Conheça 6 armadilhas mentais que podem afetar investidores

Por muito tempo, o mundo dos negócios foi guiado pela lógica, e todas as decisões eram tomadas a partir de dados. Apesar de parecer possível na teoria, ficou claro,...

Por muito tempo, o mundo dos negócios foi guiado pela lógica, e todas as decisões eram tomadas a partir de dados. Apesar de parecer possível na teoria, ficou claro, ao longo dos anos, que características mais emocionais do comportamento humano, também, estão envolvidas nas escolhas dos investidores.

Esse conceito ganhou ainda mais força, depois dos estudos dos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky. Graças às suas pesquisas, ficou comprovado que os investidores utilizam vários caminhos psíquicos para as suas decisões.

E, apesar de parecerem corretos, muitos acabam se tornando armadilhas mentais que podem afetar investidores. Pensando nisso, separamos alguns exemplos para você. Entenda!

Qual o conceito de armadilhas mentais?

Em um contexto mais teórico, as armadilhas mentais são conhecidas como vieses pela psicologia econômica. Elas são um conjunto de comportamentos que fazem com que os investidores cometam erros.

De acordo com Kahneman e Tversky, o grande problema é que, na maioria desses casos, isso não é percebido pelo próprio investidor, que não consegue ser totalmente racional ao ponto de analisar as aplicações e, muitas vezes, nem considera os riscos.

Para chegar a essa conclusão, os dois cientistas perceberam que a maioria dos participantes de sua pesquisa confiava cegamente em afinidades ou estereótipos. Eles evitavam se basear em fatos comprovados para tomar suas decisões, desprezando parte das informações para selecionar opções mais fáceis e rápidas, ou seja, realizavam uma heurística.

Portanto, para os dois cientistas, há um limite de racionalidade por parte das pessoas. A maioria sofre influência de suas emoções e possui comportamentos padrões para fazer escolhas.

Além disso, boa parte das decisões acontece em situações complexas e confusas, em que não há tempo para que eles analisem as circunstâncias. Nesse contexto, separamos algumas das armadilhas mentais mais comuns, costumam atingir quem está no mundo dos negócios.

Quais são as armadilhas mentais que podem afetar investidores?

1. Excesso de confiança

Esse termo apareceu pela primeira vez em uma das análises dos pesquisadores Marc Alpert e Howard Raiffa. Para comprovar sua tese, os dois fizeram um jogo de adivinhação, no qual perguntavam às pessoas o quanto elas tinham certeza sobre uma certa opinião ou sobre suas respostas. A maioria errava mais do que acertava, e os resultados eram ainda piores com especialistas.

O problema não é muito diferente quando se trata dos investidores. Muitos costumam ter uma autoconfiança exagerada, porque conhecem o mercado e acreditam que os acontecimentos serão como esperam.

O que poucos observavam é que, ao cultivar esse pensamento, as chances de frustração são bem grandes. Um bom exemplo, é o que aconteceu na grande crise de 2008, em que boa parte dos economistas acreditavam que nada ia acontecer e foram surpreendidos.

Logo, procurar ser mais cético perante as alternativas do mercado e pensar em possibilidades pessimistas para definir suas ações é a melhor forma de lidar com isso.

2. Aversão à perda

Essa é outra questão importante e que, de certa forma, está ligada ao excesso de confiança. A crença exagerada em si mesmo pode trazer uma tendência a ser extremamente otimista e desprezar os fatos negativos. O cérebro tem o costume de deletar coisas ruins. Assim, o indivíduo está propenso a só guardar aquilo que confirma o que acredita.

Se, por exemplo, para um investidor, uma certa aplicação é a melhor opção para longo prazo, mesmo que haja notícias e dados comprovando sua fragilidade, ele procurará por elementos que indiquem que o que acha é o correto.

Então, quando acontece uma perda, a associa a outros fatores e não ao erro em si. Inclusive, se o investimento vai bem, ele tende a celebrar exageradamente. A forma mais adequada para combater esse comportamento é sempre contar com os riscos e procurar enxergar as aplicações não como resultados absolutos.

3. Valorização excessiva

Aqui, o investidor pode dotar de uma autoconfiança exagerada quando tem algum bem ou investimento. O que acontece é que como o seu ativo está indo bem no mercado, ele costuma valorizá-lo exageradamente.

A consequência é que a pessoa evita vender ou mesmo comprar outros ativos. Pois ela acredita que aquilo que ela tem é mais valioso do que o que os outros querem pagar.

Na mente desse investidor, a aplicação é um padrão para as outras. Assim, se o investimento é valorizado, ele acha que todos também serão. Um bom exemplo, são aquelas pessoas que aplicam em imóveis ou em ações.

A consciência de que nenhum investimento está protegido de riscos é a melhor estratégia. Além disso, vale a pena sempre analisar seus investimentos baseando-se em fundamentos comprovados.

4. Só considerar o sucesso

Outro grande problema no mundo dos negócios é só prezar pelo sucesso. Conhecido como viés de sobrevivência, esse comportamento é a suposição exagerada de que sempre haverá êxito em tudo o que se fizer.

O nosso cérebro tende a ver mais o sucesso do que o fracasso, então, a tendência é considerar os exemplos de carreiras e investimentos bem-sucedidos e não os que não foram tão bem.

A melhor forma de lidar com isso é ser realista. Procurar conhecer os projetos, as aplicações e as empresas que não deram certo e avaliar os motivos.

5. Sentir-se preso à reciprocidade

Apesar de ser um sentimento nobre, a reciprocidade pode colocar o investidor em uma difícil situação. De acordo com as pesquisas do cientista Robert Cialdini, as pessoas não gostam de se sentir culpadas. Para evitar esse sentimento, elas são capazes de se pressionar para retribuir.

O mal disso é que essa atitude prejudica as relações profissionais e financeiras. Muitos investidores podem se sentir coagidos a apostar em um mal negócio, já que conhecem o dono, ou mesmo, porque em algum momento foram ajudados por ele.

Para evitar isso, é preciso que o investidor recuse presentes ou favores de seus parceiros de negócios a fim de que as relações não se misturem e ele não se prejudique.

6. Sentir-se tranquilo porque está bem informado

Hoje em dia, há muito acesso à informação e, consequentemente, existe a ideia de que quanto mais informado você for, melhor serão as suas decisões. No mundo dos negócios, o processo não é muito diferente. Entretanto, segundo Rolf Dobelli, ex-executivo do grupo suíço Swissair e cofundador da empresa getAbstract, isso é uma mentira.

Apesar de dados serem um importante complemento para as tomadas de decisões, ainda assim, a realidade é mais complexa do que parece e é preciso contar com a sua imprevisibilidade. É o que aconteceu na crise de 2008 nos EUA e Europa. Muitos economistas tinham estudos e relatórios, mas não conseguiram impedir o colapso.

Prestar atenção no que está acontecendo e não só se basear em informações é a melhor coisa a se fazer para evitar desagradáveis surpresas.

Bem, estas foram as armadilhas mentais que podem afetar investidores. Quer receber mais assuntos como este? Então, assine a nossa newsletter e não perca mais nenhum dos nossos conteúdos!

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