Aplicando a Análise Fundamental de Empresas

Hei você aí, é você mesmo, assíduo leitor do O Primo Rico. Neste artigo nós vimos alguns documentos indispensáveis para realizar a análise fundamentalista de uma empresa. Hoje você...

Hei você aí, é você mesmo, assíduo leitor do O Primo Rico. Neste artigo nós vimos alguns documentos indispensáveis para realizar a análise fundamentalista de uma empresa. Hoje você vai descobrir quais lições podemos tirar de todos os documentos que levantamos e saberá como realizar a análise fundamental de empresas.

Tenha em mente que esses artigos são voltados para o mercado de renda variável e para a compra de ações, mas se você é um empresário ou pretende se tornar um investidor anjo ou de venture capital, você também pode aplicar a maioria desses conhecimentos em suas atividades, uma vez que as características das empresas que levantaremos nessa análise, podem e devem ser consideradas para avaliarmos a saúde do negócio e sua viabilidade em prazos variados.

No entanto, um acionista muitas vezes pode ser preocupar apenas em prever a direção que um negócio irá tomar, seja ele positivo ou negativo, focando lucro em curto, médio ou longo prazo. Vamos ao negócio.

Antes de iniciarmos, confira esse outro artigo direto no nosso blog e aprenda a investir utilizando-se das técnicas da análise gráfica de ações. Recomendamos que você leia também o nosso guia completo para iniciantes em ações e aprenda os termos técnicos para se guiar nesse meio.

 

O fluxo do dinheiro – Os indicadores operacionais para uma boa análise fundamental.

Pode ser verdade que o dinheiro não traga felicidade, mas quando estamos falando de empresas e resultados, ele certamente garante uma boa dose de conforto. Assim sendo, vamos ver como podemos tirar esse nosso conforto dos Demonstrativos de Resultado. A análise fundamental de empresas não é uma ciência exata, pois podemos nos deparar com um resultado negativo em uma ponta, mas termos uma interpretação diferenciada dos métodos de cada companhia. Mais sobre isso logo a frente.

  • Margem Operacional

Esse indicador nos mostra o quanto cada real que a empresa emprega em seu negócio retornou no fim da cadeia de operação. Compreenda operação como a atividade principal da empresa, seja a venda de um bem ou a prestação de um serviço. Um exemplo seria uma empresa que gastou R$ 100.000,00 na aquisição de máquinas, no pagamento de contas de energia, na distribuição de seu produto… até sua venda final, que retornou uma receita de R$ 1.000.000,00. Dividindo um pelo outro, temos que a margem operacional da empresa é de R$ 10,00 para cada R$ 1,00 gasto, ou seja uma margem de 10%.

Através desse indicador temos como projetar um resultado futuro. Se sabemos que a empresa lucrou X em um dado período e tem a pretensão de investir esse mesmo X em produção futuramente, podemos estimar o retorno que isso trará.

É óbvio dizer que nada é tão simples e a relação não é tão direta, afinal seria como se tivéssemos uma máquina de dinheiro, aonde basta injetar capital para que ele cuspa mais. Ainda sofremos a ação de fatores externos à capacidade produtiva e de escoamento da empresa, como a demanda, fatores governamentais, concorrência e por aí vai.

 

  • Margem Ebitda

Não vou me prolongar aqui, uma vez que a Margem Operacional e a Ebitda levam em consideração os mesmos fatores. A única diferença é que a Ebitda não considera as despesas financeiras e a depreciação de maquinário e outros bens. Sendo assim ela serve melhor para uma análise de caixa, tendo mais utilidade para uma análise contábil do que operacional.

 

  • Margem Líquida (ou o que sobrou)

Novamente semelhante a operacional, mas aqui já deduzimos impostos e outras despesas de depreciação e financeiras. É importante separarmos a margem nesses três grupos, uma vez que isso facilita na análise fundamental de empresas. No caso, se tivermos uma margem Ebitda de 10%, mas uma margem líquida de apenas 5% (ou até negativa), sabemos que a empresa está sofrendo demais com a coleta de impostos e pode ter sérios problemas em se manter a um médio prazo.

 

  • Retorno Sobre Patrimônio

Especialmente importante para o investidor em ações, o retorno sobre patrimônio nos mostra o quanto o patrimônio líquido dos investidores foi relevante para uma empresa. Ele é calculado dividindo o lucro líquido sobre o patrimônio líquido da empresa. Temos assim uma ideia aproximada do quão relevante para a empresa foi o investimento.

 

Na mão dos outros – Indicadores da estrutura de capital.

Acabamos de ver a capacidade de uma empresa de gerar retorno e qual o retorno sobre cada etapa de sua estrutura contábil, mas agora falta analisarmos se essa companhia está andando com as próprias pernas ou se ela se encontra vulnerável frente a investimentos de terceiros.

Normalmente a margem líquida já nos dá uma boa ideia da capacidade da empresa de gerar lucro e honrar suas dívidas, mas precisamos ver qual parte dessa dívida é visando sua operação principal, ou para pagar empréstimos de parceiros e fornecedores. Para isso devemos olhar diretamente para a parte dos passivos do balanço patrimonial e calcular a relevância da divida de terceiros sobre a parte de patrimônio líquido. Pense bem, o que é mais saudável para uma empresa, ter um patrimônio líquido maior do que o passivo, ou o inverso? A resposta é clara. O patrimônio líquido deve ser considerado como um investimento partido de pessoas que estão interessadas em ver o negócio ir longe, ou seja, é um investimento a longo prazo. Já, o passivo é um investimento de curto a médio prazo, sendo realizado por empresas que prestam serviços, por imobiliárias, por empresas de maquinários, serviços logísticos, etc.

O índice que estamos buscando aqui é o Endividamento Total, dividido pelo Patrimônio líquido. Novamente, esse índice é interpretativo e não pode ser considerado sozinho, sem relação com outros aspectos da empresa. Quanto maior esse índice, mais a empresa tem autonomia. Deixe-me colocar isso em perspectiva com um exemplo: Digamos que a empresa A tenha baixa autonomia, ou seja, seu patrimônio líquido corresponde à uma parte pequena de seu passivo. Nos últimos meses ela vem demonstrando uma margem líquida extremamente confortável, resultando em um aumento gradual de seu PL, devido ao ganho de confiança em seus negócios. Nesse caso podemos dizer que a sua falta de autonomia não está afetando sua atratividade para os investidores.

Por fim temos também que levar em consideração a capacidade da empresa em cobrir os seus juros. Isto é, sem comprometer a sua formação de caixa. O caixa de uma empresa é quase como um indicador por si só. Pelo menos para o curto prazo. Afinal de contas, você não confiaria um empréstimo a um amigo que é muito rico, mas está sem dinheiro no bolso no momento? Pensando por aí, uma empresa que consegue pagar os juros de seus financiamentos, sem comprometer a formação de caixa, deve ser considerada como uma empresa saudável. Aqui não temos interpretação, caixa = bom!

O último ponto a ser realizado na análise fundamental de empresas é o quanto a empresa tem a receber. Nem toda venda é contabilizada imediatamente. Voltando ao balanço patrimonial e olhando no lado de ativos, devemos fazer uma conta para dizer o quanto do capital que temos em ativos é ainda devido de terceiros. Caso a empresa tenha uma porcentagem muito alta de ativos representada na forma de ativos a receber, devemos levantar a sobrancelha. Podemos ver isso positivamente? Claro. Afinal devemos pensar que esse dinheiro está para entrar e será utilizado para a formação de caixa e para investimentos na operação. No entanto, se isso for uma constante para a empresa, podemos estar lidando com uma ameaça ao negócio. Imagine que a empresa tenha um mês fraco e muitas das vendas foram a prazo. Ter baixa liquidez em seus ativos é extremamente negativo aqui. É possível que a empresa tenha que recorrer a empréstimos para exercer o seu próximo mês.

 

Pare e reflita.

Parabéns por chegar ao final de mais um artigo do O Primo Rico. A análise fundamentalista e muito importante para qualquer análise fundamental de empresas que fazemos, ao estruturar um investimento. Não podemos deixar que isso seja algo leviano e nos guiar por achismos ou confiança em fatores que pouco nos dizem.

Lembre-se sempre de conferir se o seu assessor ou consultor tem em dia a análise fundamental das empresas que constam em sua carteira de investimentos, ou se suas sugestões estão bem baseadas em dados factuais e não apenas expectativas infundadas.

Fique conosco para mais artigos que revelarão cada vez mais sobre as diversas facetas da análise fundamental e sobre cada documento contido no espectro contábil de uma organização.

Então boa análise e bons investimentos!

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