Agência de risco rebaixou a nota do Brasil em 2018! O que vai acontecer?

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A agência de risco “Standard&Poor’s” quinta-feira, nesta última quinta-feira, surpreendeu muitos investidores brasileiros: Ela rebaixou, mais uma vez, o rating do Brasil.

Quando esse tipo de coisa acontece, sempre fica muito difícil de entender as entrelinhas. Ainda mais sabendo que não são todos que são familiarizados com os termos do mercado financeiro. Ai fiicam aquelas inúmeras dúvidas:

“Mas quem é a Standard&Poors? O que faz uma agência de risco? O ranking do Brasil agora é muito ruim? devo parar todos os meus investimentos?”.

Sei que isso traz muitas dúvidas na cabeça, ainda mais quando todos os sinais estavam apontando para uma recuperação econômica brasileira.

Não é por menos: nem mesmo o IPCA tendo fechado abaixo do piso da meta do governo em 2017 impediu que fossemos surpreendidos com uma queda no rating do Brasil na agência de risco Standard&Poor’s, que é uma das principais agências de risco do mundo.

Mas, no artigo de hoje, pretendo responder todas as suas dúvidas sobre o assunto!

O primeiro passo para isso tudo é te te explicar o que é e o que faz, exatamente, uma agência de risco.

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O que é Agência de Risco

Quando falamos de uma agência de risco, estamos falando de uma instituição que tem um trabalho muito importante no mercado financeiro: o trabalho de avaliar o risco de crédito que existe em um determinado investimento.

Basicamente, é função dela passar ao mercado, e a você, qual é o tamanho do risco que você está adquirindo ao investir em uma aplicação.

Num exemplo bem simples, quando você investe em um CDB, você está virando credor de uma instituição bancária. Ou seja, ela entra em uma dívida com você e se compromete a pagar essa dívida.

Como nem sempre ela tem realmente condições de pagar essa dívida, a agência de risco serve para você entender se ela tem realmente condições de te pagar, ou não.

Só que nesse caso, ela não bate na porta da casa de cada investidor pra falar com detalhes qual o seu risco ao investir. Para ela simplificar e passar a avaliação dela de forma clara, ela faz isso pelos chamados “ratings”, que são como se fossem notas que a agência da para cada emissor.

Na Standard&Poor’s, esse rating vai desde o 3 As, chamado de “triple A”, que é a nota que indica que a empresa tem condições excelentes de te pagar, até a nota D, que significa que a empresa dificilmente vai honrar o pagamento.

E é aqui que as coisas começam a complicar para o Brasil. Porque, além dos investimentos, os países também recebem uma nota. Quanto maior a nota, maior é a credibilidade do país como um bom pagador.

Só que, tanto para as empresas quanto para os países, essas notas tem uma “separação”.

Falando das notas da S&P em específico, do triple A – que é a nota mais alta possível – até a nota BB-, é considerado que o país (ou a empresa) ainda são lugares interessantes para se investir.

Só que abaixo do BB-, significa que o país/empresa não é mais um bom lugar para investir de forma segura, e sim apenas para especular.

Parece algo terrível, não é mesmo? Mas o Brasil, desde 2016, está abaixo do BB-. Em outras palavras, desde 2016 investir no Brasil, segundo a S&P, é algo que deve ser feito apenas por quem quer especular.

Então, se formos encarar os fatos como eles são, na realidade desde 2016 a gente tá numa situação complicada. Já estavamos em um grau de especulação, e caímos ainda mais nesse ranking.

Numa analogia bem simples:

O Brasil desde 2016 é pros investidores estrangeiros aquele CDB de 3 anos que você vê na plataforma da corretora, que tem um rendimento interessante, mas, ao olhar que o rating dele está muito baixo, você fica com aquela dúvida na cabeça: “caramba, será que em 3 anos esse banco não vai quebrar não?”

 

Mas como isso vai impactar, então, os meus investimentos?

Bom, para você entender o impacto disso nos seus investimentos, precisamos recorrer a uma característica muito importante do mercado: o mercado e a precificação dos investimentos, assim como os seus rendimentos, seguem em linha com as expectativas do futuro, e não do presente.

Nesse sentido, quando o mercado já espera que alguma coisa vai acontecer, ele se antecipa.

E por que eu to explicando isso? Simples: o mercado já esperava que essa queda de rating ia acontecer. A surpresa não foi a queda em si, mas sim com a data em que ela aconteceu.

Desde dezembro os investidores já esperavam que o rating do Brasil ia ser revisado, isso já era uma certeza. Mas todos esperavam que isso fosse acontecer mais tarde, e não agora.

Então, como já era esperado, é bem possível que o rendimento atual das aplicações já estavam precificados com a ideia de que o Brasil ia cair mais no rating, e que não haja um reflexo grande em aumento taxa de juros.

Pode acontecer de haver aumentos? Sim, pode. Não será nada muito grande, mas, mesmo assim, faz sentido que você fique atento, porque você pode conseguir alguns investimentos com uma taxa ligeiramente maior.

Não será muito, mas só de conseguir uma taxa maior já é uma boa né?

 

E o que podemos esperar daqui pra frente?

Bom, aqui vem uma particularidade desse rebaixamento: apesar de ter acontecido o rebaixamento, a nota do Brasil deixou de ser classificada como “negativa” para “estável”.

Em outras palavras, ela dificilmente será revisada de novo durante um tempo. Provavelmente ficará o ano inteiro assim, já que um dos pontos destacados pela empresa como motivo para a queda foi as eleições do Brasil.

Em suma, se for acontecer alguma alteração nas taxas atuais do investimento, possivelmente será mais nos investimentos que tem uma data de vencimento mais de longo prazo, como Tesouro IPCA 2024, 2035…

E tende, obviamente, a ser um aumento na taxa de juros. Aumentou o risco, então aumenta a rentabilidade.

Principalmente, é bom esperar que isso se reflita na política também. O governo tem tentado ajustes fiscais, principalmente com a reforma da previdência, mas tem tido problemas em fazer isso passar pelo congresso.

Essa notícia negativa tem o poder de fazer com que os políticos fiquem mais preocupados com a importância do ajuste fiscal, e que algumas coisas possam passar com mais facilidade, como a própria reforma da previdência.

É esperar para ver, mas eu particularmente espero que eu tenha te tranquilizado, ou ao menos feito você ter entendido o que esse rating mais baixo vai fazer com os seus investimentos.