Ações: como ganhar dinheiro sem o trading?

O momento econômico atual do nosso país, com inflação baixa e juros em queda, pode ser um bom momento para investir em ações. Mas um dos erros mais comuns...
Ações: como ganhar dinheiro sem comprar e vender?

O momento econômico atual do nosso país, com inflação baixa e juros em queda, pode ser um bom momento para investir em ações.

Mas um dos erros mais comuns do investidor é ler, saber disso, e ir direto para a bolsa de valores sem o devido conhecimento sobre como ganhar dinheiro na bolsa, e até pior: sem conhecimento algum sobre como, ao menos, operar na bolsa de valores.

Claro que todo mundo conhece o método do trade, que é comprar uma ação por um valor, esperar essa ação valorizar, e vender por um preço maior do que o preço pelo qual você comprou. É o tipo de estratégia que mais vemos quando falamos do mercado de ações, principalmente nos filmes de mercado financeiro.

Mas existem outras formas do investidor ganhar dinheiro, e apesar de muitas pessoas saberem disso e até terem uma noção sobre o assunto, muitos ainda não sabem como isso funciona, de fato.

E é para te ajudar a entender isso um pouco melhor que fizemos o artigo de hoje!

Afinal, ninguém quer entrar na bolsa de valores para perder dinheiro, não é mesmo? Equais seriam as outras possibilidades do investidor?

Bom, vamos para uma forma conhecida quase tanto quanto o trading: os dividendos.

Dividendos

A distribuição por dividendos é também uma forma muito conhecida de remuneração de ações. Em si, basicamente o que acontece é que, ao comprarmos uma ação, seria como se nos tornássemos sócios da empresa.

E como sócios da empresa, temos também o benefício de receber uma parte dos lucros dela. Isso é algo que nos é garantido por lei, por existir uma lei da qual obriga a empresa a repassar pelo menos 25% do lucro líquido aos acionistas.

E obviamente, isso será de acordo com a sua participação na empresa. Um cara que tem mais participação na empresa, ou seja, detém mais ações, logicamente receberá um valor maior em dividendos em relação àquele que tem uma participação menor.

Legal primo! E como eu sei o quanto vai ser repassado a mim via ações?

Aqui incide um termo importantíssimo ao investidor, que é o que chamamos de payout. O payout, em si, é a proporção de lucros do qual a empresa repassa aos seus acionistas.

Isso porque o mínimo é 25%, mas a empresa pode definir um valor maior no seu estatuto, como 30 ou 40%.

Então, num exemplo simples, se a empresa teve um lucro líquido de R$100 milhões de reais e no seu estatuto o payout está definido como 30% dos seus lucros, o valor que será repassado a todos os acionistas será de R$30 milhões de reais.

Fácil, né?

Mas não é a única coisa que você precisa entender disso. Porque veja, mesmo que você saiba a porcentagem que será repassada aos acionistas, você não sabe, exatamente, o quanto dessa porcentagem será repassada a você.

E é aqui que entra um outro conceito, que é o dividend yield. É justamente ele que te dirá a quantidade de dividendos que a empresa paga pelo preço de cada ação.

Então, se uma ação tem o valor de R$100, e ela distribui R$20 para cada acionista, isso significa que o dividend yield dela é de R$20!

É geralmente aqui que os investidores mais prestam atenção, porque aqui você tem uma ideia melhor do quanto será repassado a você, belezura?

Bacana!! Então é só procurar pelas empresas que pagam o maior yield e o maior payout?

Não exatamente.

O dividend yield, por exemplo, é resultado de uma fração. Se a empresa está passando por um problema sério e o preço das suas ações despencaram na bolsa de valores, isso pode fazer com que o dividend yield dela suba. Mas isso não significa que a ação se tornou boa, entende?

Da mesma forma, se o payout de uma empresa é grande, isso pode significar que muito do lucro dela é destinado aos acionistas, e pouco dele é destinado ao crescimento, de fato, da empresa. Isso é perigoso.

O ideal é que estes parâmetros sejam pontos relevantes a você, mas que não sejam os determinantes na hora de escolher uma ação. Seguir eles cegamente poderá te levar a decisões erradas, beleza primo?

Mas, claro, não para por aí.

Temos também algumas outras formas da empresa remunerar um acionista. Uma delas é o que nós chamamos de Juros sobre Capital Próprio.

Juros sobre Capital Próprio

O nome é grande, e pode até parecer complicado, mas em fato, não é. Na realidade, o JSCP é bem parecido com os dividendos.

Em ambas as formas de remuneração, a empresa estará repassando uma parte dos seus lucros ao acionista. Mas no caso do JSCP há um diferencial: O JSCP é contabilizado como um CUSTO da empresa.

E lembra que a lei fala sobre lucro LÍQUIDO? Pois bem, o lucro líquido só vem depois do abatimento do lucro bruto da empresa com todos os seus custos.

E aqui é meio que uma jogada da empresa, porque ao fazer isso contabilmente e contabilizar o repasse como um custo, isso permite com que ela tenha um benefício fiscal.

Imaginemos um exemplo:

Se uma empresa tem uma receita de R$100 milhões e todos os seus custos contabilizam R$10 milhões, o seu lucro foi de R$90 milhões, e desse valor ela paga os acionistas e também paga os seus impostos.

Mas, caso ela faça isso como um JSCP, os dividendos pagos em cima desses R$90 milhões são contabilizados também como custo, e a base do lucro do qual ela acaba tendo que pagar imposto é reduzido, e isso acaba sendo vantajoso a empresa, logicamente.

E convenhamos né primo, se você é sócio de uma empresa e ela faz algo benéfico para ela, não tem nada de errado nisso!

Mas um ponto legal disso tudo é que a empresa não necessariamente pode te dar uma remuneração em dinheiro. Ela consegue fazer isso de outras formas.

E aqui vem mais 2 formas do investidor ganhar dinheiro: a bonificação e o direito de subscrição.

Bonificação

A bonificação era um método que muitos bancos utilizavam no passado. Ao invés de você remunerar o investidor com dinheiro, você podia remunerá-lo dando mais ações da sua empresa!

Então, se a empresa conseguiu um trimestre positivo, com um aumento do lucro, existe uma chance de ser bonificado pela empresa com um valor a mais na sua conta, mas em formato de ações.

E é claro, isso não é feito em formato do tipo “gosto desse acionista, vou dar 10 ações pra ele”, isso é feito em porcentagem em relação ao número de ações de cada acionista.

Se a empresa decide bonificar em 5% a cada 100 ações de um investidor, se ele tem 200 ações da empresa, isso quer dizer que ele ganhará 10 ações como bonificação. Entendeu?

Hoje a bonificação não é tão comum, mas acontece!

Direito de Subscrição

E se na bonificação não se escolhe por gosto de acionista, o direito de subscrição tem um pouco dessa ideia.

Isso porque o direito de subscrição, basicamente, é um direito que a empresa dá a um acionista de fazer uma compra de novas ações da empresa, mas por um preço pré-determinado, que pode ser menor do que o preço atual das ações dela.

É como se tivesse um relacionamento íntimo com a empresa e ela te falasse “olha, estou com essas ações disponíveis, e, ao invés de colocar no mercado pelo preço normal, estou te dando a possibilidade de aumentar a sua participação conosco por um preço menor”.

Claro que isso nem sempre é feito por bondade da empresa, mas isso, de qualquer forma, dá um benefício bacana ao investidor, ainda mais se ele gosta da empresa da qual está oferecendo isso a ele.

Mas e se eu não quiser? Eu só recuso?

Bom, aí é que entra outro benefício da subscrição. Porque, mesmo que VOCÊ não queira, tem muita gente no mercado que quer, logicamente, comprar uma ação com uma vantagem.

Então, mesmo que você não queira para você, você consegue vender esse direito de subscrição no mercado! Aí você simplesmente não “perde” a vantagem que a empresa te deu perante as outras pessoas.

Legal, né?

Isso não acontece sempre, e quando acontece, a empresa geralmente te notifica. Então é bom sempre ficar ligado, beleza?

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