Categoria: Renda Variável – Ações

Lute Contra o Tempo – Conheça o Mercado de Opções

Alguma vez você já ouviu a expressão “Tempo é Dinheiro”? Não existe nenhum ambiente em todo o mundo de investimentos ou ações aonde essa máxima é mais verdade do que no mercado de opções.

Provavelmente você já deve ter lido alguma reportagem com os dizeres “Lucro de mais de 300% em opções de Petrobrás”, ou se não algum guru predizendo “Fique rico investindo com opções”. É, com certeza você ficou se perguntando “Mas o que diabos é isso? Opções? E o que isso tem a ver com Petrobras?”

Caro leitor, não se desespere. Nesse artigo irei discorrer sobre o intrincado mercado de opções, sobre como ele pode te ajudar a se proteger da flutuação do mercado e te ajudar a desvendar essas manchetes chamativas de rentabilidades absurdas.

 

           1 – Entendendo o que é o mercado de opções

Não temos como falar de bife sem falar do boi. Para entender como algo pode te beneficiar, é prudente aprender antes como este mesmo algo funciona. Vamos com calma, não tenho a intenção de ser muito técnico, nem de falar um linguajar estapafúrdio, que vai parecer que eu sou um PHD querendo esfregar o meu diploma na cara dos outros.

Para entender basicamente o que é uma opção e como ela se insere no mercado de opções você deve participar de uma brincadeirinha comigo. Vamos lá, se anime, vai ser divertido e você vai aprender!

Parabéns leitor, você casou!!! E como toda pessoa responsável, agora você não mora mais com sua família, mas sim com sua esposa. Tendo em mente que você nunca teve qualquer problema de locomoção, o transporte público sempre lhe serviu bem, além de ser mais econômico e dar menos dor de cabeça. No entanto, pensando em sua nova família e na nova localização da sua casa, você vai precisar de um carro novo…

Ora essa, um carro novo é muito caro! É um produto muito exclusivo, além de que não pode ser um carro pequeno, afinal você quer gêmeos. Sendo assim você vai atrás do que pode ser chamado de “mercado secundário” de veículos, aonde você não adquire o veículo de uma revendedora, mas sim de uma pessoa física. Sabemos muito bem que o preço de um carro depende muito de duas coisas: Da condição do carro e da disposição do mercado em adquirir aquele carro. Isso te deixa em uma situação muito vulnerável, pois você nunca sabe qual o preço do veículo amanhã, ou daqui a um mês, que é quando você está pensando em adquiri-lo. O que fazer? Não seria muito mais simples se você pudesse fazer um contrato hoje e estipular o preço do carro lá no futuro?

Pois as opções são exatamente isso! No caso, você está pensando em fazer um contrato de opção de carro. Assim você estabelece um preço para certa data, se protegendo da volatilidade do preço do carro! Uma opção de ação é isso aí, um contrato que estabelece um preço definido para certo ativo.

           2 – Os participantes em uma opção: Lançador e Tomador

Agora que você já entendeu o que é uma opção, vamos entrar em um ponto mais técnico. Estamos falando aqui que a opção é um contrato, sendo assim ela precisa ser celebrada entre duas partes distintas, um que terá deveres frente a outro. É como um contrato de prestação de serviços, o prestador deve o serviço e o contratante tem o direito de receber o serviço a ser prestado. Isso não é diferente no mercado de opções.

Vamos voltar ao exemplo do carro. Você leitor, que acabou de se casar, é a pessoa interessada em adquirir o carro. Sendo assim, para se proteger da flutuação do preço do carro, você compra uma opção de compra de carro. O que quer dizer que, dado determinada data, você tem a opção de comprar o carro pelo preço que você combinou com a pessoa dona do carro. Você é chamado de tomador nessa operação.

Em outras palavras, o tomador da opção é sempre aquele que tem o direito de exercer a opção. Agora você deve estar se perguntando “Peraí, se eu tenho o direito de exercer a opção, então quer dizer que eu posso optar por não comprar o carro?”. Exato! É exatamente por isso que o contrato é chamado de opção, por que você pode ou não exercer o contrato.

Nesse mesmo exemplo, a pessoa que firmou o contrato com você e se comprometeu a vender o carro, é chamada de lançador. No caso, (com certa ironia) o lançador não tem muita opção nessa situação. Ele tem o dever de lhe vender o carro na data limite que vocês estipularam.

Recapitulando: o tomador tem o direito (a opção propriamente dita) de exercer o contrato de opções, enquanto o lançador tem o dever (ou a obrigação) de realizar sua parte.

           3 – O livre arbítrio é demais

Parece injustiça quando olhamos para o lado do lançador. Ele tem apenas deveres e obrigações quando se tratam de opções. Mas temos que lembrar que o interessado em toda essa situação é o tomador que está buscando se proteger. Afinal de contas ele que dirá se o contrato vai para frente ou não.

Mas agora, por que o tomador faria isso?

Novamente vamos nos lembrar, o tomador está mais atrás é de proteção. Sendo assim, se ele assina um contrato que o obriga tomar certa ação em uma data específica e ele não sabe qual o futuro do preço do ativo dele, então ele não está tão protegido assim.

Para que você entenda melhor, vamos voltar ao exemplo do carro. Digamos que você tenha fechado uma opção de compra do carro a R$ 10 o contrato e o que está combinado é que você pagará R$ 60.000 pelo veículo. Chegamos ao famigerado dia da compra e você se depara com uma incrível notícia de que o seu carro nunca mais vai ser produzido e isso fez com que o preço de mercado dele fosse as alturas. Bom, sendo assim você tem um negocião nas mãos. Um carro que agora já passou de R$ 100.000 está a sua disposição por R$ 60.000 e o lançador nada pode fazer além de lhe vender o carro. Mas e se você não desse tanta sorte?

Digamos agora que justamente o modelo que você estava comprando deu um defeito de fábrica e um recall foi ativado. De R$ 60.000, ele agora vale apenas R$ 45.000. O que você vai fazer? Exercer o seu direito de comprar o carro pela opção? É claro que não!!! O direito de comprar ou não o carro por R$ 60.000 é todo seu, o contrato de opção diz isso.

Entendeu bem agora? A opção de comprar (ou vender) é sempre do tomador e o lançador não pode fazer nada quanto a isso. Isso significa que o lançador sempre se da mal? Não necessariamente. No nosso exemplo, o lançador que queria lhe vender o veículo ficou sem sua venda, mas ele embolsou os R$ 10 que a emissão do contrato de opção lhe custou. Ou seja, o tomador é o quem irá receber pela emissão da opção, afinal é ele quem lhe deu a opção.

Esse seria um exemplo mais básico de como o mercado de opções opera, mas ele realmente é muito mais complexo em seu dia a dia. Entrarei em mais alguns detalhes a frente.

           4 – Mas é só para comprar que vale a proteção?

Na nossa anedota você estava em busca de um carro para comprar, pois precisava de um meio de locomoção mais eficiente para a sua família. Mas e se você precisasse de dinheiro e tivesse o carro em mãos?

Depois da nossa história, imagino que sua resposta imediata é “Bom então eu me torno o lançador de uma opção de compra de um carro e espero alguém me exercer”. Sim isso é possível sem dúvida, mas quem quer vender é você. Quem quer se proteger do mercado é você. Ou seja, se você virar lançador você terá um dever e não um direito. Nessa qualidade você não está protegido da flutuação do mercado de automóveis.

Sendo assim, vamos inverter apenas o nome e não os papéis do contrato. O que você fará para se proteger do mesmo jeito é uma opção de venda de carro, assim em determinada data, você pode optar por vender o seu carro para o tomador da vez, ou vender para o mercado, quem quer que esteja pagando mais.

No “mundo real” é pouco comum vermos as pessoas negociando opções de venda de ativos muito comuns, como Petrobrás ou Vale, mas elas são muito empregadas na comercialização de commodities. A bem dizer, todo o mercado de opções se originou do mercado de commodities, pois isso possibilitava que o agricultor vendesse sua safra antes da extração, tendo assim capital para trabalhar antes da colheita. Mas mais sobre commodities em outro artigo.

           5 – Mas e ficar rico? Dá? 

Bom, você ainda deve estar pensando nesse ponto afinal, como falamos lá no começo do artigo, riqueza instantânea é o principal meio de se divulgar o mercado de opções, mas lamento dizer caro leitor, que o enriquecimento rápido só se da na loteria ou com alguma herança de um tio rico do interior de Minas Gerais.

O que acontece é o seguinte, você se lembra do que falei sobre o lançador? Sobre o fato de ele ser o cara que fica com a grana do contrato de opção? Então, esse contrato pode ser negociado pelo tomador. Em bolsa mesmo, como se fosse uma ação qualquer. No entanto o contrato custa muito pouco, afinal de contas ele não tem nada vinculado a ele, apenas o direito de compra ou venda de certo ativo. Acontece que ele pode sofrer um aumento de preço repentino, dado certa situação. Imagine o seguinte:

Hipótese:

  • Dia 20/06
  • Petrobrás está R$ 10,00
  • Existe uma opção de compra de Petrobrás a R$ 15,00, para vencer em uma semana. Ela custa R$ 0,1 centavo

É claro que mesmo essa opção custando R$ 0,1 centavo ninguém vai compra-la. Afinal qual a chance de Petrobrás atingir R$ 15 em uma semana sem nada acontecer. Mas então.. acontece! Um poço de petróleo novo é encontrado!!! Isso faz com que Petrobrás se supervalorize. Se você quer comprar as ações de Petro mais baratinho, então você vai querer comprar as opções que dizer que você pode entrar no negócio a apenas R$ 15,00 (o ativo já está R$ 20,00). Nesse caso todo mundo vai começar a comprar adoidado e as opções começam a custar até R$ 1,10.

Não é muito não é mesmo? A, mas é sim. Uma valorização de R$ 0,1 para R$ 1,10 representa 1100% de valorização. O que significa que se você tivesse R$ 10.000 nessas opções de Petro, agora você poderá vende-las a R$ 110.000,00. Isso é que é rentabilidade!

Entendeu agora? As opções podem sofrer tanta alteração, por que a demanda por elas pode explodir de uma hora para outra, mas quem sabe quando isso acontecerá? Quem participou desse trade de opções de Petro. Provavelmente ninguém que eu ou você conheçamos. É extremamente improvável e imprevisível de acontecer. Seu capital está mais bem investido em alguma ação ou em renda fixa mesmo.

Pare e Reflita

Hoje aprendemos o básico sobre o mercado de opções. Vimos para o que serve uma opção, que existem opções de compra e venda, o que significa você ter uma obrigação ou um dever e estamos até agora lidando com a terrível realidade de que não ficaremos milionários da noite para o dia com o mercado de opções.

Leitura sugerida:

Análise fundamentalista
Análise de empresas
Análise gráfica

Análise de ações e 5 vantagens para seus investimentos

Caro leitor do O Primo Rico, é muito provável que você já tenha ouvido falar sobre o termo análise de ações. Também já deve ter se perguntado “pra que serve esse negócio e como ele pode me ajudar ao investir em ações?”. Bom, você está no lugar certo para encontrar essa resposta.

Leitor, como toda pessoa preocupada com sua saúde, já deve ter ido ao médico fazer o famoso check up algumas vezes (se você não foi, o que está esperando!?). Nele o clinico geral realiza uma bateria de exames, cruza seus resultados e através dele faz um diagnóstico seu, relativo a sintomas no seu corpo e então diz se você está saudável ou não e lhe fornece recomendações sobre como aprimorar o seu estado atual, para ter um resultado melhor no próximo exame.

Bom, a Análise de Ações é muito similar a isso! Mas no caso,você é o médico e o paciente é a empresa que estamos analisando. Através de uma série de levantamentos de dados nós podemos analisar qualquer empresa e dizer se ela é saudável ou não. Ainda mais, podemos dizer o que a deixaria com uma carinha melhor e considerar um investimento futuro em seus ativos, caso ela demonstre estar seguindo o caminho que previmos.

É óbvio que o foco aqui são os investimentos em empresas na bolsa de valores, mas podemos sempre realizar a análise focando em investimentos de private equity, ou até para a sua empresa própria, caso você seja empreendedor.

Mas afinal de contas, como podemos ganhar dinheiro com isso?

 

1 – Garantindo Segurança Através da Análise de Ações.

Voltando ao exemplo do médico, sabemos que o doutor pode atuar com certeza do que está falando apenas quando ele tem o resultado de todos os exames em mãos. Desde a primeira consulta até o diagnóstico final, ele tem uma vaga ideia do que o paciente possa ter, mas nunca terá qualquer garantia de estar pensando no ponto certo, antes de ver os resultados.

Temos uma situação semelhante ao olharmos para as empresas na bolsa. Podemos ser investidores gabaritados e termos um conhecimento exacerbado da situação de cada um dos ativos na nossa carteira, mas nunca poderemos garantir com segurança o futuro deles sem ter um embasamento técnico mínimo.

É justamente nesse ponto aonde a Análise de Ações atua. Através de documentos como o Balanço Patrimonial, o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) e etc. podemos levantar uma série de dados relevantes para tirar conclusões embasadas sobre a saúde da companhia em questão. Podemos ver se ela está gastando bem seus recursos, se as vendas andam bem, se ela tem capital de giro o suficiente para pagar suas dívidas, se ela vem reinvestindo em seu negócio e expandindo, etc.

Ou seja, esses documentos nos mostram se o coração da empresa bate com saúde (ou se o colesterol vem atacando), se em seus pulmões entra um ar puro (ou se ela fuma) e se seu corpo se move com disposição (ou como um sedentário). Assim podemos tomar decisões com mais confiança e mais assertividade. Não vamos acertas 100% das vezes (nem acertaremos totalmente), mas podemos nos assegurar de eventuais desastres (ou ganhar com eles) e nos antecipar frente a mudanças de ritmo econômico.

 

2 – O Oráculo Dos Analistas

Leitor, você não está aqui por acaso. Você é uma pessoa muito bem informada e que se mantém antenado. Por isso mesmo sei muito bem que você conhece a figura de Warren Buffet. Se não conhece, saiba você que o senhor Buffet deve sua incrível fortuna e sucesso empresarial às bases da análise de ações. É dito que ele é um dos investidores que mais toma seu tempo ao ser ofertado uma oportunidade. No entanto, também sabemos sobre sua incrível capacidade analítica e seu ótimo faro para bons negócios. Afinal de contas não é todo mundo que desembolsa mais de 30 bilhões de dólares em um único investimento.

Warren Buffet faz tudo isso utilizando-se da incrível capacidade que a análise de ações tem de antever o futuro de uma empresa. Como temos o conhecimento sobre sua saúde atual e de seus resultados no passado, temos consciência de como ela pode vir a se comportar no futuro. E não estamos falando apenas do futuro próximo.

Imagine que você está pensando em investir capital em uma empresa de informática. Sabemos como o mundo da tecnologia funciona. É muito comum uma empresa inovadora se destacar no cenário com um produto diferenciado e se estabilizar como a detentora de uma vantagem que pode perdurar durante vários anos. Como a análise de ações pode nos auxiliar a determinar um investimento nessa empresa.

Ainda nesse exemplo, digamos que a empresa esteja desenvolvendo um novo chip para computadores, algo que aumentará a capacidade de processamento de várias máquinas na produção de certo produto. Bom, não temos como saber como o desenvolvimento desse chip anda, mas através de um olhar cauteloso em seus demonstrativos, vemos que ela vem direcionando uma quantidade grande de capital em pesquisa e desenvolvimento. Através disso podemos esperar que ela esteja trabalhando com tudo nesse chip, mas ainda assim isso é o suficiente para nos antevirmos? Como ela é uma empresa de tecnologia, a área de pesquisa e desenvolvimento é essencial para o seu crescimento. Sendo assim, mesmo não tendo qualquer conhecimento sobre o estado do chip, podemos concluir que, caso a empresa demonstre estabilidade através de seus outros indicadores contábeis, ela pode representar um bom investimento no longo prazo.

 

3 – Um Bom Termo de Comparação.

Acredito que como eu você já deve ter passado por aquele momento aonde temos nosso primeiro contato com o mundo das ações. Abrir um Home Broker e pensar “Meu Deus, o que é tudo isso e como saber aonde colocar o meu dinheiro?”. É natural se sentir sobrepujado por todas as diferentes opções e situações do mercado de ações, mas pode ter certeza de que a análise de ações pode te ajudar a se situar.

Muitas vezes o problema pode não ser a indecisão com base no todo, mas sim pensando em alguns exemplos. O que eu quero dizer é, em caso de dúvida entre um ativo ou outro, como podemos saber em qual deles nosso dinheiro trará mais retorno, ou até, qual deles tem mais chance de desvalorizar?

Através de uma série de análises quantitativas e qualitativas, envolvendo margem de lucro, margem de retorno, e etc. podemos ter uma boa ideia sobre qual aplicação pode nos dar um retorno mais garantido com o tempo, qual ativo pode nos propiciar um risco baixo frente a um retorno considerável, qual empresa pode nos dar retorno x no prazo y e por aí vai.Sem os dados concretos dos DRE´s e dos balanços das empresas, seria impossível ter qualquer grau de comparação entre elas, que não seu histórico passado. E olha que existe um ditado no meio dos investimentos “histórico não garante rendimento”.

 

4 – Analisando em Grupo. Percebendo Tendências do Setor.

Quando falamos de empresas e ações é muito comum falarmos de setores definidos, para categorizarmos um grupo de empresas que atuam em um meio similar. Por exemplo, no Brasil temos o setor de mineração e siderurgia que é composto pela Vale, pela CSN, pela Gerdau, pela Samarco e assim por diante. Nós separamos essas empresas nesse grupo, pois sabemos que todas elas são afetadas por fatores similares, como variação cambial, flutuação no preço do minério de ferro, questões logísticas e outras mais.

A análise de ações pode nos auxiliar na percepção mais clara desses fatores. Através dos resultados obtidos de nossa análise, é sempre possível cruza-los com indicadores macroeconômicas e segmentá-los de acordo com o que vemos. Logicamente essa é uma estratégia que faz mais sentido quando aplicada à um grupo de empresas e não a apenas uma. Afinal de contas precisamos realizar o levantamento levando em conta os efeitos que um dado aspecto macroeconômico tem em todas as empresas de um determinado setor.

Por exemplo, podemos perceber os efeitos do aumento da cotação do minério de ferro, ao identificarmos um aumento na receita de uma empresa mineradora. Ou podemos apontar o que o dólar causou no balanço desta mesma em presa e caso diversas outras companhias tenham um comportamento similar, podemos dizer que elas se encontram setorizadas.

Mas afinal de contas no que isso nos ajuda? É simples, através da setorização de empresas, temos agora a capacidade de tomar decisões mais ágeis, apenas tendo em conta os dados macroeconômicos de um dia. Se estávamos realizando a análise de uma empresa mineradora e detectamos que futuramente o câmbio ou o minério de ferro sofrerão alguma variação, devemos reavaliar a situação para adequar o cenário futuro.

Afinal de contas, quando vamos ao médico realizar um exame, nos é perguntado de certos hábitos alimentares e de estilo de vida, ou seja, informações que podem ser relevantes para o diagnóstico médico. Se identificamos certas exposições ao risco de uma empresa, dado o seu setor, temos que levar isso em consideração na hora das nossas aplicações.

 

5 – Está Caro ou Barato? Dando o Preço Certo!

Por fim, o último ponto relevante que gostaria de ressaltar para a nossa análise de ações, pode te dar uma grande vantagem em relação ao mercado na hora de investir! Afinal de contas, quem poderá dizer que conhece as empresas melhor do que você, que fez todos os levantamentos importantes?

Ao olharmos no nosso Home Broker, vemos que os preços das ações são completamente inconstantes. Se olharmos agora podemos ver um certo ativo a 9 reais, mas minutos depois ele pode estar a 9,15 ou 8,45, dependendo do decurso das notícias do dia, que podem afetar o setor daquela empresa, ou a empresa em si. Agora, uma coisa é certa, toda essa especulação que ocorre em volta dos preços dos ativos pode acabar tirando eles de seus valores corretos. Afinal de contas, a análise de ações nos dá uma visão bem exata do quanto uma empresa vale.

Sendo assim, podemos ter plena consciência do valor correto de um ativo e agir de acordo. Vamos à um exemplo. Certo dia percebemos que a empresa Petrobrás demonstrou uma grande estabilidade em seus ativos. Ela vem desempenhando bem, seus compradores vem pagando em dia e seu caixa se manteve constante durante todo o ano, resultando em lucro no final do fechamento. Mas de todo jeito uma notícia explodiu no começo do dia e ela dizia que um imposto viria a ser aplicado à empresas petrolíferas, dentro de 2 meses. Sendo assim, o preço da ação começou a cair vertiginosamente. Estranho, não é? A empresa demonstra estabilidade e confiabilidade no longo prazo. É muito provável que ela reverterá essa situação do novo imposto, pois tem um caixa cheio e uma operação bem estruturada, mas mesmo assim as ações caíram. Bom, como um investidor bem munido de informações você sabe que isso não passa de um pânico momentâneo e adquire algumas unidades do ativo da empresa. Meses depois, após um novo balanço muito positivo, o valor dos ativos voltam a crescer e você vende suas ações com lucro na operação!

 

– Pare Por Aqui e Reflita.

Hoje vimos algumas vantagens que você obtém utilizando-se da análise de ações. É uma vantagem competitiva que você adquire frente ao mercado. Ela pode aumentar a segurança dos seus investimentos em ações, pode ajudar você a prever certos acontecimentos de mercado, abrindo a possibilidade de novos trades, assim como direcionar melhor o seu capital de investimento.

Nunca se esqueça de conferir se o seu assessor ou consultor está bem informado em sua atividade. Se ele não utiliza esse tipo de análise para te guiar em seus investimentos, converse com ele e estabeleça uma carteira mais adequada para a situação do momento.

Caso você ainda não esteja sendo orientado, cheque nossa assessoria gratuita! Confira, não custa nada (literalmente).

Análise Fundamentalista – o coração de uma empresa

Você já deve ter se perguntado como um investidor de sucesso faz para definir se sua compra é de qualidade ou não. Afinal de contas, como podemos definir se uma empresa é boa, se ela é muito cara, se ela está se valorizando, ou até se tem capital para honrar suas dívidas? É claro que estou falando da Análise Fundamentalistauma excelente técnica para investimentos em ações.

É através desses tópicos que podemos investir com maior segurança. Aliás, meu caro leitor do O Primo Rico, essa estratégia não é exclusividade minha não! O maior investidor do mundo, Warren Buffet, utiliza-se dessa técnica da Análise Fundamentalista para saber dizer se uma empresa é confiável ou não. Eu diria até que o senhor Buffet vai muito além do que apenas analisar a qualidade da empresa se baseando em números. Ele estuda o currículo de seu atual gestor, seu histórico de gerência e os valores que ele pode agregar à instituição sob análise. Mas vamos deixar esses pontos para depois e nos focar no básico da análise fundamentalista.

Esse é o primeiro artigo de uma série que realizaremos aqui no O Primo Rico, dando uma pincelada por cima dos conceitos principais da análise fundamentalista, te preparando para se tornar um investidor de gabarito e capaz de criar uma carteira que faça sentido com você e com o mercado.

 

 – As raízes da Análise Fundamentalista: Está tudo nos números.

Uma curiosidade: a Análise Fundamentalista tem esse nome por uma boa razão. Ela busca estudar todos os principais fundamentos de uma empresa, através de uma série de documentos e fórmulas que nos informarão resultados concretos sob a atual situação de qualquer companhia. Obviamente que estamos lidando com companhias de capital aberto e inseridas na Bolsa de Valores, caso contrário, não teríamos acesso aos dados necessários para a nossa análise.

“Mas então como eu consigo todas essas informações? Que tipo de documento pode nos dar uma valor X que vai me dizer ‘Invista’ ou ‘Não Invista’?” É claro que não é tão simples. O resultado que vamos obter é completamente interpretativo. No entanto, como podemos aplicar a Análise Fundamentalista em qualquer empresa, teremos então um critério de comparação que nos auxiliará em nossa tomada de decisão.

Deixe-me dar um exemplo, através de uma pergunta retórica: Por que, em uma sala de aula, o professor aplica uma prova? O professor tem o objetivo de ensinar certo conteúdo a seus alunos e caso estes não demonstrem ter absorvido o conhecimento devem repetir o ano. Para dizer se um aluno aprendeu ou não, o professor aplica uma prova, cuja nota máxima é 10. Trazendo para o nosso caso, a Análise Fundamentalista dá uma nota para as empresas, nota essa que pode ser comparada com outras instituições e que podem seguir o nosso critério e o nosso apetite ao risco. No meu caso sou moderado, sendo assim invisto apenas em empresas “nota 7,5” (por exemplo).

 – Uma fonte que nunca seca – Os documentos da Análise Fundamentalista.

Vamos agora ver de onde tiramos todos esses dados e todos esses valores. Quanto as contas vamos deixar para outro artigo, não se preocupe. Considere este apenas o primeiro passo de um longo caminho que vamos trilhar juntos, para desvendar as empresas listadas na bolsa de valores.

Um dos principais documentos que necessitamos para realizar uma análise fundamentalista mais apurada de qualquer empresa é o Balanço Patrimonial. Esse demonstrativo financeiro é responsável por nos mostrar dados extremamente relevantes das companhias, como o seu patrimônio líquido, as suas compras, os seus investimentos, o caixa disponível, etc e etc.

Ou seja, através do balanço temos a “foto” da situação da empresa nesse momento. Podemos ver logo de cara se ela está endividada e caso esteja, se ele pode arcar com essa dívida. É possível analisar também a qualidade dos ativos da empresa e dos passivos resultantes dessas aplicações… erm, está ficando complicado.

Como o Balanço Patrimonial é estruturado: Basicamente, cada linha do balanço é uma movimentação financeira ou um bem pertencente à companhia. Essa movimentação pode ser colocada em uma de duas colunas, a coluna de ativos e a de passivos. Entenda os ativos como os recursos que a empresa tem para desempenhar suas atividades, então desse lado (esquerdo) temos o estoque da empresa, o caixa, os ativos circulantes, os realizáveis e os de longo prazo. Temos também os direitos de recebíveis da empresa, como por exemplo empréstimos da qual ela é a beneficiária, vendas a prazo, recebíveis de todos os tipos e etc.

Já, do lado direito, temos o passivo e o patrimônio líquido. O passivo nada mais é do que as obrigações da empresa. Toda compra que ela realiza, cada aquisição de um novo imóvel, aumento de estoque, aumento de caixa, etc. deve resultar em uma entrada de um passivo. Por exemplo, se a empresa comprar um imóvel, teremos uma entrada nos ativos declarando que o imóvel foi adquirido e que vale X. Do outro lado, no lado do passivo, teremos uma descrição de uma dívida para com uma imobiliária, com valor equivalente a X também. Perceba então que para cada valor encontrado no lado dos ativos, temos um valor similar no lado dos passivos. São as origens de cada bem da empresa. Podemos assim, ter a ideia de como a companhia está gerindo seus recursos e assim, saber se ela tem como honrar suas dívidas ou sustentar sua operação e estrutura, pelo menos no curto prazo.

No lado do passivo temos também um campo a parte, denominado de Patrimônio Líquido. Como estamos falando de ações aqui e de análise fundamentalista, é extremamente importante prestarmos atenção nesse campo, uma vez que ele representa as obrigações da empresa para com seus acionistas. Mais sobre isso, você pode conferir em nosso artigo específico sobre balanço patrimonial. No futuro, iremos discorrer sobre como podemos analisar todo o balanço em prol de uma decisão sobre a qualidade de investimento de uma empresa listada em bolsa.

 

 – Ouvindo a batida do coração – Analisando o demonstrativo de resultados.

O próximo documento que é relevante para você, futuro analista de fundamentos, é o Demonstrativo de Resultados. Ao passo que o balanço da empresa nos mostra uma foto momentânea, tempo corrido é tudo para o demonstrativo. Ele é quem nos dirá como o dinheiro entra e sai da empresa, levando em consideração apenas a sua atividade principal e os custos atrelados à ela.

Temos aqui então que definir um período de atividade para analisarmos. É muito comum diversas empresas americanas trabalharem em quartis (trimestres). É um período curto o suficiente para termos uma média e longo o suficiente para que nenhum desvio padrão afete muito o resultado. É óbvio que podemos (e muitas vezes até devemos) analisar o mês a mês, mas dificilmente ele nos revelará se a empresa tem uma certa constância em seus resultados ou não. Pense assim, se ela dá lucro no final de cada trimestre de sua operação, então ela aparenta ser estável para um investimento à médio prazo, mas se analisarmos sua situação mensal, podemos perceber que ela é extremamente volátil e instável, o que pode ser prejudicial para uma carteira de curto prazo.

Uma análise fundamentalista do demonstrativo, também pode nos indicar a sazonalidade de um negócio, indicando o momento de alta ou baixa de uma ativo. Pode nos mostrar se algum fator macroeconômico (como dólar, ou valorização de commodities) pode ter algum efeito sobre o resultado de uma empresa, nos conferindo uma capacidade de previsibilidade da flutuação de uma ação, ou até uma perspectiva de um cenário de longo prazo.

Quais os itens do demonstrativo:

  • Receita da operação (Rop): venda do produto principal, sem levar em conta outros ativos vendidos.
  • Custos da operação (Cop): Por exemplo custos de produção, energia, transporte, distribuição e por aí vai.
  • Custos administrativos (Cadm): Não vinculados a produção direta. Vendas, funcionários, marketing, e vai.
  • Despesas financeiras (Df): Caso a empresa tome empréstimos, ela agora deve juros.
  • Resultado Operacional (Ro): É o resultado de todas as somas e subtrações descritas acima. (Rop-Cop-Cadm-Df=Ro)
  • Resultado não-operacional (Rno): É o que entrou da venda de ativos, ou seja, receita que não tem a ver com a venda do produto principal da empresa.
  • Lucro/Prejuízo antes do imposto (Ebitda): Aqui vemos o caminho final. Vou explicar mais a frente esse ponto, devido a sua importância.
  • Impostos e contribuições: “Patrocínio” do governo.
  • Lucro líquido: O que sobrou. Ele tem uma importância muito grande para a empresa, afinal ele não é apenas o “salário” dos acionistas e empresários, ele representa a capacidade que a empresa tem de gerar capital para ser reinvestido e crescer futuramente.

 

 – Ebitda positivo – Uma empresa a se investir?

Qual a finalidade da análise fundamentalista? Basicamente é nos dizer se uma empresa é saudável, ou não, certo? Isso, e o que o Ebitda nos diz?

Vimos que ele é calculado levando em consideração todo o custo operacional da companhia, sua receita e a receita de certos ativos. Sendo assim ele tem relação direta com o foco principal da empresa, a produção e venda de um produto, ou a prestação de um serviço. Se a empresa tem a capacidade de dar lucro já é certeza de que ela é boa para se colocar capital, correto? Errado!

Não é a toa que analisamos uma extensa gama de demonstrativos durante a análise fundamentalista, pois cada um tem um ponto a ser levado em consideração. É muito positivo vermos uma empresa com Ebitda positivo, mas raramente é algo que pode nos dizer sozinho se a empresa é compra. Vou explicar através de um exemplo.

Durante todo o ano de 2014, vimos a Gol Linhas Aéreas sofrer duramente com o cenário interno e externo. Ela penava na mão da Infraero e ainda estava se adaptando com sua nova gestão interna e diversos novos conceitos administrativos que ela deveria absorver se quisesse sobreviver às mudanças de mercado e a crise que estava por vir no Brasil. Ela fechou o ano de 2013 com um prejuízo bem grande, mas seu balanço mostrava uma boa saúde financeira, sendo ela capaz de pagar suas dívidas e manter a sua operação de uma maneira forte. Foi então que em 2014 a coisa começou a ir para o brejo. Tendo sua operação fundamentada em dólar, a desvalorização cambial que o Brasil começou a sofrer fez com que o mercado repensasse sobre a companhia e suas ações caíssem de R$ 14 para míseros R$ 4. O que a Gol poderia fazer?

Mesmo frente a esse cenário, a gestão não demonstrou fraqueza. Ela continuou impondo resistência às mudanças que fariam com que outras empresas de mesmo ramo fechasse às portas e continuou com certas medidas administrativas agressivas, visando tomar mais espaço de mercado ao mesmo tempo em que ela diminuía seus custos. Seus resultados ao longo de todo 2014 foram de prejuízo minguante, mas constante, ao passo que seu Ebitda se mantinha positivo. Isso indicava aos investidores que a empresa tinha sim muita responsabilidade em sua administração e que a causa de seus prejuízo era externa.

 

 – Pare por aqui e reflita.

Parabéns leitor! Se você me acompanhou até aqui então você deu seus primeiros passos em direção à um novo mundo de investimentos. Temos sempre que lembrar a importância de tomarmos movimentos pensados, quando o assunto é investimento, não importa o quão arrojado você seja. A análise fundamentalista é uma ferramenta extremamente útil nesse cenário, podendo conferir segurança ao investidor mais desatento.

Caso você não se considere um analista propriamente dito, vale a pena estudar o método para entrar em contato com um profissional do meio que fará a análise por você. Assim, estando em sintonia com seu assessor/consultor, tenho certeza de que ambos terão uma qualidade de vida muito melhor.

Fique ligado para mais artigos aqui no O Primo Rico, aonde trataremos do investimento em renda variável e mais métodos de análise.

Ficamos por aqui e bons investimentos!

Aplicando a Análise Fundamental de Empresas

Hei você aí, é você mesmo, assíduo leitor do O Primo Rico. Neste artigo nós vimos alguns documentos indispensáveis para realizar a análise fundamentalista de uma empresa. Hoje você vai descobrir quais lições podemos tirar de todos os documentos que levantamos e saberá como realizar a análise fundamental de empresas.

Tenha em mente que esses artigos são voltados para o mercado de renda variável e para a compra de ações, mas se você é um empresário ou pretende se tornar um investidor anjo ou de venture capital, você também pode aplicar a maioria desses conhecimentos em suas atividades, uma vez que as características das empresas que levantaremos nessa análise, podem e devem ser consideradas para avaliarmos a saúde do negócio e sua viabilidade em prazos variados.

No entanto, um acionista muitas vezes pode ser preocupar apenas em prever a direção que um negócio irá tomar, seja ele positivo ou negativo, focando lucro em curto, médio ou longo prazo. Vamos ao negócio.

Antes de iniciarmos, confira esse outro artigo direto no nosso blog e aprenda a investir utilizando-se das técnicas da análise gráfica de ações. Recomendamos que você leia também o nosso guia completo para iniciantes em ações e aprenda os termos técnicos para se guiar nesse meio.

 

O fluxo do dinheiro – Os indicadores operacionais para uma boa análise fundamental.

Pode ser verdade que o dinheiro não traga felicidade, mas quando estamos falando de empresas e resultados, ele certamente garante uma boa dose de conforto. Assim sendo, vamos ver como podemos tirar esse nosso conforto dos Demonstrativos de Resultado. A análise fundamental de empresas não é uma ciência exata, pois podemos nos deparar com um resultado negativo em uma ponta, mas termos uma interpretação diferenciada dos métodos de cada companhia. Mais sobre isso logo a frente.

  • Margem Operacional

Esse indicador nos mostra o quanto cada real que a empresa emprega em seu negócio retornou no fim da cadeia de operação. Compreenda operação como a atividade principal da empresa, seja a venda de um bem ou a prestação de um serviço. Um exemplo seria uma empresa que gastou R$ 100.000,00 na aquisição de máquinas, no pagamento de contas de energia, na distribuição de seu produto… até sua venda final, que retornou uma receita de R$ 1.000.000,00. Dividindo um pelo outro, temos que a margem operacional da empresa é de R$ 10,00 para cada R$ 1,00 gasto, ou seja uma margem de 10%.

Através desse indicador temos como projetar um resultado futuro. Se sabemos que a empresa lucrou X em um dado período e tem a pretensão de investir esse mesmo X em produção futuramente, podemos estimar o retorno que isso trará.

É óbvio dizer que nada é tão simples e a relação não é tão direta, afinal seria como se tivéssemos uma máquina de dinheiro, aonde basta injetar capital para que ele cuspa mais. Ainda sofremos a ação de fatores externos à capacidade produtiva e de escoamento da empresa, como a demanda, fatores governamentais, concorrência e por aí vai.

 

  • Margem Ebitda

Não vou me prolongar aqui, uma vez que a Margem Operacional e a Ebitda levam em consideração os mesmos fatores. A única diferença é que a Ebitda não considera as despesas financeiras e a depreciação de maquinário e outros bens. Sendo assim ela serve melhor para uma análise de caixa, tendo mais utilidade para uma análise contábil do que operacional.

 

  • Margem Líquida (ou o que sobrou)

Novamente semelhante a operacional, mas aqui já deduzimos impostos e outras despesas de depreciação e financeiras. É importante separarmos a margem nesses três grupos, uma vez que isso facilita na análise fundamental de empresas. No caso, se tivermos uma margem Ebitda de 10%, mas uma margem líquida de apenas 5% (ou até negativa), sabemos que a empresa está sofrendo demais com a coleta de impostos e pode ter sérios problemas em se manter a um médio prazo.

 

  • Retorno Sobre Patrimônio

Especialmente importante para o investidor em ações, o retorno sobre patrimônio nos mostra o quanto o patrimônio líquido dos investidores foi relevante para uma empresa. Ele é calculado dividindo o lucro líquido sobre o patrimônio líquido da empresa. Temos assim uma ideia aproximada do quão relevante para a empresa foi o investimento.

 

Na mão dos outros – Indicadores da estrutura de capital.

Acabamos de ver a capacidade de uma empresa de gerar retorno e qual o retorno sobre cada etapa de sua estrutura contábil, mas agora falta analisarmos se essa companhia está andando com as próprias pernas ou se ela se encontra vulnerável frente a investimentos de terceiros.

Normalmente a margem líquida já nos dá uma boa ideia da capacidade da empresa de gerar lucro e honrar suas dívidas, mas precisamos ver qual parte dessa dívida é visando sua operação principal, ou para pagar empréstimos de parceiros e fornecedores. Para isso devemos olhar diretamente para a parte dos passivos do balanço patrimonial e calcular a relevância da divida de terceiros sobre a parte de patrimônio líquido. Pense bem, o que é mais saudável para uma empresa, ter um patrimônio líquido maior do que o passivo, ou o inverso? A resposta é clara. O patrimônio líquido deve ser considerado como um investimento partido de pessoas que estão interessadas em ver o negócio ir longe, ou seja, é um investimento a longo prazo. Já, o passivo é um investimento de curto a médio prazo, sendo realizado por empresas que prestam serviços, por imobiliárias, por empresas de maquinários, serviços logísticos, etc.

O índice que estamos buscando aqui é o Endividamento Total, dividido pelo Patrimônio líquido. Novamente, esse índice é interpretativo e não pode ser considerado sozinho, sem relação com outros aspectos da empresa. Quanto maior esse índice, mais a empresa tem autonomia. Deixe-me colocar isso em perspectiva com um exemplo: Digamos que a empresa A tenha baixa autonomia, ou seja, seu patrimônio líquido corresponde à uma parte pequena de seu passivo. Nos últimos meses ela vem demonstrando uma margem líquida extremamente confortável, resultando em um aumento gradual de seu PL, devido ao ganho de confiança em seus negócios. Nesse caso podemos dizer que a sua falta de autonomia não está afetando sua atratividade para os investidores.

Por fim temos também que levar em consideração a capacidade da empresa em cobrir os seus juros. Isto é, sem comprometer a sua formação de caixa. O caixa de uma empresa é quase como um indicador por si só. Pelo menos para o curto prazo. Afinal de contas, você não confiaria um empréstimo a um amigo que é muito rico, mas está sem dinheiro no bolso no momento? Pensando por aí, uma empresa que consegue pagar os juros de seus financiamentos, sem comprometer a formação de caixa, deve ser considerada como uma empresa saudável. Aqui não temos interpretação, caixa = bom!

O último ponto a ser realizado na análise fundamental de empresas é o quanto a empresa tem a receber. Nem toda venda é contabilizada imediatamente. Voltando ao balanço patrimonial e olhando no lado de ativos, devemos fazer uma conta para dizer o quanto do capital que temos em ativos é ainda devido de terceiros. Caso a empresa tenha uma porcentagem muito alta de ativos representada na forma de ativos a receber, devemos levantar a sobrancelha. Podemos ver isso positivamente? Claro. Afinal devemos pensar que esse dinheiro está para entrar e será utilizado para a formação de caixa e para investimentos na operação. No entanto, se isso for uma constante para a empresa, podemos estar lidando com uma ameaça ao negócio. Imagine que a empresa tenha um mês fraco e muitas das vendas foram a prazo. Ter baixa liquidez em seus ativos é extremamente negativo aqui. É possível que a empresa tenha que recorrer a empréstimos para exercer o seu próximo mês.

 

Pare e reflita.

Parabéns por chegar ao final de mais um artigo do O Primo Rico. A análise fundamentalista e muito importante para qualquer análise fundamental de empresas que fazemos, ao estruturar um investimento. Não podemos deixar que isso seja algo leviano e nos guiar por achismos ou confiança em fatores que pouco nos dizem.

Lembre-se sempre de conferir se o seu assessor ou consultor tem em dia a análise fundamental das empresas que constam em sua carteira de investimentos, ou se suas sugestões estão bem baseadas em dados factuais e não apenas expectativas infundadas.

Fique conosco para mais artigos que revelarão cada vez mais sobre as diversas facetas da análise fundamental e sobre cada documento contido no espectro contábil de uma organização.

Então boa análise e bons investimentos!

Análise Gráfica de Ações – indicadores de Médio Prazo

Você já aprendeu sobre Análise Gráfica de ações no primeiro artigo da série e pode ver como os preços das ações são definidos, o principal modelo de gráfico e quais são os indicadores mais relevantes utilizados para desenvolver as análises técnicas.

 

No segundo artigo, demos destaque para os indicadores que facilitam a identificação das melhores tendências de compra e venda no curto prazo.

 

Continuando nossa série de textos sobre Análise Técnica de ações, veremos o que se entende por operações de médio prazo e os indicadores que vão te ajudar a operar nesse caso: topos e fundos, médias móveis e o indicador acumulação/distribuição.

 

Entendendo o que é Médio Prazo

 

A análise técnica de ações oferece as informações necessárias para que você possa identificar quais operações valem a pena investir no médio prazo e consiga ter bons resultados. As operações consideradas de médio prazo duram entre 5 a 90 dias e, se comparadas às de curto prazo, exigem menos tempo por dia do investidor. Entretanto, a dedicação deve ser a mesma. Eis o princípio básico deste tipo de aplicação: é preciso ter paciência e sangue frio para respeitar o tempo de evolução das operações!

 

Indicadores de Médio Prazo

 

Para operações de médio prazo existem três indicadores que se destacam. As informações apresentadas por eles, aliadas a uma boa estratégia de investimento, poderão te ajudar a aumentar suas oportunidades de ganho. Veja, então, quais são os indicadores e suas aplicações:

 

1) Topos e Fundos

 

Uma ação nunca se movimenta em linha reta no gráfico, ela sempre varia. E é justamente nessa variação que residem os topos e fundos. Eles nos ajudam a identificar a tendência principal na movimentação de um papel específico.

 

Quando a tendência é de alta, os topos e fundos são formados em patamares cada vez mais altos. Já quando a tendência principal é de baixa, a variação se dá em patamares cada vez mais baixos. Essa visualização é fundamental para a definição da estratégia do investidor, uma vez que a tendência principal da ação influencia na compreensão de diversos outros indicadores.

 

Perceba que no exemplo de gráfico abaixo fica nítida a tendência de alta já que os topos e fundos estão em movimento ascendente.

topos-e-fundos-tendencia-de-alta

 

 

 

2) Médias móveis

 

Utilizado para apontar a oscilação dos preços no mercado de ações, esse indicador é chamado de “móvel” porque os valores de cálculo mudam constantemente. Para indicar a tendência atual de alta, de neutra ou de baixa, são usadas médias móveis de dois períodos: uma de 9 dias e uma de 21 dias. Dessa forma, a cada novo período, o cálculo é atualizado com o valor mais recente.

 

No gráfico abaixo, por exemplo, é possível ver que duas linhas paralelas. A linha verde representa a média móvel dos últimos 9 dias e a vermelha representa a média dos últimos 21 dias.

medias-moveis

 

3) Acumulação/distribuição

 

Para estimar o volume financeiro de acordo com as oscilações de mercado, utiliza-se o indicador acumulação/distribuição. Essa comparação permite que o investidor veja se o volume está maior nas altas de mercado ou nas baixas.

Se falamos em uma tendência de alta, significa que o mercado está subindo com volume financeiro alto e caindo com volume baixo. Essa desigualdade entre o número de compradores e de vendedores acontece por causa do posicionamento dos grandes investidores, já que eles são responsáveis por grande parte do volume financeiro operado na bolsa de valores.

O indicador acumulação/distribuição nos dá a informação ao demonstrar que está ascendente (veja no gráfico a seguir). Nesses casos, a quantidade de compradores é maior e indica que os grandes investidores estão comprando determinada ação apostando em sua alta.

acumulacao-distribuicao-ascendente

Quando está descendente (como no exemplo abaixo), o indicador normalmente mostra que o grupo de vendedores é numericamente superior. Ou seja, os grandes investidores estão vendendo uma ação acreditando em sua baixa.

acumulacao-distribuicao-descendente

 

Conclusão

 

Aprender a ler e interpretar dados analíticos é, definitivamente, um diferencial para quem pretende investir. Contudo, as informações devem ser utilizadas atreladas a uma estratégia de investimento com foco no seu objetivo.

 

Os indicadores que apresentamos são ótimos para quem quer investir no médio prazo, pois ponderam as melhores oportunidades de operações com duração de 5 a 90 dias. É muito importante ter noção de como analisar gráficos e saber os principais indicadores para poder investir com foco e visão estratégica e, assim, evitar riscos desnecessários.

 

Agora que você já aprendeu sobre Análise Gráfica de ações e tem noção de quais são os principais indicadores para demonstrar tendências de curto e médio prazo, você tem uma noção melhor de como investir a partir de dados e pode operar com mais segurança.
Curtiu da nossa série de posts, mas ficou alguma dúvida? Sem problemas! Pergunte aqui nos comentários.