Conformação e Eutimia – A Grande Aposta (The Big Short)

“Conformação” = “Resignação para Suportar Males” “Eutimia” = “Saber Esperar com Calma” A Grande Aposta – Atenção e Informação Bem vindos leitores do O Primo Rico à primeira resenha...
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“Conformação” = “Resignação para Suportar Males”

“Eutimia” = “Saber Esperar com Calma”

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A Grande Aposta – Atenção e Informação

Bem vindos leitores do O Primo Rico à primeira resenha financeira do site: A Grande Aposta (The Big Short). Nessa nova coluna do site você vai poder me acompanhar através dos maiores filmes sobre o mercado financeiro e descobrir o que você investidor, poderá aprender com os maiores mestres da dramaturgia contemporânea. Essa nossa resenha conterá spoilers leves da trama dos filmes que retrataremos, pois julgamos que estas são essenciais para o entendimento deste artigo e para o seu aprendizado.

O escolhido para o primeiro estudo do site é: A Grande Aposta (The Big Short – 2015). Optamos por falar sobre esse filme pela relação entre o cenário atual brasileiro e sobre a crise americana de 2008. Muito do que vemos hoje em nosso cenário, é uma repercussão direta provinda da crise imobiliária, que pode ser percebido através da desaceleração da China, a cautela americana e o quebra-quebra europeu.

O filme retrata a jornada de três grupos de investidores que descobrem antecipadamente sobre a bolha imobiliária que virá a eclodir em 2008. Ele se passa em um período de dois anos, iniciando-se em 2006 e tendo seu desfecho em meados do segundo semestre de 2008, no momento em que o banco de investimentos Lehman Brothers fecha suas portas.

Não podemos dizer que este filme foi feito para qualquer um. Para o espectador desavisado, a carga dramática e as ricas interpretações fornecidas por Brad Pitt, Steve Carell, Ryan Gosling e Christian Bale são o suficiente para proporcionar momentos de ficar na ponta da poltrona. Mas a trama, recheada de jargões e termos complexos do mercado financeiro, dificilmente pode ser interpretada por um espectador mais desatento. Apesar de sua complexidade, o diretor Adam McKay, conhecido por dirigir diversos filmes de comédia, faz o seu melhor para tentar elucidar sua plateia, colocando celebridades para explicar através de metáforas, uma situação ou outra que são indispensáveis para o bom entendimento de toda a crise.

Considerando que até hoje, a maioria dos especialistas do assunto ainda não entende plenamente o que ocasionou a crise de 2008, o que dirá o público de um filme, que está apenas em busca de entretenimento. E é por isso mesmo que eu sei que você, leitor do O Primo Rico, tem muito a ganhar acompanhando essa coluna e tomando lições valiosas de como se portar frente a crises e como descobrir se uma realmente está vindo ou não.

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Lição Um: Olhe!

“Não é o que você não sabe que vai coloca-lo em apuros, mas é aquilo que você tem certeza que não vai” – Mark Twain.

É com esta célebre frase de Mark Twain que o filme inicia, definindo assim seu tom e seu ritmo. Para que possamos entender o filme como um todo, essa frase deve ficar em nossas mentes por toda essa jornada, afinal ela está intrinsecamente alinhada com o cerne do problema que ocasionou a crise de 2008.

Podemos resumir o trabalho de Michael Burry (Gestor de fundo de investimentos. Personagem interpretado por Christian Bale) com apenas um verbo, ele é responsável por “saber”. Esse é o trabalho de qualquer gestor de fundos de investimentos. Quando falamos de um fundo, temos que ter em mente uma estrutura complexa como uma empresa, cujo único objetivo é investir o dinheiro de seus investidores e lhes garantir retorno seguindo certas regras.

No Caso de Michael Burry, foi exatamente o que ele fez. Ele sondou por todos os mercados por oportunidades de investimento que fossem trazer um alto retorno para os seus investidores. Podemos ver no filme que ele é uma pessoa excepcional. Tendo passado por traumas na infância devido ao seu olho de vidro, Michael Burry sempre foi introspectivo, gerando uma capacidade analítica além da média, que foi de grande avalia para seus patrões no mercado financeiro.

No decorrer das cenas iniciais do filme, encontramos Michael Burry indo contra a maré, ele decidiu que iria investigar as bases do mercado imobiliário americano. Acontece o seguinte: o mercado imobiliário sempre foi considerado tão seguro como o Tesouro Nacional. Ele sempre foi visto como um investimento e nunca como uma ferramenta de dívida. Mas não foi isso que Michael constatou com sua análise. Ele viu que a maioria dos investimentos nesse mercado estavam predestinados ao fracasso. Isso se deve a vários problemas envolvendo crédito sem cobertura, hipotecas sem cobertura, pessoas se endividando e vários outros problemas envolvendo finanças pessoais.

Parece que o problema era micro, o que acontece é que quase toda a classe média americana tinha algum vínculo com esse mercado, assim como todo o mercado financeiro. Ou seja Michael viu que alguma hora as pessoas não conseguiriam honrar seus compromissos financeiros, acarretando uma quebradeira geral.

Para ficar mais simples: Imagine que você tem um cartão de crédito com uma fatura que você não está conseguindo pagar. Para quitá-lo você abre conta em outro banco, toma crédito e quita o primeiro cartão. Mas agora a segunda fatura também é desproporcional com a sua capacidade de pagá-la. Para solucionar esse problema, você abre uma terceira conta e assim por diante. Agora imagine que mesmo abrindo essas contas todas e tomando todo esse crédito, você não foi capaz de arcar com toda a dívida que adquiriu e se tornou inadimplente. Por fim, você não esteve sozinho nessa empreitada, milhões de pessoas tomaram essas dívidas e se tornaram inadimplentes. Com isso, todos os bancos vão deixar de receber e acabarão ruindo. Temos assim, uma crise do mercado financeiro.

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Lição dois: E porque ninguém agiu antes?

Como o filme A Grande Aposta mostrou com maestria, o problema da crise de 2008 só foi se tornando aparente conforme o mercado todo foi sentindo a sua chegada, apesar de que os dados que demonstravam uma clara fraqueza do sistema estavam lá para que todos pudessem ver. Uma frase dita pelo chefe de Michael Burry nos mostra como o problema foi agravado pela falta entendimento do sistema: “Você olhou as hipotecas uma por uma? Ninguém sabe o que tem nelas, só os advogados que as montam”.

Isso serve para nos mostrar como a inatividade ou o olhar cético são prejudiciais, tanto para o mercado, como para o nosso dia-a-dia. Se não sabemos a origem de um CDB, se não nos interessamos pelo banco que o emite, ou pelas garantias que são dadas para tal tipo de investimento, podemos estar agindo como a manada agiu em 2008 e ignorando sinais óbvios de que algo está prestes a dar errado, ou que temos uma boa oportunidade em mãos.

Complementando esse entendimento, logo no meio do filme Mark Baum (Steve Carell. Gestor de um fundo custodiado pelo Morgan Stanley) se dirige à agência S&P para questionar o porquê dos títulos de hipoteca não terem baixado de valor, se ninguém mais estava pagando tais hipotecas. A resposta que ele tem é estarrecedora e medonha. A atendente da S&P apenas responde que se a agência deles não derem a classificação positiva para esses títulos, outra empresa o fará, por um preço menor ainda.

O que podemos aprender com isso? A não confiar em ninguém? A guardar o nosso dinheiro em baixo do colchão? A desistir dessa vida, pois nada mais faz sentido? Nada disso!!!

Temos que lidar com essa situação, ou melhor, com essa perspectiva do mesmo modo que com o resto da nossa vida, seja a nossa saúde, seja a rede de informação que acessamos, ou o título de um banco em que investimos nosso capital. Temos de ser céticos com o que a manada nos mostra e começar a questionar e dialogar com os profissionais desse meio. Se você já usa algum serviço de assessoria de investimentos, procure um profissional e dialogue com ele. Um profissional interessado e qualificado tem a obrigação de confortá-lo frente a esse mercado incerto. Peça para que ele “olhe” para você, para que ele investigue e descubra se os seus investimentos são mesmo os melhores.

Caso você tenha tempo, faça isso por conta própria. Se você está interessado em ações de certa empresa, por que não buscar saber mais sobre seu quadro de dirigentes? Sobre seu balanço? Sobre seus planos para o futuro? Essa não é uma estratégia apenas do O Primo Rico. Warren Buffet o maior profissional de mercado vivo, realiza seus investimentos apenas após uma extensa verificação do ativo que ele pretende adquirir. Com essa estratégia ele se tornou um dos homens mais ricos do mundo e com certeza, o investidor mais respeitado de todos os tempos.

 

Lição três: A dúvida pode causar pânico, mas seja paciente.

Em seu momento derradeiro Mark Baum se encontra emocionalmente desestabilizado. O mercado financeiro americano ruiu a sua volta, tudo por causa da ganância de poucos e do pouco caso de muitos. Ele tem em suas mãos uma decisão que pode torna-lo um homem rico, mas a pressão o está destruindo. Tudo o que ele acreditava, o mercado que ele julgava conhecer tão bem, havia traído os Estados Unidos e agora ele estava descrente, até consigo mesmo. Seus companheiro de equipe insistiam para que ele tomasse uma medida drástica e vendesse todas as suas posições, adquirindo assim alguns bilhões de dólares e tornando todos os seus clientes em homens muito ricos. Mas a dúvida e o medo persistiam e a agonia do momento tomava conta dele.

Ele fez o que qualquer profissional em uma situação de stress deve fazer. Ele aguardou e observou.

Em um momento anterior, Michael Burry recebia seu chef em seu escritório. Este por sua vez se encontrava instável “Michael, eu quero meu dinheiro de volta. Devolva o meu dinheiro Michael”, ele demandava. No entanto Michael havia tomado medidas preventivas quanto a isso. Ele sabia que possuía direito irrestrito ao capital de seu fundo, então impediu que seus clientes realizassem uma retirada, o que resultaria no término de seu cargo e de todas as negociações que ele realizou.

Quando Michael foi pressionado por seu chefe, o que ele fez? Ele observou e aguardou.

Quando um caçador se depara com uma fera, ele não parte para o ataque. Ele respira fundo, traça calmamente seus próximos passos, observa o ambiente ao seu redor e toma uma ação decisiva, totalmente pensada e baseada em seus conhecimentos prévios. Não podemos ser impulsivos frente a adversidades. A lição do filme é clara nesse momento e é refletida em todos os personagens. Devemos agir apenas de caso pensado e com muita calma. A pressa é inimiga da perfeição.

Isso não quer dizer que você não deva confiar em seus instintos. Voltando ao exemplo do caçador, este não mira ao abater a fera. Ele sabe aonde e como deve atirar, por instinto. Instinto esse que é criado tendo como base seus ensinamentos, suas experiências, suas tentativas e seus fracassos. O instinto nada mais é do que um modo que o nosso cérebro tem de acessar e reunir todos os nossos conhecimentos em forma de um movimento definitivo que pode nos dar uma enorme vantagem frente a uma dúvida ou dificuldade. Sendo assim, confie em seus instintos.

E por fim o mais importante: A massa é burra!

Michael Burry foi pressionado por seu chefe e por clientes. Mark Baum foi pressionado por seus colegas de equipe desesperados. Mas no fim os dois estavam certos e os dois se tornaram homens muito ricos e reconhecidos no mercado. Isso por que eles “olharam”, por que eles agiram e por que eles confiaram em seus instintos. O que deu a eles a confiança de que estavam certos foram os outros. Os corretores de investimentos imobiliários que eram ignorantes em sua totalidade. Os bancos que eram superconfiantes e gananciosos. E as agências de risco que eram corruptas.

Eles olharam para a massa e perceberam que ela estava dentro de um ônibus rumando a um desfiladeiro. E a massa achava que o ônibus podia voar.

Estude, se informe e consulte um profissional que você possa confiar. Ainda faremos artigos tratando sobre os profissionais de mercado. Fique no aguardo e aproveite mais essa Resenha Financeira do O Primo Rico

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