.

Atualmente, a alíquota varia conforme o estado aplicado. Mas há um Projeto de Emenda Constitucional sendo discutido que pretende elevar o teto desse valor para 27,5% — ou seja, mais de 1/4 do valor do patrimônio será destinado ao Estado.

E vale frisar que, para evitar o ITCMD, é necessário fazer o planejamento por meio de um plano de previdência privada, na categoria VGBL, ou doações ainda em vida, dentro de um limite estipulado pelo estado de residência. As demais formas de planejamento sucessório recebem a aplicação do imposto.

Quais são as formas de fazer um planejamento sucessório?

1. Testamento

O instrumento mais comum para fazer o planejamento sucessório é o testamento. Nele, o testador pode distribuir os seus bens e beneficiar quem desejar, da forma que achar mais justa ou interessante.

Para entender melhor como ele funciona, suponha que um homem possui 4 imóveis como patrimônio, sendo casado em comunhão parcial de bens e tendo uma filha, a quem quer favorecer ao morrer.

Usando o testamento, ele pode destinar 50% de seus bens a ela, usando sua quota livre. Assim, ela terá direito a 3 imóveis: 2 pela quota livre e 1 pela herança legítima. Já sem a presença de um testamento, a filha receberia apenas 2 imóveis, uma vez que teria os mesmos direitos que a esposa.

O testamento pode ser feito de forma pública, indo a um cartório acompanhado de duas testemunhas, ou privada, por meio de um advogado particular.

2. Holding familiar

Outra forma de fazer o seu planejamento sucessório se dá por meio de uma holding familiar. Ela funciona como uma empresa que detém todos os patrimônios dos membros de um grupo, normalmente uma família.

Essa criação da holding assegura a transferência de bens entre os sócios de forma estabelecida em contrato. E ainda é uma forma de reduzir impostos e tributações sobre o patrimônio após o falecimento de uma pessoa.

Doações em vida

Também é possível realizar doações em vida como uma forma de planejamento sucessório. Essa é mais uma das opções que evitam a cobrança do imposto ITCMD, que citamos acima.

Nesse caso, você pode fazer doações para seus futuros herdeiros usando uma quota máxima anual definida pelo estado, sem custos. A melhor forma de fazer isso sem perder, de fato, o patrimônio é doar com reserva de usufruto.

Assim, mesmo que você não seja mais o proprietário, ainda deterá o direito de usufruir do local como quiser, podendo alugá-lo até a sua morte. Enquanto você estiver vivo, o novo proprietário não detém direitos sobre o imóvel, não podendo usá-lo ou vendê-lo sem a sua autorização.

Como exemplo, imagine que uma viúva, mãe de dois filhos, quer garantir que, após o seu falecimento, eles não passem por um processo longo e oneroso de inventário e abertura de testamento, nem precisem pagar pelos impostos dessa transação.

Em vida, ela pode fazer a doação de parte dos seus bens, como imóveis e itens valiosos, para cada uma dos filhos, em regime de usufruto. Assim, ela garante que, após a sua morte, os seus filhos estarão em segurança, e com os bens que ela os destinou.

Previdência privada

Por fim, outra forma de garantir a posse segura dos seus bens sem longos processos é contratar uma previdência privada, em plano tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), em que os herdeiros recebem automaticamente os bens colocados no investimento.

Vale lembrar que, na maioria dos casos, essa transferência é feita sem a cobrança do imposto ITCDM. Entretanto, alguns estados estão tentando mudar a obrigatoriedade da taxa nos casos da previdência privada, a fim de coletar o imposto.

E aí, gostou de saber essas informações sobre a importância e as formas de fazer o seu planejamento sucessório? Sobrou alguma dúvida? Deixe o seu comentário! Quero saber a sua opinião.

Planejamento financeiro familiar: 5 erros fatais para evitar!

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O planejamento financeiro familiar é fundamental para que todas as despesas da casa sejam pagas sem sustos ou aperto. A tarefa não é fácil, mas a organização deve estar à frente dos impulsos, mantendo tudo sob ordem.

Cada membro da família tem suas necessidades, desejos e responsabilidades. Conseguir equilibrar isso tudo é fundamental para ter finanças sólidas. Que tal vermos um conteúdo sobre deslizes fatais em relação ao dinheiro?

O post a seguir mostrará 5 erros que podem causar desequilíbrio nas finanças familiares. Saiba quais são e como eles podem prejudicar.

1. Parcelar compras excessivamente

A possibilidade de parcelar as compras é muito atrativa, não é mesmo? Entretanto, há riscos reais ao adotar essa prática como um hábito. O primeiro grande problema são os juros, que podem existir em algumas compras.

As taxas são incluídas em cada uma das mensalidades. O problema é que ao colocar na ponta do lápis, é possível perceber que os juros aumentam muito o valor final. Em alguns casos você acaba pagando muito mais caro e conclui que teria sido melhor juntar dinheiro e ter pago à vista!

Saiba que bola de neve pode arruinar o planejamento financeiro familiar

Outro grande perigo é a falta de controle. Como as parcelas são relativamente pequenas, há cada vez mais o hábito de realizar esse tipo de compra. O resultado? Altos valores destinados mensalmente só para pagar parcelas. É nesse momento que você percebe que exagerou.

Lembre-se sempre de que é muito melhor pagar de uma só vez. Se não cabe no bolso agora, espere um pouco mais, junte o dinheiro e evite parcelar. Essa dica é uma das mais importantes para não gastar todo o orçamento familiar em dívidas de cartão ou carnês.

2. Gastar sem ter definido um orçamento mensal

O dia do salário chega, o dinheiro cai em conta e você sai gastando? Está errado! Se não houver um planejamento essa história pode acabar mal. É muito importante definir um orçamento para os gastos mensais baseado nas despesas fixas da família.

O primeiro a se fazer é separar quais são os gastos “fixos”, como conta de energia, luz, água, gás, aluguel, financiamento, escola dos filhos etc. Despesas desse tipo estão ali todo mês e você já tem noção de quanto vai gastar com cada uma. Coloque no papel e veja qual é o seu orçamento restante para passar o mês.

Defina orçamentos específicos

Com esse valor você pode separar uma quantia para investimentos, para um fundo emergencial e gastar o restante. É importante que você defina pequenos orçamentos específicos para gastos comuns que sua família tem, exemplo:

  • lazer;
  • compras de supermercado;
  • roupas;
  • dinheiro para lanche escolar
  • outros.

Se para cada uma dessas despesas houver um planejamento bem definido, é possível manter todas de maneira segura. Desse modo, o orçamento geral jamais será comprometido.

3. Não estabelecer prioridades para o planejamento financeiro familiar

Quais são as prioridades para o bem-estar da sua família? Essas despesas precisam sempre estar à frente de qualquer outro tipo de gasto. Por vezes é difícil ter controle do dinheiro, especialmente no cenário consumista em que vivemos atualmente, mas é necessário equilibrar a maneira como ele é investido, levando em conta o que é essencial.

Reflita sobre o que é relevante

As despesas do plano de saúde, por exemplo, nunca podem estar abaixo do que você gasta com lazer. A educação dos seus filhos não pode ser preterida para gastos com compras supérfluas ou itens que podem esperar um outro momento.

Esse julgamento é de cada um e o importante é fazer uma reflexão sobre as prioridades. Um planejamento financeiro familiar bem feito coloca sempre as despesas mais importantes no topo.

Desse modo, os esforços serão feitos primariamente para cumprir com essas obrigações. O bem-estar geral deve estar sempre à frente de luxos específicos dentro de uma família.

4. Fazer compras por impulso

Fim de semana chega e você resolve ir ao shopping com a sua família. Muitas lojas, itens interessantes e bate aquela vontade de comprar algo. Será que vai caber dentro do seu orçamento? Nesse momento alguém precisa fazer o papel do “chato” e consultar as anotações do orçamento.

A saúde do planejamento financeiro familiar está diretamente ligada ao equilíbrio e à responsabilidade. As compras feitas por impulso podem arruinar a organização feita com muito empenho durante meses. Essas aquisições podem trazer muita felicidade momentaneamente, mas podem se tornar problemas em breve.

Mantenha o equilíbrio

Muito do desequilíbrio nas contas acontece justamente por esse momento em que os gastos não são planejados. O rigor e a disciplina precisam entrar em ação, mesmo que isso gere falta de compreensão, especialmente das crianças, pois elas ainda não entendem a responsabilidade das despesas familiares.

Tenha em mente o fato de que as campanhas de publicidade são feitas para ter alto poder de convencimento. Ainda que caiba no seu orçamento, você deve se questionar se o que você está prestes a comprar será realmente útil ou eficiente. Pergunte-se sempre: “eu realmente preciso disso?” Se houver uma margem de dúvida, ainda que pequena, melhor economizar.

5. Não entender que gastos fixos podem variar

Como falamos, toda família tem aquelas despesas fixas, que são facilmente identificadas e relacionadas no planejamento mensal. Entretanto, é importante estar sempre atento a possíveis variações nos valores. Eles podem acontecer e, em alguns casos, surpreender.

Contando com isso, sempre separe valores a mais para essas despesas, com uma margem de segurança para que não haja nenhum imprevisto, complicando o orçamento definido previamente. Caso não haja nenhum aumento, você pode reincorporar essa diferença nos orçamentos específicos ou deixar para fundo de emergência.

Procure saber também quando pode haver essas variações. É possível mensurar esses aumentos em gastos como financiamentos, mensalidade escolar, planos de saúde e muitas outras despesas. Procure estar sempre atento a isso.

Organize-se para investir

Com as despesas bem organizadas e seguindo rigorosamente o planejamento, é possível realizar investimentos. Lembre-se de que cada centavo economizado pode ser revertido para aplicações que rendem boas quantias.

Um dos melhores produtos de investimento é o tesouro direto. Ele é de renda fixa, ou seja, o cliente sabe exatamente quanto receberá ao final da aplicação. Nessa modalidade os investimentos podem ser feitos mensalmente.

Deu para perceber como é vantajoso manter um planejamento financeiro familiar, não é mesmo? Aproveitando o assunto, veja como essa disciplina pode lhe ajudar na aposentadoria!

7 características essenciais de um investidor de sucesso

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O mercado financeiro oferece várias alternativas de investimentos que vão desde a mais conservadora até a mais arriscada. Mas como fazer a escolha certa para ter o retorno desejado? Para isso, é preciso observar algumas características de um investidor de sucesso para alcançar uma boa rentabilidade nas suas aplicações.

Essas peculiaridades vão ajudar você a não cometer erros que podem comprometer todo o seu investimento, aumentando as suas chances de conquistar seus objetivos.

Quer saber quais características são essas? Então leia o nosso artigo até o final que contamos tudo para você!

1. Busca constante por conhecimento em finanças

Um dos maiores problemas ocorrem quando o investidor não sabe direito o que está fazendo e acaba realizando aplicações erradas, investindo em aplicações que não estão de acordo com o seu perfil.

O mundo dos investimentos é bem complexo, por isso, é de suma importância que você procure entender como funciona cada aplicação para diminuir ao máximo as suas chances de perdas.

Analisar o seu perfil de investidor é um passo muito importante para definir qual é a melhor aplicação para você. Por exemplo, se você quer ter uma boa rentabilidade e não se importa em correr riscos maiores para alcançar seu objetivo, então o seu perfil é mais arriscado.

Outro ponto que merece atenção: existem investimentos que não têm liquidez diária, por isso, você não pode realizar o resgate (saque) sempre que bem entender. É preciso esperar o vencimento do título e isso já deve estar incluído dentro do sem planejamento financeiro, caso contrário, sua rentabilidade será comprometida.

2. Controle emocional

Enquanto a rentabilidade é positiva, tudo está tranquilo. Mas o que acontece que você tiver perdas? O controle emocional é uma característica essencial de um investidor de sucesso.

Quando o assunto é investimento, saber lidar com perdas é muito importante. Por isso, evite agir impulsivamente, tomando decisões motivadas pela sua emoção.

Grosso modo, é preciso ter “sangue frio” para lidar com situações como essas, por mais que naquele momento você se sinta frustrado, é preciso ser emocionalmente inteligente para reverter a situação.

Muitos investidores fracassam no mercado financeiro porque não sabem lidar com suas emoções, acabam realizando aplicações sem levar em consideração os riscos do investimento e não conseguem elaborar uma estratégia eficiente para driblar os momentos difíceis.

3. Ousadia para enfrentar riscos

Todo o investimento tem seu risco, basta você analisá-los e verificar quais está disposto a correr. Por isso, para se tornar um investidor de sucesso, você precisa aprender a ter ousadia para enfrentar os riscos de cada aplicação. É preciso que você tenha uma boa gestão para proteger melhor o seu patrimônio e reduzir as ameaças ao máximo.

A orientação mais comum para diminuir as suas chances de perdas é diversificar os seus investimentos. Dessa forma, se você não obtiver sucesso em uma aplicação, as outras podem compensar as que deram errado, possibilitando bons retornos financeiros.

4. Disciplina para alcançar os objetivos financeiros

Antes de realizar um investimento, você precisa fazer um planejamento financeiro. Nele, você poderá estipular quais são os seus objetivos para facilitar a compreensão de como os seus investimentos estão progredindo.

Para manter tudo de acordo com o planejado, a disciplina se faz muito importante. Não desvie o seu foco e, se for necessário realizar algum ajuste no seu planejamento, faça!

Mas lembre-se de que o seu objetivo não pode ser alterado. Caso contrário, você não conseguirá ter bons resultados e se sentirá frustrado por isso.

A disciplina faz com que você leve mais a sério os seus investimentos, fazendo com que as decisões tomadas sejam mais estratégicas, a fim de obter a melhor rentabilidade possível.

5. Organização

Muitos investidores não são organizados financeiramente, e isso pode representar um grande problema para o seu orçamento. Todos os investimentos têm normas que precisam ser seguidas à risca, caso contrário, o seu patrimônio pode ser prejudicado.

Além do mais, contar com um dinheiro que ainda não foi resgatado também não é uma boa prática, por mais que seja uma aplicação que já tenha um valor prefixado, ela pode sofrer alterações, principalmente, se você efetuar o resgate antes do vencimento do título.

A organização é uma das principais características de um investidor de sucesso, sem ela, ele poderá destinar seu dinheiro para aplicações erradas que podem comprometer seu retorno financeiro.

6. Paciência

A paciência é a chave para não tomar decisões impulsivas que podem proporcionar prejuízos. É preciso ter muita tranquilidade para encontrar um investimento que valha a pena.

Além disso, ela também é importante para escolher o momento certo para realizar a sua aplicação. Por exemplo: se você optou por investir em ações, é preciso ter paciência para comprar quando os preços estiverem mais atrativos.

Portanto, não se desespere com bombardeios de notícias pessimistas nos jornais. Tenha calma e analise muito bem suas estratégias antes de tomar qualquer decisão. Dessa maneira, você poderá garantir uma boa rentabilidade, sem colocar em risco o seu investimento.

7. Confiança na medida certa

Infelizmente, o excesso de confiança está presente na vida da maioria dos investidores, principalmente os iniciantes. Alguns deles acreditam que seus métodos são inquestionáveis e infalíveis.

Esse tipo de investidor acredita que o conhecimento que possui é suficiente para controlar as suas ações dentro do mercado financeiro e não se preocupam em se atualizar constantemente. Cuidado com isso!

Ao pensarem dessa forma, eles deixam de levar em consideração as probabilidades do investimento e acreditam que sempre vão dobrar o seu faturamento. Mas a realidade é bem diferente: se você não calcular friamente as suas estratégias, as decisões tomadas poderão ter um final trágico.

O mercado financeiro é um ramo que exige muita dedicação e atenção. Qualquer deslize ou decisão equivocada pode acarretar em grandes prejuízos. Mas lembre-se que no mundo dos investimentos nem sempre você sairá ganhando: os riscos de perdas existem e você precisa saber lidar com eles.

Por isso, busque sempre estudar e conhecer a fundo o seu investimento, diversifique a sua carteira para diminuir as chances de perda e siga todas as nossas dicas para que você também possa ter características de um investidor de sucesso.

Quer ter acesso a mais conteúdos interessantes como este? Então aproveite a oportunidade para curtir a nossa página no Facebook e acompanhar as nossas novidades!

Conheça 6 armadilhas mentais que podem afetar investidores

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Por muito tempo, o mundo dos negócios foi guiado pela lógica, e todas as decisões eram tomadas a partir de dados. Apesar de parecer possível na teoria, ficou claro, ao longo dos anos, que características mais emocionais do comportamento humano, também, estão envolvidas nas escolhas dos investidores.

Esse conceito ganhou ainda mais força, depois dos estudos dos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky. Graças às suas pesquisas, ficou comprovado que os investidores utilizam vários caminhos psíquicos para as suas decisões.

E, apesar de parecerem corretos, muitos acabam se tornando armadilhas mentais que podem afetar investidores. Pensando nisso, separamos alguns exemplos para você. Entenda!

Qual o conceito de armadilhas mentais?

Em um contexto mais teórico, as armadilhas mentais são conhecidas como vieses pela psicologia econômica. Elas são um conjunto de comportamentos que fazem com que os investidores cometam erros.

De acordo com Kahneman e Tversky, o grande problema é que, na maioria desses casos, isso não é percebido pelo próprio investidor, que não consegue ser totalmente racional ao ponto de analisar as aplicações e, muitas vezes, nem considera os riscos.

Para chegar a essa conclusão, os dois cientistas perceberam que a maioria dos participantes de sua pesquisa confiava cegamente em afinidades ou estereótipos. Eles evitavam se basear em fatos comprovados para tomar suas decisões, desprezando parte das informações para selecionar opções mais fáceis e rápidas, ou seja, realizavam uma heurística.

Portanto, para os dois cientistas, há um limite de racionalidade por parte das pessoas. A maioria sofre influência de suas emoções e possui comportamentos padrões para fazer escolhas.

Além disso, boa parte das decisões acontece em situações complexas e confusas, em que não há tempo para que eles analisem as circunstâncias. Nesse contexto, separamos algumas das armadilhas mentais mais comuns, costumam atingir quem está no mundo dos negócios.

Quais são as armadilhas mentais que podem afetar investidores?

1. Excesso de confiança

Esse termo apareceu pela primeira vez em uma das análises dos pesquisadores Marc Alpert e Howard Raiffa. Para comprovar sua tese, os dois fizeram um jogo de adivinhação, no qual perguntavam às pessoas o quanto elas tinham certeza sobre uma certa opinião ou sobre suas respostas. A maioria errava mais do que acertava, e os resultados eram ainda piores com especialistas.

O problema não é muito diferente quando se trata dos investidores. Muitos costumam ter uma autoconfiança exagerada, porque conhecem o mercado e acreditam que os acontecimentos serão como esperam.

O que poucos observavam é que, ao cultivar esse pensamento, as chances de frustração são bem grandes. Um bom exemplo, é o que aconteceu na grande crise de 2008, em que boa parte dos economistas acreditavam que nada ia acontecer e foram surpreendidos.

Logo, procurar ser mais cético perante as alternativas do mercado e pensar em possibilidades pessimistas para definir suas ações é a melhor forma de lidar com isso.

2. Aversão à perda

Essa é outra questão importante e que, de certa forma, está ligada ao excesso de confiança. A crença exagerada em si mesmo pode trazer uma tendência a ser extremamente otimista e desprezar os fatos negativos. O cérebro tem o costume de deletar coisas ruins. Assim, o indivíduo está propenso a só guardar aquilo que confirma o que acredita.

Se, por exemplo, para um investidor, uma certa aplicação é a melhor opção para longo prazo, mesmo que haja notícias e dados comprovando sua fragilidade, ele procurará por elementos que indiquem que o que acha é o correto.

Então, quando acontece uma perda, a associa a outros fatores e não ao erro em si. Inclusive, se o investimento vai bem, ele tende a celebrar exageradamente. A forma mais adequada para combater esse comportamento é sempre contar com os riscos e procurar enxergar as aplicações não como resultados absolutos.

3. Valorização excessiva

Aqui, o investidor pode dotar de uma autoconfiança exagerada quando tem algum bem ou investimento. O que acontece é que como o seu ativo está indo bem no mercado, ele costuma valorizá-lo exageradamente.

A consequência é que a pessoa evita vender ou mesmo comprar outros ativos. Pois ela acredita que aquilo que ela tem é mais valioso do que o que os outros querem pagar.

Na mente desse investidor, a aplicação é um padrão para as outras. Assim, se o investimento é valorizado, ele acha que todos também serão. Um bom exemplo, são aquelas pessoas que aplicam em imóveis ou em ações.

A consciência de que nenhum investimento está protegido de riscos é a melhor estratégia. Além disso, vale a pena sempre analisar seus investimentos baseando-se em fundamentos comprovados.

4. Só considerar o sucesso

Outro grande problema no mundo dos negócios é só prezar pelo sucesso. Conhecido como viés de sobrevivência, esse comportamento é a suposição exagerada de que sempre haverá êxito em tudo o que se fizer.

O nosso cérebro tende a ver mais o sucesso do que o fracasso, então, a tendência é considerar os exemplos de carreiras e investimentos bem-sucedidos e não os que não foram tão bem.

A melhor forma de lidar com isso é ser realista. Procurar conhecer os projetos, as aplicações e as empresas que não deram certo e avaliar os motivos.

5. Sentir-se preso à reciprocidade

Apesar de ser um sentimento nobre, a reciprocidade pode colocar o investidor em uma difícil situação. De acordo com as pesquisas do cientista Robert Cialdini, as pessoas não gostam de se sentir culpadas. Para evitar esse sentimento, elas são capazes de se pressionar para retribuir.

O mal disso é que essa atitude prejudica as relações profissionais e financeiras. Muitos investidores podem se sentir coagidos a apostar em um mal negócio, já que conhecem o dono, ou mesmo, porque em algum momento foram ajudados por ele.

Para evitar isso, é preciso que o investidor recuse presentes ou favores de seus parceiros de negócios a fim de que as relações não se misturem e ele não se prejudique.

6. Sentir-se tranquilo porque está bem informado

Hoje em dia, há muito acesso à informação e, consequentemente, existe a ideia de que quanto mais informado você for, melhor serão as suas decisões. No mundo dos negócios, o processo não é muito diferente. Entretanto, segundo Rolf Dobelli, ex-executivo do grupo suíço Swissair e cofundador da empresa getAbstract, isso é uma mentira.

Apesar de dados serem um importante complemento para as tomadas de decisões, ainda assim, a realidade é mais complexa do que parece e é preciso contar com a sua imprevisibilidade. É o que aconteceu na crise de 2008 nos EUA e Europa. Muitos economistas tinham estudos e relatórios, mas não conseguiram impedir o colapso.

Prestar atenção no que está acontecendo e não só se basear em informações é a melhor coisa a se fazer para evitar desagradáveis surpresas.

Bem, estas foram as armadilhas mentais que podem afetar investidores. Quer receber mais assuntos como este? Então, assine a nossa newsletter e não perca mais nenhum dos nossos conteúdos!