20% em 1 mês no Tesouro IPCA+?

Você sempre ouviu falar que o Tesouro Direto proporciona os investimentos mais conservadores do Brasil, aliados a rentabilidades alinhadas pelo mercado e com uma segurança fora de série, certo?...

Você sempre ouviu falar que o Tesouro Direto proporciona os investimentos mais conservadores do Brasil, aliados a rentabilidades alinhadas pelo mercado e com uma segurança fora de série, certo? Agora esqueça tudo isso, pois eu vou te mostrar que é possível especular com o tesouro direto e tirar proveito de tudo isso.

+20% nos últimos 30 dias!

Abaixo você confere a rentabilidade auferida em um Tesouro IPCA+ nos últimos 30 dias! Veja que a rentabilidade ficou próxima de 20%! Incrivel, né? Fique tranquilo que logo depois disso eu te mostro o funcionamento de tudo isso.

Ganhar Mais Tesouro Direto

Rendimentos (fora de série) do Tesouro IPCA

Quando você compra um Tesouro IPCA+ a uma taxa de, digamos, 6,5% para um vencimento de 10 anos, isso significa que você vai aplicar R$ 100.000,00, terá seu capital reajustado pela inflação e ainda terá um rendimento de 6,5% ao ano, certo?

Como você bem sabe, se o seu título render 20% no ano, o único número que importa é o 6,5%, pois o excedente foi reajuste de inflação, e para tanto, não deve ser contabilizado como rendimento. Da mesma forma, se o seu título render 10% ao ano, o único número que você deve olhar é o 6,5%, pois os outros 3,5% foram a inflação.
Partindo dessa premissa, já conseguimos calcular o quanto você teria se segurasse o seu título durante 10 anos! Basta colocar os R$ 100.000,00 como valor inicial, jogar em uma fórmulinha de juros compostos com uma taxa de 6,5% ao ano, e pronto! Chegamos ao número mágico de R$ 212.909,60 (obviamente que daqui 10 anos o valor será maior, mas a diferença será puramente o efeito inflação e não deve ser contabilizado como lucro real).

Então já temos o seguinte: Hoje temos R$ 100.000,00 e daqui 10 anos teremos R$ 212.909,60. O grande problema é: “Se eu resgatar esse investimento, digamos, daqui 3 anos, eu consigo precisar quanto eu resgatarei?”. E a resposta é simples:”Não!”.

Eu poderia me prolongar por muitas horas para explicar o quão complexo isso é na realidade, mas na prática, vou te fazer entender o conceito:

Exemplo Prático e Conceitual:

Imagine que você tem uma dívida com alguém (você deve para alguém) no valor de R$ 100.000,00, e você vai pagar para ela juros de 10% ao ano, durante 5 anos. Nesse exemplo, a taxa de juros no mercado (não a que você está pagando, e sim a taxa básica de juros, a SELIC), está em 10%. Bom, a taxa que você está pagando está em linha com o mercado, né?

Suponhamos agora, que a taxa de juros no mercado subiu para 20%. Qual é o seu sentimento? Seu sentimento é de alegria! Óbvio! Você está “trabalhando com R$ 100.000,00” que não são seus, e está pagando apenas 10% por isso. O valor pelo dinheiro que você está pagando (10%) é muito menor que o de mercado (20%). Por isso, se a gente fosse considerar esses R$ 100.000,00 como um investimento, sob a ótica de quem te emprestou, isso foi um péssimo negócio. Esse “negócio” perdeu valor para a sua contraparte.

Vamos imaginar agora que ele pode negociar esse “título” de dívida que ele tem com você no mercado. Quem vai querer comprar dele um “investimento” que pague apenas 10% ao ano, enquanto qualquer um consegue algo no mercado pagando 20%? É exatamente aí que eu quero chegar. Agora, ele terá que aplicar um “deságio” nessa dívida que tem com você, justamente para esse título ficar emparelhado com as taxas praticadas no mercado.

 

Precificação dessa Dívida

Quando você pegou esse dinheiro emprestado, você pegou R$ 100.000,00 e pagaria 10% ao ano durante 5 anos, certo? Assim, você já sabe que pagaria, no final da dívida, o valor exato de R$ 161.000,00.

É importante ressaltar que no caso da sua dívida, caso ela fosse repassada a qualquer outro investidor, o valor final que qualquer um não mudaria. Seria sempre o de R$ 161.000,00. Porém, como a taxa de juros agora está em 20%, é só a gente fazer um cálculo aqui. Se faltam 5 anos para chegar ao valor de 161 anos e a taxa está em 20%, qual seria o valor do título? O valor seria próximo dos R$ 65.000,00. Ou seja, se alguém “investisse” R$ 65.000,00 nesse investimento (ou dívida), a uma taxa de 20% ao ano com um prazo de 5 anos, chegaria no mesmo valor que o investidor anterior.

 

Conclusão

Ou seja, o valor final nunca é mudado. Essa “dívida” funciona da mesma forma para os investimentos no Tesouro Direto que possuem parte ou todo o título pré-fixado. Da mesma forma que no exemplo da dívida acima um investidor tomou um “Deságio”, é possível que o investidor tome um “ágio” caso a taxa de juros CAIA ao invés de subir igual aconteceu no exemplo. Foi justamente isso que aconteceu naquela foto que coloquei no começo do post!

 

E aí, achou muito complexo? Fique tranquilo! Isso só é complexo caso você queira especular. Caso você invista para o longo prazo, você não vai ter de se preocupar, ok? Agora seria interessante receber um feedback seu aqui embaixo nos comentário. Achou difícil?

 

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