Entenda o que é o Spread Bancário

Estimasse que mais de 64% da população brasileira possui conta bancária atualmente. Isso corresponde a mais de 85 milhões de pessoas que utilizam o sistema bancário diariamente. Mas quantas...
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Estimasse que mais de 64% da população brasileira possui conta bancária atualmente. Isso corresponde a mais de 85 milhões de pessoas que utilizam o sistema bancário diariamente. Mas quantas dessas pessoas conhecem o Spread Bancário?

Vamos conversar um pouco sobre esse tema hoje. Esclarecer algumas dúvidas e entender o que o Spread cobrado pelos bancos interfere em nossas vidas.

 

Entendendo o Sistema Financeiro Nacional

Antes de qualquer coisa, precisamos entender como funciona o sistema bancário no Brasil. Esse sistema bancário é uma pequena fração que faz parte de um sistema complexo e chamamos de SFN.

SFN é a abreviação de Sistema Financeiro Nacional. Ele é o que rege todo o setor financeiro, econômico e monetário do Brasil.

Seu principal órgão é o CMN, Conselho Monetário Nacional. Esse conselho é um órgão normativo, que determina como será aplicado o SFN.

Para supervisionar tais normas, existem os dois “braços” do CMN:

  • BCB: Também chamado de BACEN ou Banco Central do Brasil;
  • CVM: abreviação de Comissão de Valores Mobiliários.

Ambos com papéis e importâncias distintas, mas completamente ligados.

O BACEN possui diversos operadores e é responsável por todas as instituições bancárias e não bancarias no país. Além de fiscalizar o crédito, administradoras de consórcios, corretoras e distribuidoras, instituições de pagamentos e outros detalhes.

Já a CVM é responsável por todo o mercado acionário pertencente à Bolsa de Valores e de Mercadorias e Futuros.  Atualmente no Brasil, só há uma Bolsa de Valores – que acredito que muitos já conheçam. A BM&FBOVESPA é a responsável atualmente por toda movimentação desses setores citados vinculados à CVM.

 

Sistema Bancário

Tendo esclarecido isso, será mais fácil de compreendermos o restante. Agora vamos focar mais no setor bancário nacional e entender como ele funciona, antes de voltarmos para o Spread.

Para exemplificar melhor, vamos olhar a imagem abaixo.

Imagem interna 1

 

Como podemos perceber, na imagem temos 3 componentes:

  • Agente Deficitário: é o indivíduo ou empresa que necessita de recursos financeiros;
  • Agente Superavitário: é o indivíduo ou empresa que dispõe de um abundante recurso financeiro;
  • Intermediador Financeiro: é a entidade financeira responsável por interligar ambos os Agentes, a fim de que os 3 componentes sejam beneficiados.

Até ai, não há nada de errado. Quem possui bastante dinheiro aplica esse valore na instituição financeira, que decide para quem emprestará o valor.

Ao receber o pagamento desse empréstimo junto com os juros, uma parte fica com a instituição financeira. O restante retorna como “agradecimento” ao investidor.

 

Dica do Primo Rico: SAIBA POR QUE SEU GERENTE DO BANCO NÃO DEVE SER SEU CONSULTOR FINANCEIRO

 

Finalmente: O que é o Spread?

O Spread, então, é a diferença entre os juros cobrados de quem adquiriu o crédito emprestado pela Instituição Financeira e o valor retribuído como rendimento ao investidor que forneceu o seu dinheiro a essa mesma instituição.

Essa diferença de valor é a principal maneira de sustentar os bancos, por exemplo.

Através dessa diferença os bancos conseguem uma estabilidade financeira incrível. Não é atoa que a ideologia bancária existe desde a idade média.
Para ficar mais claro ainda a ideia de Spread, usaremos outra imagem como exemplo:

De todo o valor cobrado de juros sobre o agente deficitário, apenas uma pequena parte foi repassado ao agente superavitário. O restante fica para a instituição financeira responsável pela intermediação.

Em vários países, esse mesmo modelo é se Sistema Financeiro é utilizado. Entretanto, no Brasil, temos uma peculiaridade que nos diferencia dos demais.

 

Spread Bancário no Brasil

O Spread cobrado por bancos aqui no Brasil é considerado um dos maiores do mundo. E só pra deixar claro, isso não é motivo de orgulho, ok?

Atualmente, a situação financeira da maioria das pessoas aqui no nosso país não é muito boa. Isso facilita a procura por crédito bancário, como auxílio de renda e, de certa forma, mais prejudica do que ajuda a população.

Infelizmente, o nosso Spread Bancário é quase 10 vezes maior do que muitos outros países. As chances de inadimplência e endividamento da população por causa dessa taxa exorbitante são altíssimas. Tanto que quase 60 milhões de pessoas estão inadimplentes, segundo a empresa Serasa Experian.

Os prováveis motivos de pagarmos taxas tão altas de Spread são:

  1. A Taxa Selic em alta, que serve como Taxa Básica de juros, impedindo que os bancos façam empréstimos com juros menores;
  2. Domínio do Setor Bancário na desenvoltura econômica, que utiliza a alta influência e soberania de um pequeno grupo de bancos gigantescos para comandar o andamento da economia nacional;
  3. Cargas tributárias altíssimas e Depósitos Compulsórios;
  4. Alta demanda de crédito e;
  5. Insegurança na política nacional, internacional e aspectos macroeconômicos que podem interferir no país.

 

Mas o que compõe o Spread?

Os fatores que compõe os custos do Spread cobrado pelos bancos são 5. Cada um possui um peso diferente dentre o total:

  1. Margem Líquida: é o lucro que o banco ganha, propriamente dito;
  2. Custo de Risco: são valores cobrados por precaução, contra o risco de inadimplência;
  3. Carga Tributária: nessa parte é cobrado impostos diretos, como IR e CSLL;
  4. Custos Administrativos: é o custo por utilizar os serviços e produtos do banco;
  5. Depósito Compulsório: por determinação obrigatória do BACEN.

A maior fatia do valor que compõe o Spread é a Margem Líquida (com 38%), seguindo do Custo de Risco (36%), os Custos Administrativos (14%), a Carga Tributária (8%) e o Depósito Compulsório (4%).

Como podemos perceber, quase 75% do valor do Spread é para beneficiar o próprio banco que realiza o empréstimo. Apenas ¼ do valor é redirecionado aos custos obrigatórios e as pendências de fato inerentes ao crédito.

Infelizmente, essa é a dura realidade que vivemos. Pelo menos, a educação financeira no Brasil está crescendo e cada vez menos os bancos serão onipotentes – por mais que esse crescimento ainda seja pouco.

Tomara que futuramente, essa situação se torne mais digna e justa, em prol do benefício de todos e não somente de quem quer o lucro acima de qualquer custo.

 

Se tiver alguma dúvida ou sugestão, não deixe de comentar aqui embaixo! Até mais.

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