O berço de ouro define o sucesso?

Afinal, o berço de ouro define o sucesso de alguém? Será que isso é verdade ou apenas uma falácia? Se você já conversou com alguém sobre riqueza e pessoas...
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Afinal, o berço de ouro define o sucesso de alguém? Será que isso é verdade ou apenas uma falácia? Se você já conversou com alguém sobre riqueza e pessoas ricas, provavelmente já deve ter ouvido e até mesmo falado frases como:

“Ah, ele nasceu em berço de ouro, é claro que é rico ”

“ Nascendo em berço de ouro fica fácil ”

E várias outras frases parecidas.

Mas, primos, será mesmo que o berço de ouro define o sucesso de uma pessoa?

Para responder essa questão, fomos buscar alguns dados na história, começando pela primeira vez em que a Forbes listou as 10 pessoas mais milionárias do mundo, em 1987.

Desta lista, irei comentar sobre 3 casos dos milionários listados que passaram suas fortunas por herança, e o que aconteceram com elas!

 

Caso 1: Taikichiro Mori

Começo, então, pelo segundo mais rico da época: Taikichiro Mori.

Taikichiro, era empresário e fundador da construtora Mori Building Company, do qual o rendeu uma fortuna estimada em aproximadamente 15 bilhões de dólares, o que o garantiu a posição número 1 posteriormente nas edições da Forbes de 1991 e 1992 como o mais rico do mundo.

Taikichiro morreu em 1993 e deixou sua empresa e fortuna para seus 2 filhos: Minoru Mora e Akira Mori.

E o que aconteceu com a família Mori nos dias de hoje?

Minoru morreu em 2012 com uma fortuna estimada em 1.6 bilhões. Seu irmão, Akira, ainda está vivo com uma fortuna avaliada em 4.8 bilhões de dólares.

Se fizermos a soma dessas duas fortunas e descontar a inflação do período de 1987 até hoje, considerando que 1991 foi o ano em que Taikichiro estava com sua fortuna em 15 bilhões, chegamos que a fortuna da família Akira, em valores de 1987, estaria em aproximadamente 2,9 bilhões, o que significa uma perda de aproximadamente 80% do patrimônio que o pai deles tinha.

 

Caso 2: Salim Ahmed

Já o segundo caso é sobre o quinto lugar da lista, Salim Ahmed, criador do maior banco da Arábia Saudita.

Salim, em 1987, detinha o valor estimado em sua fortuna de 6,2 bilhões de dólares. Já seu herdeiro veio a falecer já em 2009, com um valor em sua fortuna de 3,2 bilhões de dólares.

E o que aconteceu?

Se fizermos o mesmo processo que feito antes e descontar a inflação no período de 1987 até 2009, concluímos que, em valores de 1987, a fortuna do herdeiro de Salim equivalia a 1,69 bilhões de dólares, ou seja, uma perda de 72,75% do valor que o Salim tinha em 1987.

 

Caso 3: Yohachiro Iwasaki

O último caso é de outro japonês, Yohachiro Iwasaki, onde trabalhou principalmente na produção de bebidas alcoólicas e posteriormente no ramo de extração de madeira. Seu patrimônio chegou a ser avaliado em 5,6 bilhões de dólares pela Forbes.

E seu herdeiro?

Já seu herdeiro, Fukuzo Iwasaki, morreu em 2012 com um valor estimado em 5,7 bilhões de dólares. Se descontarmos a inflação no período, teríamos algo em torno de 2,82 bilhões de dólares, o que representaria cerca de 49,5% de perca do patrimônio de Yohachiro.

 

Mas, afinal de contas, o que podemos concluir com estes casos?

A conclusão fica mais evidente quando olhamos para a lista da Forbes atualmente. Todos estes faziam parte das 10 pessoas mais ricas do mundo em 1987. Nenhuma destas 10, e nem seus herdeiros, estão mais entre os top 10 mais ricos do mundo, nem mesmo entre os 20 mais ricos do mundo.

Tudo isso revela um fato interessante: O fato de que é MUITO, mas MUITO difícil se manter no topo por muito tempo.

Claro, todos os casos que eu citei ainda se mantiveram ricos, mas perderam muito do seu patrimônio se vermos as porcentagens.

Agora, qual seria o grande motivo para essa incapacidade de aumentar o patrimônio com o tempo? Por que muitos perdem tanto dinheiro assim conforme o tempo passa?

Vejo a explicação no fato de que são poucos aqueles que conseguem se adaptar às mudanças do mundo e também em como lidar com o dinheiro.

Vejamos o nosso primeiro exemplo. Mori se aproveitou de uma grande demanda por estrutura e faturou muito com a sua grande construtora imobiliária.

Mas a competição aumentou devido às oportunidades e as parcelas de lucro diminuíram. Fora que, naquela época, o mercado imobiliário teve problemas duros com uma bolha, também.

Além disso, o mercado não cresceu tanto quanto o número de empresas que apareceram e, num ramo completamente diferente, nasceu a internet, que deu lugares a novos bilionários assim como o Bill Gates.

O mundo muda o tempo todo, crise acontece, oportunidades diferentes aparecem. 4 anos atrás o tesouro direto era de longe o investimento com a maior relação custo/retorno do Brasil. Não dá para dizer o mesmo dele agora.

Para quem cuida de um grande negócio, seja como empreendedor como o Bill Gates, seja como investidor como o Warren Buffet, precisamos estar sempre atentos ao mundo ao nosso redor, pois o berço de ouro pode ajudar, mas o fator determinante é e sempre foi a criatividade para se criar riqueza e continuar, constantemente, acompanhando a evolução do mundo globalizado e explorando todas as possibilidades que ele oferece.

Se olharmos ainda para os dias atuais, vemos que isso está muito mais evidente agora, num tempo onde muitos dos bilionários e ricaços de hoje simplesmente não conseguem chegar ao fim da vida nem com 80% do patrimônio que já chegou a ter, como é o caso de Jorginho Guinle, conhecida figura brasileira que herdou uma quantia milionária e gastou tudo em festas, viagens e mulheres.

A história simplesmente nos mostra a essência da Teoria do Berço de Ouro: de que simplesmente não adianta de nada herdar uma grana alta se você não tem noção de administrar todo esse dinheiro e fazer ele trabalhar para você.

Se não há visão empreendedora, se não há visão das mudanças do mundo ou se não há nem ao menos noção de como gerir um patrimônio, toda essa herança é perdida na primeira geração e na segunda geração da família.

Então, futuros primos e primas ricas deste país, essa é uma lição que vocês têm que levar para a vida:

O topo cresce e muda de figura a cada ano, e só aqueles que conseguem acompanhar,(o que é difícil por si só) são aqueles que se mantém no topo.

Um deslize, e assim como Eike Batista, tudo se perde num piscar de olhos.

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