Crédito Rotativo: entenda a nova regra do cartão de crédito

Há muito tempo que o consumidor brasileiro tem utilizado o rotativo do cartão de crédito para realizar as suas compras. Como modalidade de crédito, o rotativo sempre foi uma...

Há muito tempo que o consumidor brasileiro tem utilizado o rotativo do cartão de crédito para realizar as suas compras. Como modalidade de crédito, o rotativo sempre foi uma grande vantagem para os usuários, pois mantinha a possibilidade de continuar usando o cartão de crédito sem freios.

Porém, esse ano, boa parte das diretrizes dessa linha mudaram. Neste texto, vamos esclarecer o que mudou no crédito rotativo. Confira!

O que é o crédito rotativo?

O rotativo é uma condição de crédito pré-aprovado fornecido pelos bancos para cobrir os gastos mensais do cartão de crédito. Ele é concedido mesmo que a fatura não seja paga até a sua expiração. Uma das principais vantagens desse crédito é que o consumidor pode pagar 15% da fatura até o vencimento e assim não fica inadimplente. O restante da dívida vai para o mês seguinte, acrescida de juros.

Caso não consiga quitar o valor no próximo mês, ele poderá continuar pagando o valor mínimo de 15% sucessivamente. Entretanto, esse ano, na resolução nº4.549, foram estipuladas novas regras para esse tipo de crédito.

O que mudou no rotativo do cartão de crédito?

As mudanças nas diretrizes do rotativo do cartão foram aprovadas no dia 26 de janeiro deste ano pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Contudo, a medida só entrou em vigor no dia 03 de abril. Para facilitar o assunto, nós separamos em 4 pontos as principais mudanças que afetam o consumidor:

Como ficou o pagamento mínimo da fatura?

Um dos principais pontos alterados pela nova regra é em relação a disponibilidade do pagamento mínimo da fatura. Se antes o consumidor podia pagar 15% sucessivamente, agora ele só poderá fazer isso no primeiro mês. Após esse período, se ele não liquidar a fatura, a dívida se transforma automaticamente em um financiamento com menores juros.

Além disso, o cliente tem permissão para realizar um parcelamento da dívida, porém não poderá renovar o rotativo enquanto não pagá-la. No caso do pagamento mínimo, agora são acrescentados outros valores como: a fatura anterior não paga, mais os encargos do crédito, mais 15% dos gastos do mês e, caso exista, o financiamento de outras faturas.

Para facilitar a visualização, vamos exemplificar a questão: suponhamos que a sua fatura de cartão seja R$300,00. Você resolveu pagar apenas o mínimo dela no primeiro mês, ou seja, R$45,00.

Na próxima fatura você terá que arcar com R$255,00 do saldo restante, mais 15% dos seus gastos atuais, suponhamos que tenham sido R$60,00, o que dará uma média de R$9,00. Talvez você tenha feito um financiamento de outra fatura, algo em torno de R$50,00. Então no total você terá que pagar: R$255,00 + R$60,00 + R$9,00 + R$50,00 = R$314,00, além dos juros do rotativo do mês anterior.

A regra é válida para todos os tipos de cartões de crédito?

Não exatamente, cartões de crédito consignados não entram nas novas regras. Contudo, os cartões de lojas sim, mas só é possível o financiamento da fatura quando há uma instituição financeira envolvida.

Se forem os cartões da categoria private label que não estão ligados às financeiras, a legislação vigente é a do Decreto nº22.626 (Lei da Usura).

Outra questão é que é de responsabilidade da instituição financeira aderir a nova regra e, por isso, é ela que deve informar aos clientes sobre as mudanças, assim como tomar as medidas cabíveis para a melhor adaptação dos contratos.

E como fica o parcelamento?

O cliente não tem obrigação de parcelar a dívida se não quiser. Porém, se escolher essa alternativa, a principal vantagem é em relação aos juros. Caso o cliente não consiga pagar o valor total da fatura e não quer aceitar o financiamento proposto pelo banco, ele entra na categoria de inadimplente.

Após 24 meses da dívida, o banco pode parcelar automaticamente a fatura, contanto que, pelo menos, uma entrada (a primeira prestação) tenha sido paga.

Essa medida é benéfica para o consumidor?

A maioria entende que, apesar de sua praticidade, o crédito rotativo oferece muitas chances da situação financeira se transformar em uma bola de neve. Como o consumidor podia pagar o valor mínimo sucessivamente, enquanto realizava outras compras, a dívida nunca liquidava.

Para alguns especialistas a mudança é muito benéfica. Primeiro, porque acaba com esse mal hábito de nunca quitar a dívida, tornando-a cada vez maior. Segundo, pelo valor final que, com a possibilidade de financiamento, terá juros menores, tornando a despesa mais barata.

Por exemplo, suponhamos que pelo sistema antigo do rotativo do cartão a sua dívida seja de R$2.000,00 e que no primeiro mês você resolva pagar o mínimo, ou seja, R$300,00.

Vamos considerar que os juros médios oferecidos pelos bancos para esse crédito seja algo em torno de 16.4%. No próximo mês, então, você teria que pagar R$1.978,80. Nessa situação novamente você resolve pagar o mínimo. No final de um ano a dívida ficará em torno de R$5.200,00.

Contudo, pela nova forma, com o valor fixo das parcelas R$330,00, por exemplo, contando com os juros médios oferecidos, em um ano você quitaria a dívida com R$ 3.760,00, o que seria uma economia de quase R$2.000,00.

Além de ser uma ótima vantagem para o consumidor, essa nova regra é favorável para os bancos, já que o rotativo sempre foi um crédito pré-aprovado em que o risco de calote era muito grande. Para as instituições financeiras era necessário destinar mais dinheiro para administrar os casos de inadimplência. Inclusive, esse é um dos motivos pelos quais os juros são tão altos nessa modalidade.

Outro benefício é em relação aos casos de rotativos que não foram pagos até o vencimento da fatura. É permitido que o cliente contrate outro produto de outra instituição para liquidá-lo. É possível, inclusive, realizar um empréstimo pessoal em outro banco e a vantagem é que os juros serão menores.

Com todas essas informações sobre o rotativo do cartão de crédito ficou fácil de entender as novas regras, não é? Se você quer saber como você pode melhorar ainda mais o uso do cartão de crédito, confira mais um de nossos posts: 5 dicas para aprender a usar o cartão de crédito!

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