Ajuste Fiscal: Entendendo o que ele propõe

Com a recente crise que o Brasil está passando, o governo se viu obrigado a apresentar medidas para levantar o Brasil novamente, pois o país precisava – e ainda...

Com a recente crise que o Brasil está passando, o governo se viu obrigado a apresentar medidas para levantar o Brasil novamente, pois o país precisava – e ainda precisa – do chamado ajuste fiscal.

O ajuste fiscal acabou por ser uma das palavras que, por um bom tempo, ficou entre as mais faladas na discussão tanto entre os políticos…

Assim como também entre o almoço em família de muita gente. 😛

Mas, será mesmo que todo mundo sabe do que trata o ajuste fiscal?

Você sabe o que é o déficit fiscal? Déficit orçamentário? O que o ajuste fiscal, em si, procura resolver?

São essas questões que eu trato no artigo de hoje.

 

O que é o ajuste fiscal, afinal?

O ajuste fiscal, per si, é apenas um termo.

Quando as suas contas do mês ficam descontroladas, você precisa fazer um ajuste fiscal no seu orçamento.

Ou seja, balancear suas contas.

Com o governo não é diferente.

O ajuste fiscal do governo nada mais é do que a união das medidas que serão adotadas por ele para normalizar suas contas.

O problema, porém, é quando procuramos mais a fundo.

Com isso, começamos a nos deparar com os termos técnicos do assunto.

Superávit primário? Déficit? Dívida? Mas o que raios cada um significa?

Entendendo as contas do governo

Para entendermos exatamente como tudo funciona, é importante termos um comparativo.

Imagine, então, o seu orçamento familiar.

Você vai ter nele a sua renda e também os seus gastos inseridos, correto?

Imagine a mesma coisa para o governo.

Se caso acontece de sua renda mensal não bater com os seus gastos do mês, temos um problema:

A sua renda não é suficiente para bater suas contas.

É nessa simples relação que temos o conceito de superávit e déficit.

O superávit acontece quando as contas do governo fecham positivas, ou seja, a sua renda conseguiu suprir os seus gastos do mês.

Já o déficit acontece quando essa renda não é suficiente.

Em resumo, só a renda do governo proveniente de impostos não é suficiente para sustentar os seus gastos.

E, o que o governo faz então?

Assim como acaba sendo a solução de uma pessoa comum, o governo se endivida.

E é aqui que está uma relação que você PRECISA entender sobre o assunto:

O déficit acontece apenas quando sua renda é inferior aos seus gastos.

Já a dívida acontece quando você está com uma dívida com alguém que ultrapassa o seu mês.

Exemplo:

Em janeiro, seus gastos foram superiores a sua renda e você teve que pedir um empréstimo ao banco.

Nesse caso, você teve um déficit e teve que adquirir uma dívida.

O empréstimo ficou datado para ser pago durante 12 meses, ou seja, você estará endividado com o banco até janeiro do ano que vem.

Porém, já em fevereiro, você conseguiu reduzir os seus gastos e conseguiu manter a sua renda acima dos gastos.

Nesse caso, mesmo que a sua dívida tenha sido computada nos seus gastos, os seus gastos ficaram controlados.

Em resumo, diferentemente de janeiro, você ainda possui uma dívida mas o seu orçamento terminou superavitário, no positivo.

Só que, quando trazemos o exemplo para o governo, entram, 2 novos termos na jogada:

o superávit/déficit primário e o superávit/déficit nominal.

 

Primário x Nominal

No orçamento do governo, os gastos com juros (financiamento) são separados dos outros tipos de gastos.

Nesse sentido, quando o orçamento do governo fecha no azul, mas sem contar o pagamento de juros, dizemos que o governo teve um superávit primário.

Caso já tenha fechado no vermelho, então temos um déficit primário.

Agora, caso o orçamento fechar no azul sem contar o pagamento de juros, mas, ao contabilizar estes juros, o orçamento ficar no vermelho, temos o chamado déficit nominal.

Talvez pareça que isso não faça grande diferença, mas faz!

 

No que isso influencia na minha vida?

No fim das contas, ambos os tipos de déficits impactam no orçamento do governo.

Só que, veja, mesmo que ele tenha um superávit primário, se ele ter um déficit nominal ainda nos deparamos com um grande problema.

Isso pois o governo se vê quase que na obrigação de pagar os juros,  já que, se ele der calote na dívida pública, afetará diretamente os investidores do país.

Pode ser que você seja um desses investidores, pois é bem possível que você hoje seja um investidor do Tesouro Direto.

Os títulos do tesouro entram diretamente nessa relação com o déficit nominal.

Se você tem um título do tesouro, isso significa que o governo assumiu uma dívida com você.

O governo entrar no déficit nominal significa que ele NÃO tem dinheiro suficiente para pagar você e todos as outras pessoas que têm títulos públicos.

E é por isso que acompanhar o orçamento do governo se torna importante para quem aplica no Tesouro.

Só não se desespere caso você vá atrás do orçamento do governo agora e ver que o governo se encontra em déficit nominal.

Isso não vai significar que você não será pago.

Isso porque, mesmo que ele não haja dinheiro, em teoria, para pagar os investidores, o governo ainda pode fazer a chamada rolagem da dívida.

Ou seja, contrair mais dívidas (emitindo novos títulos públicos, por exemplo) para pagar suas dívidas anteriores.

 

Por que o ajuste fiscal é importante

O ajuste fiscal se torna importante porque, apesar da adição dos termos técnicos, o orçamento do governo funciona da mesma forma que o nosso orçamento.

Se chegarmos na situação em que, para pagar o nosso cartão de crédito precisamos usar outro cartão de crédito, fica claro para nós que a situação está insustentável.

E é assim que funciona com o governo também.

Apesar dele ter um espaço maior para ter essas dívidas, é fato que, ter elas em constante crescimento torna a situação do país insustentável.

E essa insustentabilidade impacta todos os brasileiros.

Na parte do investidor, dificulta a previsibilidade do andamento das empresas, ficando difícil do investidor adotar uma estratégia na bolsa.

Além disso, pode aumentar o risco de calote, como eu disse antes, no tesouro, e fazer com que os investidores só passem a continuar investindo no tesouro caso os juros sejam muito altos, tornando tudo uma bola de neve.

Na parte do empresário e do cidadão comum, pode prejudicar principalmente no que diz respeito aos impostos.

Sabemos que hoje a carga tributária no Brasil é pesada, e isso pode fazer com que o governo aumente ainda mais os impostos.

Isso sufoca não só o empregador mas o empregado também, e tudo para sustentar gastos que, em sua maioria, são desnecessários.

Ninguém quer passar por uma situação dessas, certo?

Por isso a dica que eu dou é: fique atento no orçamento do governo e no ajuste fiscal.

Muita coisa que influencia na economia acaba passando pelo ajuste fiscal!

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