E se a corretora quebrar? O que acontece?

A dúvida “e se a corretora quebrar?” causa medo em muita gente. Principalmente naqueles que estão começando a investir agora e não entendem ainda muito bem onde os seus...

A dúvida “e se a corretora quebrar?” causa medo em muita gente.

Principalmente naqueles que estão começando a investir agora e não entendem ainda muito bem onde os seus investimentos são guardados.

Afinal de contas, se a corretora quebrar eu quebro junto?

O que acontece, na realidade, quando uma corretora pede falência?

São estes questionamentos que eu pretendo responder neste artigo.

Mas, já de antemão:

Podem ficar tranquilos!

Apesar de realmente causar muito medo nos investidores, a corretora quebrar não significa que você irá perder seu investimento.

Para poder explicar melhor para vocês, irei primeiramente falar sobre o que são as chamadas CENTRAIS DE CUSTÓDIA.

E, claro, o que são os chamados AGENTES DE CUSTÓDIA.

 

Centrais de Custódia

As centrais de custódia são entidades que foram criadas justamente com o propósito de serem responsáveis pelo registro, pela custódia e também pela liquidação financeira de títulos e valores mobiliários.

Atualmente temos 3 centrais de custódia: a CBLC, a SELIC e a CETIP.

A CBLC é encarregada da custódia dos títulos públicos e também do mercado de ações, visto que ela está ligada com a BM&F Bovespa.

Além disso, ela também é encarregada da liquidação de operações realizadas por dois sistemas de pagamentos, conhecidos como “PUMA” e “Bovespa Fix”.

A SELIC já se encarrega da custódia dos títulos advindos da dívida pública federal interna, ou DPMFi.

Ela atua principalmente na política monetária na liquidação das operações de mercado aberto e de redesconto.

No caso desta, vale lembrar que ela fica com a custódia dos títulos públicos, mas caso estes sejam adquiridos diretamente pela corretora.

Por fim, a CETIP serve como central de custódia de várias aplicações:

  • Derivativos, como um contrato a termo, por exemplo;
  • Títulos de Renda fixa, como CDB, LCI, etc;
  • Cotas de fundos de investimentos;
  • COE, Certificado de Operações Estruturadas.

Talvez, com a aquisição da CETIP pela BM&F, podemos ver alguma mudança na forma de visualizar estes registros.

Mas, por enquanto, nada mudou.

 

Agentes de Custódia

Já os agentes de custódia são instituições financeiras, como a sua corretora, que são habilitadas para ser a intermediária das suas operações de compra e venda dos mais diversos tipos de investimento.

É ela que acaba sendo o agente que liga o investidor com as centrais de custódia.

Imaginemos um exemplo com o tesouro direto:

Você vai lá e decide, por meio do portal do tesouro direto, comprar uma unidade do tesouro Selic.

Beleza, você preenche os dados da operação e escolhe o quanto de unidades quer e escolhe uma corretora como o seu AGENTE DE CUSTÓDIA.

Agora, ao concluir essa operação, você encarregou a corretora de administrar a custódia do seu investimento.

PORÉM, em uma conta SUA, registrada com o SEU CPF, dentro de uma central de custódia, que, no caso do tesouro, é a CBLC.

Apesar da corretora, nesse caso, intermediar as operações na sua conta, tirando e colocando unidades na sua conta perante a CBLC, é a CBLC que é responsável por guardar efetivamente os seus títulos.

É a CBLC que exerce, assim, a custódia do seu título.

É justamente por esse motivo, por exemplo, que, ao investirmos no tesouro, nos deparamos com a taxa de custódia CBLC.

É por termos o investimento guardado na CBLC que a CBLC nos cobra uma taxa, a título de remuneração, por fazer a guarda dos nossos investimentos.

Ah!

No caso, essa taxa pode ser entendida também como uma taxa da BM&F Bovespa, já que, desde a fusão da BM&F com a Bovespa em 2008, a então BM&F Bovespa, que agora é B3, passou a se tornar a administradora da CBLC.

 

Ou seja, se a corretora quebrar…

Quando investimos, temos que olhar para qual é a central de custódia onde está guardado o nosso investimento.

Pois é nesta central de custódia que o nosso investimento está guardado.

E é também por isso que, se uma corretora quebrar, não perdemos o investimento.

Basta que façamos a transferência de agente de custódia!

O investimento, em si, continua guardado, sem sofrer nenhuma alteração.

O que perdemos com a falência da corretora é justamente o agente de custódia, que era o agente que intermediava nossas operações.

Agora as centrais de custódia, com os nossos investimentos guardados, continuam ali, com ou sem a corretora.

 

E qual a dica?

A dica é: procure saber se o seu investimento está devidamente registrado na central de custódia.

Se você fez um investimento num CDB, por exemplo, entre no site da CETIP e veja se o CDB está registrado lá!

Da mesma forma, para seus títulos públicos e ações, procure verificar se o investimento está na CBLC usando o CEI, Canal Eletrônico do Investidor.

Essas são suas garantias de que, se algo ruim acontecer com o seu agente de custódia, pelo menos os seus investimentos estão devidamente seguros.

Espero que tenham gostado primos, e até a próxima! 🙂

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